terça-feira, 15 de março de 2011

COBAIAS HUMANAS E OS EUA: Guatemaltecos processam EUA por teste que espalhou sífilis no país e outros casos


Um grupo de guatemaltecos que foi contaminado durante testes médicos realizados por pesquisadores americanos entraram com processo coletivo contra o governo dos Estados Unidos.

Quase de 700 pessoas foram infectados com sífilis ou gonorreia nos anos 40, durante um programa que estudava os efeitos da penicilina.

Centenas de prisioneiros, pacientes psiquiátricos e órfãos foram usados como cobaias.

Nos experimentos, os pesquisadores subornavam funcionários locais para poder dar a injeção com as bactérias causadores das duas doenças sexualmente transmissíveis nos pacientes – o mesmo acontecia nos orfanatos.

Já os prisioneiros eram incentivados a ter relações sexuais com prostitutas contaminadas com uma das duas doenças. Todos haviam sido previamente tratados com penicilina. O objetivo era determinar se substância poderia prevenir a doença.

‘Inaceitável’

Quando o caso veio à tona, em outubro do ano passado, o governo americano se desculpou oficialmente e qualificou o experimento como “antiético” e “inaceitável”. , quando o caso veio à tona, no ano passado.

Segundo os advogados das vítimas, a decisão pelo processo foi tomada após o governo americano não responder sobre uma proposta de acordo.

Provas da existência do programa foram reveladas pela professora Susan Reverby, da Universidade de Wellesley, nos Estados Unidos.

Segundo ela, o estudo na Guatemala foi organizado pelo Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, mas tinha o aval do governo guatemalteco.

Sífilis pode causar problemas cardíacos, cegueira e levar à morte.

Segundo o jornal guatemalteco Prensa Libre, participam a ação coletiva 15 vítimas do caso. No entanto, se o veredicto for favorável, abre-se precedente para que todos os outros infectados sejam beneficiados.

Eles pedem indenização para si próprios e também para seus familiares, já que muitos também foram prejudicados. (BBC)

MAIS:

Experimentos Médicos dos EUA sobre os guatemaltecos foram apenas o começo

Tradução Marilia Muller

Já foi amplamente revelado que os Estados Unidos realizaram experiências médicas em prisioneiros e doentes mentais na Guatemala em 1940. Realizado por um médico do governo que trabalhava em um hospital psiquiátrico, os experimentos envolviam infectar guatemaltecos intencionalmente com sífilis (e outras DST) sem o conhecimento dos pacientes a fim de determinar a eficácia da penicilina. Estes estudos foram patrocinados, em , pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) e já foram amplamente divulgados pela ABC News, o Washington Post e outros grandes jornais (que, de repente, se interessaram por um tema que normalmente não iriam escrever a respeito).

A indignação contra este experimento da ciência médica desumana é refletido nas manchetes de notíciários em todo o mundo e, agora, o governo da Guatemala caracteriza este triste capítulo na história dos EUA como um “crime contra a humanidade.” Repórteres ficam chocados ao relatar a história e os funcionários do governo dos EUA parecem estar indignados em saber que isso aconteceu na América.

Mas o que você está prestes a descobrir aqui vai chocá-lo ainda mais.

As experiências médicas dos EUA com os cidadãos da Guatemala sao apenas a ponta do iceberg dos experimentos criminosos que o governo dos EUA e a indústria médica têm realizado em vítimas inocentes durante o último século.

Os EUA fingem estar surpresos

A descoberta dessa experiência médica gerou uma série de respostas oficiais dos EUA que só podem ser chamadas de teatro político dada a forma artificial como o assunto foi abordado. A Secretária de Estado Hillary Rodham Clinton disse oficialmente: “Embora esses eventos ocorreram há mais de 64 anos, estamos indignados que tal pesquisa poderia ter ocorrido sob o pretexto de saúde pública … Nós lamentamos profundamente que isso aconteceu e pedimos desculpas a todos os indivíduos que foram afetados por tais práticas abomináveis de pesquisa.

O Porta Voz da Casa Branca, Robert Gibbs, chamou a descoberta de “repreensível”, e o presidente Barack Obama até telefonou para o presidente guatemalteco Álvaro Colom e para pedir desculpas.

Você sabe o que todas essas ações têm em comum? Uma mensagem implícita de que essa experiência nos anos 40 foi, de algum modo, um erro aberrante que nunca aconteceu na América. Eles querem que você acredite que foi responsabilidade de um pesquisador apenas que cometeu este crime atroz em nome da medicina. Mas a realidade é que a Big Pharma e o governo dos EUA o usam pessoas inocentes em experiências médicas todos os dias. Este não foi um evento raro e bizarro. Foi um reflexo da maneira como o governo dos EUA conspira com a indústria médica para testar drogas em vítimas inocentes para descobrir o que acontece.

O Governo dos EUA e Big Pharma continuam a cometer crimes contra a humanidade
Este padrão se estende até os dias de hoje, é claro. Lembra quando os veteranos da Guerra do Golfo foram diagnosticados com Síndrome da Guerra do Golfo, logo após o retornarem de servir no Iraque? Acredita-se que esta síndrome é o efeito colateral das vacinas e drogas experimentais forçadas nos soldados do governo dos EUA. No cronograma mostrado abaixo, você vai notar um padrão preocupante de governos que exploram soldados para suas experiências.

Mais recentemente, a vacina da gripe suína no ano passado foi, essencialmente, uma grande experiência clínica envolvendo centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. A vacina não havia sido testada ou aprovada como segura por nenhuma entidade de saúde mas, mesmo assim, campanhas agressivas praticamente forçaram a população a tomarem a vacina para, somente depois, descobrir o que aconteceria.

O cronograma de experiências médicas em vítimas inocentes

O que é realmente interessante sobre esta história é como a descoberta do experimento médico da década de 40 veio à tona. Foi “descoberto” por Susan M. Reverby, professora da Faculdade Wellesley, em Massachusetts, que disse: “Eu quase caí da cadeira quando comecei a ler isto … Dá para imaginar? Eu não podia acreditar. “(http://www.washingtonpost.com/wp-dy …)

Bem, talvez ela deveria ler NaturalNews. Nós temos publicado, por muitos anos, a verdade sobre a experimentação médica em seres humanos inocentes. Se Susan Reverby soubesse alguma coisa sobre como a indústria médica realmente funciona, ela não teria se surpreendido tanto. A história das experiências médicas realizadas em nome da indústria farmacêutica está repleta de relatos de prisioneiros, negros, mulheres e outros grupos sendo explorados como ratos de laboratório (veja o link abaixo).

Ao descobrir esta experiência médica, Susan Reverby ficou tão indignada que ela informou ao público suas descobertas. ABC News noticiou a história e, em seguida, se espalhou como fogo por toda a mídia. Está aí um fato curioso: A mídia raramente imprime a verdade sobre a história da medicina que, quando o faz, é uma notícia “surpreendente”.

Mas aqui na NaturalNews.com, noticiamos este tipo de histórias todos os dias. Descobrir que mais um grupo de pessoas explorados por um médico pago pelo governo trabalhando para a indústria farmacêutica é rotina. Os abusos da vida humana cometidos pela indústria farmacêutica vão muito além dos 1.500 guatemaltecos e, na realidade, se estendem às dezenas de milhares de americanos que estão sendo tratados como cobaias todos os dias.

Psiquiatria – Uma Indústria da Morte

Se você quer, realmente, ficar assustado com a verdadeira história documentada de como as pessoas foram torturadas, abusadas, injetadas, mutiladas e tiveram suas vidas destruídas pela indústria médica, confira “Psiquiatria Um Museu da Indústria da Morte por CCHR ( www.CCHR.org).

Assista ao vídeo aqui: http://www.cchr.org/museum.html # / …

Você pode, na realidade, caminhar por este museu. É em Los Angeles, e é uma das coisas mais perturbadoras que você jmais verá sobre a verdadeira história da medicina. Os experimentos de DST na Guatemala, a propósito, foram realizados em um hospital psiquiátrico. (Não é surpresa.) Eu andei por este museu e, comecei a a chorar antes mesmo de terminar. As coisas que os psiquiatras e os médicos são capazes de fazer para os outros seres humanos em nome da “medicina” são terríveis.

A indústria psiquiátrica fez coisas horríveis a mulheres, crianças, prisioneiros, idosos, negros e minorias raciais – tudo em nome da “ciência” e ” medicina” Na verdade, essas experiências continuam até hoje, na forma de drogar crianças que são diagnosticadas com condições de saúde fictícias como a síndrome da falta de atenção e a hiperatividade.

Ninguém tem documentado a verdadeira história do abuso criminal da medicina em seres humanos como o CCHR – a Comissão dos Direitos Humanos dos Cidadãos. Acompanhe estes vídeos chocantes: (http://www.cchr.org/videos/marketin…)

(http://www.cchr.org/videos/making-a…).
Aqui, você vai começar a aprender a verdadeira história dos crimes cometidos pela indústria farmacêutica – muitas vezes em conluio com o governo. Normalmente, estas histórias são acobertadas e os cidadãos não sabem de nada. Afinal, a descoberta de que o governo dos EUA conspirou com a indústria farmacêutica para infectar guatemaltecos com uma doença sexualmente transmissível não reflete o tipo de imagem que o Presidente Obama deseja que as pessoas tenham sobre a América.

Um cronograma de experimentos médicos em seres humanos

Abaixo, você encontra a lista parcial de pesquisas médicas em humanos. Há mais experimentos que foram realizados em segredo e nunca foram documentados.

Muitos dos experimentos listados envolvem organizações cujos nomes você vai reconhecer instantaneamente: o grupo Merck, o Instituto Rockefeller para Pesquisa Médica, o Instituto Sloan-Kettering, o Instituto Nacional da Saúde, o Hospital Geral de Massachusetts e muitos mais.

E, como você verá a seguir, o experimento na Guatemala não é o mais grotesco.

Nota: A lista a seguir é apenas parcial. Veja a lista completa aqui: http://www.naturalnews.com/022383_r …

(1845 – 1849)
J. Marion Sims, aclamado como o “pai da ginecologia”, realiza experimentos médicos em escravas africanas sem anestesia. Essas mulheres, geralmente, morriam de infecção logo após a cirurgia. Baseado em sua crença de que o movimento dos ossos do crânio dos recém-nascidos durante partos prolongados provoca trismo, o Dr. Sims usa um furador de sapateiro (uma ferramenta pontuda que os sapateiros usavam para fazer furos no couro) para mover os ossos do crânio dos bebês nascidos de mães escravas (Brinker ).

(1895)
O Doutor Henry Heiman, um pediatra de Nova York, infecta um menino de 4 anos de idade com gonorréia , a quem ele se referia como “um idiota com epilepsia crônica”, como parte de um experimento médico (“Experimentação Humana: Antes e Depois da Era Nazista“).

(1896)
Dr. Arthur Wentworth transforma 29 crianças do Hospital Infantil de Boston em ratos de laboratório quando ele executa uma punção lombar apenas para testar se o procedimento é prejudicial ou não (Sharav).

(1906)
O Dr. Richard Strong, um professor da Universidade de Harvard, infecta prisioneiros nas Filipinas com cólera somente para estudar a doença; 13 deles morrem. Ele compensa os sobreviventes com charutos e cigarros. Durante os Julgamentos de Nuremberg, os médicos nazistas citaram este estudo para justificar suas próprias experiências médicas (Greger, Sharav).

(1911)
O Dr. Hideyo Noguchi do Instituto Rockefeller para a Pesquisa Médica publica dados sobre sua pesquisa em que injecta uma preparação de sífilis inativa sob a pele de 146 pacientes e crianças, na tentativa de desenvolver um teste cutâneo para a sífilis. Em 1913, vários dos pais dessas crianças processam o Dr. Noguchi por infectá-las com sífilis (“Comentários e Observações: História da Medicina: Experimentação Humana na América antes da Segunda Guerra Mundial“).

(1913)
Pesquisadores Médicos “testam” 15 crianças do lar infantil St. Vicent na Filadélfia com tuberculina, resultando em cegueira permanente em algumas das crianças. Apesar dos Representantes da Pensilvânia registrarem o incidente, os médicos não são punidos pelos experimentos (“Experimentação Humana: Antes e Depois da Era Nazista”).

(1915)
O Dr. Joseph Goldberger, sob a ordem do Instituto de Saúde Pública dos EUA, produz Pelagra, uma doença que afeta o sistema nervoso central, e infecta 12 detentos do Estado do Mississipi para tentar encontrar a cura para a doença. Em 1935, depois de milhares morrerem desta doença, o diretor do Instituto de Saúde Pública dos EUA admite que os funcionários tinham conhecimento de que a doença era causada por uma deficiência de niacina, mas não tomaram nenhuma medida a respeito porque a maioria dos afetados pela doença eram negros pobres. Durante os Julgamentos de Nuremberg, os médicos nazistas usaram este estudo para justificar as suas experiências médicas em prisioneiros de campos de concentração (Greger;. Cockburn e St. Clair, eds).

(1932)
(1932-1972) O Serviço de Saúde Pública dos EUA em Tuskegee, Alabama diagnostica 400 meeiros negros pobres com sífilis, mas nunca lhes fala da doença nem os trata. Em vez disso, os pesquisadores usam os homens como cobaias humanas para analisar os sintomas e a progressão da doença. Todos eles morrem de sífilis e seus familiares nunca souberam que poderiam ter sido tratados (Goliszek, University of Virginia Health System Health Sciences Library).

(1939)
Para testar sua teoria sobre a gagueira, o Dr. Wendell Johnson realiza a famosa sua “experiência monstro” em 22 crianças de um orfanato em Davenport. Dr. Johnson e seus alunos de pós-graduação colocam as crianças sob intensa pressão psicológica, fazendo com que elas comecem a gaguejar. Na época, alguns dos estudantes alertaram o Dr. Johnson dizendo que, devido ao impacto da II Guerra Mundial, poderiam estabelecer comparações com experimentos nazistas realizadas em seres humanos, o que poderia destruir sua carreira” (Alliance for Human Research Protection).

(1941)
O Dr. William C. Black infecta um bebê de 12 meses de idade com herpes como parte de um experimento médico. Na época, o editor do Jornal de Medicina Experimental, Francis Peyton Rous, diz que tal ato é um abuso de poder, uma violação dos direitos do indivíduo e não desculpável, pois a doença que se seguiu teve implicações para a ciência” (Sharav).

Pesquisadores administram coquetéis, incluindo ferro radioativo, a 800 mulheres grávidas indigentes da clínica pré-natal da Universidade de Vanderbilt a fim de determinar as necessidades de ferro das gestantes (Pacchioli).

(1942)
The Chemical Warfare Service realiza pesquisa com gás mostarda e gás tóxico em 4.000 membros das forças armadas dos EUA. Alguns destes indivíduos não sabem que são voluntá \rios em um experimento com substâncias químicas, como Nathan Schnurman de 17 anos que, em 1944, pensa que está testando as roupas de verão da Marinha “(Goliszek).

O presidente da empresa farmacêutica Merck, George Merck, é nomeado diretor do Serviço de Investigação de Guerra (WRS), uma agência que visa acompanhar a criação do programa de armas biológicas (Goliszek).

(1944 – 1946) Um capitão médico aborda um memorando de abril de 1944 ao coronel Stanford Warren, chefe de Medicina do Projeto Manhattan, expressando preocupações sobre os efeitos do flúor ( um dos componentes da bomba atômica) no sistema nervoso central (SNC) e pedindo para que testes com animais sejam realizados a fim de determinar tais efeitos. “A evidência clínica sugere que o hexafluoreto de urânio pode ter um efeito bastante acentuado no sistema nervoso central … Porque o trabalho com esses compostos é essencial, será necessário saber, antecipadamente, quais são os efeitos mentais que pode ocorrer após a exposição.” No ano seguinte, o Projeto Manhattan teria iniciado os estudos sobre os efeitos do flúor em humanos (Griffiths e Bryson).

A equipe médica do Projeto Manhattan, liderados pelo infame radiologista coronel Safford Warren da Universidade de Rochester, injeta plutônio em pacientes do hospital escola da universidade, o Strong Memorial (Burton Relatório).

(1945)
Dando continuidade ao Projeto Manhattan, pesquisadores injetam plutônio em três pacientes do Billings Hospital da Universidade de Chicago(Sharav).

O Departamento do Estado Americano, o Departamento de Inteligência do Exército e a CIA começam a Operação Paperclip, que oferece imunidade e identidades secretas aos cientistas nazistas em troca de trabalho em projetos secretos do governo dos Estados Unidos nas áreas de aerodinâmica e medicina de guerra química (“Project Paperclip“).

(1945 – 1955) Em Newburgh, Nova Iorque, pesquisadores vinculados ao Projeto Manhattan começam o estudo americano mais extenso já feito sobre os efeitos da fluoretação da água de abastecimento público (Griffiths e Bryson).

(1946)
Dando continuidade ao estudo Newburg de 1945, o Projeto Manhattan autoriza a Universidade de Rochester a estudar os efeitos do flúor em animais e humanos em um projeto com o codinome “Programa F.” Com a ajuda da Secretaria Estadual de Saúde de Nova Iorque, pesquisadores do Programa F, secretamente, coletam e analisam amostras de sangue e de tecidos dos moradores de Newburg. Os estudos são patrocinados pela Comissão de Energia Atômica e são feitos no hospital escola da universidade de Rochester, o Strong Memorial (Griffiths e Bryson).

(1946 – 1947) Pesquisadores da Universidade de Rochester injetam quatro homens e duas mulheres com urânio-234 e urânio-235 em doses variando de 6,4 a 70,7 microgramas por quilo a fim de estudar a quantidade de urânio que os rins poderiam tolerar antes de ficarem comprometidos (Goliszek).

Seis funcionários de um laboratório metalúrgico de Chicago recebem água contaminada com plutônio-239 para beber, para que os pesquisadores saibam como o plutônio é absorvido no aparelho digestivo (Goliszek).

Os pesquisadores começam a usar pacientes dos hospitais de veteranos de guerra como cobaias humanas para experimentos médicos, colocando nos relatórios dos experimentos que os paciente foram apenas “observados” para evitar uma conotação negativa e má publicidade (Sharav).

O público americano, finalmente, descobre que experiências de guerra biológica estão sendo feitas em Fort Detrick a partir de um relatório divulgado pelo Departamento de Guerra (Goliszek).

(1947)
O Coronel E. E. Kirkpatrick da Comissão de Energia Atômica dos EUA (AEC) emite um documento ultra secreto (707.075) datado de 08 de janeiro. Neste documento, ele escreve que “certas substâncias radioativas estão sendo preparadas para a administração intravenosa em seres humanos” (Goliszek).

Um documento secreto da AEC datado de 17 de abril diz: “Nenhum documento que se refere às experiências com seres humanos será liberado, pois podem ter um efeito adverso na opinião pública ou resultar em processos judiciais”, revelando que o governo dos EUA estava consciente dos riscos que seus testes nucleares representavam para os militares realizando tais testes ou civis que estivessem nas proximidades (Goliszek).

A CIA começa a estudar o potencial do LSD como uma arma usando militares e civis como cobaias para tais experimentos sem o consentimento ou o conhecimento dos mesmos. Eventualmente, tais estudos se transformarão no programa MKULTRA em 1953 (Sharav).

(1947 – 1953) A Marinha dos EUA inicia o Projeto Chatter para identificar e testar os chamados “soros da verdade”, como os utilizados pela União Soviética para interrogar espiões. Entre as várias drogas testadas em seres humanos estão a mescalina e a escopolamina (Goliszek).

(1948)
Baseado nos estudos secretos realizados em residentes de Newburgh, NY, a partir de 1945, pesquisadores do “Projeto F” publicam um relatório no Jornal da Associação Odontológica Americana na edição de agosto de 1948 detalhando os perigos do flúor. A Comissão de Energia Atômica (AEC) rapidamente vetou o artigo alegando razões de “segurança nacional” (Griffiths e Bryson).

(1950)

(1950 – 1953) O Exército dos EUA libera nuvens químicas sobre seis cidades americanas e canadenses. Altas taxas de doenças respiratórias em residentes de Winnipeg, no Canadá, foram relatadas depois que cádmio, um produto químico altamente tóxico, foi lançado no ar (Cockburn e St. Clair, eds.).

Com a finalidade dee determinar a suscetibilidade de uma cidade americana a ataques biológicos, a Marinha dos EUA pulveriza uma nuvem contendo a bactéria “Bacillus globigii” sobre o litoral de São Francisco. De acordo com os dispositivos de monitoramento situados na cidade para testar a extensão da infecção, oito mil moradores de San Francisco inalaram ar contendo cinco mil partículas de bactérias causando doenças com sintomas de pneumonia (Goliszek).

O Dr. Joseph Strokes da Universidade da Pensilvânia infecta 200 presos do sexo feminino com hepatite viral para estudar a doença (Sharav).

Médicos do hospital da cidade de Cleveland estudam o fluxo sanguíneo cerebral através da anestesia vertebral. O procedimento consiste em inserir agulhas na veia jugular e na artéria braquial fazendo com que o paciente incline a cabeça para baixo para, então, medir sua pressão arterial. A perda maciça de sangue provoca paralisia e desmaio. Este experimento é feito várias vezes no mesmo paciente (Goliszek).

Dr. D. Ewen Cameron publica um artigo no British Journal of Physical Medicine no qual ele descreve as experiências forçando pacientes esquizofrênicos do Hospital Mental Brandon de Manitoba a deitarem nus sob lâmpadas vermelhas de 15 a 200 watts por até oito horas por dia. Suas outras experiências incluem colocar doentes mentais em uma gaiola elétrica aquecendo sua temperatura corporal interna para 40 graus Celsius e induzir comas dando aos pacientes injeções de insulina (Goliszek).

(1951)

(1951 – 1956) Em contrato com a Força Aérea , o centro do câncer da Universidade do Texas em Houston começa a estudar os efeitos da radiação em pacientes com câncer – muitos deles membros de grupos minoritários ou indigentes – a fim de determinar se a radiação pode tratar o câncer e seus efeitos a longo prazo em pilotos que voam aviões de propulsão nuclear. (Departamento de Energia dos EUA , Goliszek).

(1952)
No famoso Instituto Sloan-Kettering, Chester M. Southam injeta células vivas de câncer em prisioneiros da Prisão Estadual de Ohio para estudar a progressão da doença. Metade dos presos que fazem parte deste estudo patrocinado pelo National Institutes of Health (NIH) são negros, despertando suspeitas raciais decorrentes do estudo em Tuskegee, Alabama onde o estudo também havia sido patrocinado pelo NIH (Merritte, et al.).

(1953 – 1974) A Comissão de Energia Atômica dos EUA (AEC) patrocina estudos com iodo na Universidade de Iowa. No primeiro estudo, os pesquisadores administram de 100 a 200 microcuries de iodo-131 a mulheres grávidas e, em seguida, estudam os fetos abortados a fim de saber em que fase e em que medida o iodo radioativo atravessa a barreira da placenta. No segundo estudo, os pesquisadores administram iodo-131 via oral ou intramuscular a 25 recém-nascidos do sexo feminino e masculino com menos de 36 horas de vida pesando entre 2 e 4 quilos. O estudo tem, por objetivo, medir a concentração de iodo na tireóide dos recém-nascidos (Goliszek).

Como parte de um estudo da AEC, os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Nebraska administram iodo-131 através de uma sonda gástrica a 28 bebês para, 24 horas depois, testar a concentração de iodo na glândula tireóide dos bebês (Goliszek).

(1953 – 1957) Onze pacientes do Hospital Geral de Massachusetts em Boston são injetados com urânio como parte do Projeto Manhattan (Sharav).

Em um estudo patrocinado pelo AEC na Universidade do Tennessee, pesquisadores injetam recém-nascidos saudáveis com três dias de vida com 60 rads de iodo-131 (Goliszek).

Recém-nascido Daniel Burton fica cego quando os médicos do Hospital de Brooklyn realizam um tratamento experimental com altas taxas de oxigênio para tratar a fibroplasia retrolental, uma doença da retina que afeta recém-nascidos prematuros. Os médicos realizam o tratamento experimental, apesar de estudos anteriores mostrarem que altos níveis de oxigênio podem causar cegueira. Testemunhas durante o processo Burton v. Brooklyn Hospital (452 NYS2d875) revelam que pesquisadores continuaram a dar oxigênio a Burton, mesmo depois de seus olhos mostrarem sinais de inchaço extremo (Goliszek, Sharav).

Em um estudo patrocinado pelo AEC para saber se o iodo radioativo afeta bebês prematuros diferentemente de bebês nascidos a termo, pesquisadores do Harper Hospital em Detroit administram dar doses orais de iodo-131 a 65 recém-nascidos (Goliszek ).

(1955 – 1957) Com a finalidade de aprender como o clima frio afeta a fisiologia humana, pesquisadores administram 200 doses de iodo-131, um marcador radioativo que se concentra quase que imediatamente na glândula tireóide, a 85 esquimós saudáveis e 17 índios Athapascan que vivem no Alaska. Pesquisadores estudam o iodo-131 dentro do corpo através de amostras de sangue, tecido da tireóide e amostras de urina e saliva. Devido à barreira da língua, ninguém menciona aos indivíduos a natureza do estudo (Goliszek).

(1957)

(1957 – 1964) Como parte do programa MKULTRA, a CIA paga ao fundador do Departamento de Psiquiatria da McGill University, Dr. D. Ewen Cameron, U$ 69.000 para realizar estudos com LSD em canadenses em tratamento para depressão pós-parto e ansiedade. A CIA incentiva Dr. Cameron a explorar a sua teoria de corrigir a loucura apagando a memória da pessoa e reescrever a psique. Estes experimentos envolvem electrochoque e indução de estados vegetativos por até três meses. A maioria dos pacientes do Dr. Cameron sofreram danos permanentes como resultado do seu trabalho (Goliszek, Ewan Cameron Donald”).

A fim de estudar o fluxo sanguíneo através dos cérebros das crianças, os pesquisadores do Hospital Infantil da Filadélfia realizam o seguinte experimento em crianças saudáveis, com idade entre 3 e 11 anos de idade: agulhas são inseridas na artéria femoral da criança (localizada na coxa) e na veia jugular (localizada no pescoço). A criança deve, então, inalar um gás especial através de uma máscara. (Goliszek).

(1962)
O FDA começa a exigir que um novo medicamento passe por três testes clínicos em humanos antes de receber aprovação. De 1962 a 1980, as empresas farmacêuticas satisfazem esta exigência, executando os testes da fase I, que determinam a toxicidade da droga, em presidiários, dando-lhes pequenas quantias de dinheiro como compensação (Sharav).

(1963)
Chester M. Southam, que injetou presos na penitenciária de Ohio com células vivas de câncer em 1952, realiza o mesmo procedimento em 22 idosas negras no hospital Judeu do Brooklyn para analisar a sua resposta imunológica. Southam informa aos pacientes que estão recebendo “algumas células”, mas deixa de fora o fato de que são as células de câncer. Ironicamente, ele se torna presidente da American Cancer Society (Greger, Merritte, et al.).


Pesquisadores da Universidade de Washington irradiam os testículos de 232 detentos a fim de determinar os efeitos da radiação na função testicular. Depois destes presos deixarem a da prisão, pelo menos quatro deles têm bebês com defeitos congênitos. O número exato é desconhecido, porque os pesquisadores não acompanharam os homens para ver os efeitos a longo prazo da experiência (Goliszek).

(1963 – 1966) O pesquisador da Universidade de Nova York Saul Krugman promete aos pais de crianças com deficiência mental matrícula na escola estadual Willowbrook School em Staten Island, Nova Iorque, que é uma instituição crianças com retardo mental, em troca de consentimento para procedimentos apresentados como “vacinas”. Na realidade, tais procedimentos envolviam infectar crianças com hepatite viral, alimentando-lhes um extrato feito a partir de fezes de pacientes infectados, de modo que Krugman poderia estudar o curso da hepatite viral, bem como a eficácia de uma vacina contra a doenva (Hammer Breslow).

(1963 – 1971) Pesquisadores injetam um componente genético chamado timidina radioativa em testículos de mais de 100 detentos da Penitenciária do Estado do Oregon para saber se a produção de esperma é afetada pela exposição aos hormônios esteróides (Greger).

Em um estudo publicado na revista Pediatrics, os pesquisadores da Universidade da Califórnia no Departamento de Pediatria usam 113 recém-nascidos com idade variando de uma hora a três dias de vida para estudar alterações na pressão arterial e fluxo sangüíneo. Em um estudo, os doutores introduzem um cateter através da artéria umbilical do recém-nascido e outro cateter na aorta e, em seguida, mergulham os pés dos recém-nascidos em água com gelo para tirar a pressão aórtica. (Goliszek).

(1964 – 1967) A Companhia Dow Chemical Company paga $ 10.000 ao Professor Kligman para estudar como a dioxina – um componente altamente tóxico e cancerígeno do colorante laranja – e outros herbicidas afetam a pele humana. Os trabalhadores da companhia estavam desenvolvendo uma acne e a empresa gostaria de saber se a causa desta acne era a dioxina. Para estudar tal componente, o Professor Kligman aplica na pele de 60 prisioneiros a mesma quantidade de dioxina a que os empregados da companhia são expostos e fica decepcionado quando descobre que os presos não apresentam sintomas da acne. Em 1980 e 1981, as cobaias humanas utilizadas neste estudo processaram o professor Kligman por complicações tais como lúpus e danos psicológicos (Kaye).


E a Bioética com isso?
No post anterior inciamos uma discussão sobre a pesquisa científica em humanos e pelo que já foi dito é possível perceber que esse é um assunto bem polêmico, uma vez que por mais cruéis que algumas dessas experiências possam ser, seus resultados em alguns casos são de bastante utilidade para a comunidade científica e a humanidade como um todo. Bem, chegamos a um ponto em que as opiniões divergem bastante, e para tentar estabelecer uma diretriz sobre quais estudos são eticamente corretos e quais são antiéticos é que a Bioética atua nessa área da ciência.

A Bioética, por meio de Comissões de bioética, Comitês de Ética e Congressos científicos, busca encontrar um meio-termo entre a busca pelo conhecimento científico e os valores humanos. Dessas reuniões e congressos sugiram alguns códigos bioéticos que, embora não sejam leis, servem para direcionar o comportamento dos cientistas a respeito do que pode ou não ser feito, bem como estabelecer um protocolo para que a pesquisa com humanos não seja tão absurda, como fora outrora.

Dentre esses documentos criados estão o Código de Nuremberg e a Declaração de Helsinque.

1. O CÓDIGO DE NUREMBERG

Este foi o primeiro a determinar as diretivas para a experimentação em seres humanos. Surge em 1947, após a 2ª Guerra Mundial, logo após que tornaram-se de conhecimento público as barbáries que aconteceram nas experiências realizadas pelos médicos nazistas. O Código de Nuremberg é constituido de dez pontos, os quais definem com clareza e objetividade as condições de experimentação com seres humanos.

Já no primeiro tópico do Código de Nuremberg fica claro que o consentimento do voluntário é essencial para que ele possa ser cobaia em uma pesquisa. Além disso, para que haja o consentimento, os cientistas devem informar ao voluntário quais os reais propósitos do estudo, os métodos que serão usados, bem como as chances de haver algum efeito adverso, provocado pelos procedimentos do estudo. Esse consentimento esclarecido representa um dos mais importantes pontos em favor do respeito e da dignidade do ser humano.

Os demais pontos desse código dizem que a realização do experimento deve ter uma causa justificada, não podendo aleatório e desnecessário. Além disso, todas as etapas devem ser acompanhadas de perto por um especialista, de forma que a qualquer momento, se a integridade do voluntário for ameaçada, o experimento deve ser interrompido. Para você que se interessou no assunto e quer saber um pouco mais do Código de Nuremberg, clique aqui e leia todos os artigos desse código.

2. DECLARAÇÃO DE HELSINQUE

Este é um documento que reune uma série de princípios éticos que regem a pesquisa com seres humanos. Foi redigida pela Associação Médica Mundial em 1964, durante a 18ª Assembleia Médica Mundial, em Helsinque, Finlândia. Foi revisada por 6 vezes, sendo a última revisão feita em outubro de 2008.

Entre os seus princípios básicos estão os que dizem que cada passo da experimentação deve ser aprovado por um comitê especialmente nomeado para essa função, que a pesquisa deve ser conduzida por pessoas com qualificação científica e sobre a supervisão de um médico clinicamente competente, o qual será responsável pela integridade do indivíduo de pesquisa durante o estudo. Além disso todo estudo com seres humanos deve ser precedido de uma cuidadosa avaliação dos riscos previsíveis em comparação com os benefícios previsíveis. Segundo a declaração o direito da cobaia humana de salvaguardar sua integridade deve ser sempre respeitado.

A declaração também faz uma diferenciação da Pesquisa Clínica e Não-Clínica. Na primeira, a pesquisa tem fins terapêuticos, ou seja, a finalidade de melhorar o estado do paciente. Na segunda, a pesquisa tem o objetivo de adquirir um novo conhecimento ou validar uma hipótese. Neste caso, ela não visa um benefício direto para o paciente, no entanto, não pode causar-lhe nenhum prejuízo: esse é o pricípio da não-maleficência.

Estes são apenas dois dos vários documentos que servem de base para a experimentação com humanos. Pelo que foi dito é possível perceber que a Bioética trabalha para que o uso de pessoas como cobaias seja feito de uma forma mais responsável e que a integridade física e mental da vida humana seja vista como mais importante que os resultados que vierem a ser obtidos na pesquisa.

Referências:

Zuben, Newton Aquiles von. (2007). As investigações científicas e a experimentação humana: aspectos bioéticos. Bioethikos, Centro Universitário São Camilo - 2007;1(1):12-23.
Goliszek, Andrew. Cobaias Humanas: a história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência - Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
Postado por Levi Sena às 21:40 0 comentários Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Buzz
A CIA e as cobaias

Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA intensificaram seus "cuidados"com países inimigos. Medidas defensivas não eram suficientes e logo começaram a usar drogas ofensivas para obter informações, ganhar controle dos agentes inimigos e aplicar técnicas coercivas de interrogação. A CIA, então, iniciou programas de experimentação humana, controle da mente e modificação do comportamento.
Nos fins dos anos 1940, os programas para o estudo do comportamento humano começaram. No início apenas sujeitos dispostos eram recrutados, mas em seguida não-voluntários inadvertidos também foram incluídos, com a finalidade de testar agentes químicos e biológicos. Entre esses agentes estava o LSD (Ácido Lisérgico). Com os estudos, o ácido deixou de ser um meio passivo de coagir alguém a falar, e passou a ser uma arma psicológica ofensiva usada para obter informações de uma fonte inadvertida, perturbando ondas cerebrais, confundindo padrões de pensamento, alterando comportamentos, e quebrando a resistência.
O MKULTRA era um desses projetos da CIA, e tinha a finalidade de pesquisar e desenvolver materiais químicos, biológicos e radiológicos, para serem usados em operações clandestinas e terem capacidade de controlar ou modificar o comportamento humano. Os testes eram realizados tanto em voluntários quanto em indivíduos inadvertidos. Usavam métodos abusivos para requisitar novos voluntários, inclusive oferecendo a jovens voluntários, que cumpriam penas por transgressões, a droga de seu vício para que colaborassem como cobaias em seu experimento. Havia também subprojetos, que envolviam hipnose, psicoterapia, estudos poligráficos, soros da verdade, patógenos e toxinas em tecido humano, gotas para nocautear, e testes ou administração de drogas às ocultas.


Além dos supracitados, a sala do sono foi mais um dos programas realizados pela CIA. Usando choques físicos, mensagens repetidas, privação sensorial, drogas e radiação para obter uma "despadronização". A despadronização consistia na indução da mudança de comportamento e na memória, promovendo uma personalidade nova masi sadia. Crianças do México e da América do Sul, foram usadas não apenas como cobaias, mas também como agentes sexuais, com a finalidade de fazer chantagem com pessoas de altos cargos no Estudo, para manter a sua pesquisa. As crianças foram usadas por serem consideradas sacrificáveis. Relatos mostram que elas sofreram lavagem cerebral com o objetivo de se tornarem espiãs, ou um soldado perfeito.


Há uma certa semelhança entre alguns filmes e seriados com os relatos acima. Dark Angel uma série, que relata a historia de Max, uma mulher que quando criança foi usada para criar uma espiã perfeita, é um bom exemplo de como a arte imita a vida. As atrocidades pelas quais essas crianças passaram trazem danos quase irremediáveis as suas personalidades. Raramente são capazes de confiar em outrém, ou ter uma relação bem sucedida.

Referências:

1.Goliszek, Andrew. Cobaias Humanas: a história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência - Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
Postado por Celina Alvs às 13:16 0 comentários Enviar por e-mail BlogThis! Compartilhar no Twitter Compartilhar no Facebook Compartilhar no Google Buzz
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Você é um homem ou um rato?

Conheça melhor o perfil das cobaias humanas


Uma cena bastante comum no nosso dia-a-dia é ir a uma farmácia e comprar um medicamento para dor de cabeça, por exemplo. O que não nos damos conta é que antes de chegar às prateleiras dos estabelecimentos comerciais esses fármacos passaram por uma série de testes, inicialmente em animais e depois em humanos, que diariamente servem de cobaias em experimentos científicos.

Esse é apenas um exemplo do uso de humanos como cobaias, ou “voluntários”, como preferem os pesquisadores, por considerarem o termo cobaia um tanto quanto perjorativo.

Existe uma série de motivos que podem levar uma pessoa a se voluntariar para a participação em uma experiêcia. Entre os mais comuns estão: dinheiro, saúde e até mesmo o altruísmo. No Brasil o dinheiro como motivação não é legal. Em nosso país é proibido o pagamento de cobaias para que estes participem de pesquisas. Por aqui o órgão responsável pela aprovação de pesquisas com o uso de voluntários é a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

No entanto em alguns países, como nos EUA, o uso de pessoas em pesquisa é algo bastante comum, sendo que estes voluntários recebem para participar dos estudos, fazendo de cobaia humana sua “profissão”. “‘Por um vidrinho de sangue, pagamos US$30’, conta o hematologista goiano Rodrigo Calado, pesquisador no estado americano de Maryland do Instituto Nacional de Saúde, agência do governo dos EUA”.¹ Em época de crise da economia mundial o preço pago para se ser voluntário em estudos científicos são bastante interessantes, o que acaba atraindo as pessoas, principalmente aquelas que possuem menor poder aquisitivo.

É claro que a facilidade de se participar de um estudo como sujeito de pesquisa não elimina os riscos de ser cobaia. No entanto, hoje em dia as condições dos voluntários está um pouco melhor, no que diz respeito aos procedimentos a que são submetidos e até mesmo na assistência que recebem durante e após os estudos.

Pelo menos em alguns lugares são assim, normalmente isso só acontece em países desenvolvidos. Mas, nem sempre foi assim. É de conhecimento geral o sofrimento a que foram submetidos os comunistas, social-democratas, ciganos, testemunhas de Jeová, homossexuais e judeus, os quais aprisionados em campos de concentração nazistas foram submetidos a alguns dos mais cruéis experimentos com humanos que se tem notícia. Tais experimentos, feitos em nome do avanço da ciência, avaliavam a resistência do ser humano ao congelamento, ao afogamento, à altitude e a venenos, que normalmente levavam a cobaia (que nesses casos, nem de longe eram voluntárias) à morte. Após o fim do nazismo, com a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial, e com a revelação dos arquivos nazistas, criou-se em 1947, o código de Nuremberg. Esse código foi o primeiro passo para tornar a experimentação com humanos mais justa.

Um outro caso famoso de um infeliz estudo com humanos é o caso Tuskegee. Um estudo realizadocom 600 homens negros, sendo 399 com sífilis e 201 sem a doença, feito na cidade de Macon, Alabama, EUA.


O objetivo dos pesquisadores era estudar a evolução da doença, quando não se aplicava nenhum tipo de tratamento. Vale ressaltar que em 1929, um estudo norueguês, relatava a partir de dados históricos mais de 2000 casos de sífilis sem tratamento. A pesquisa que se estendeu por 40 anos (1932-1972) teve logicamente um aspecto positivo para a ciência, pois muito do que se conhece a respeito da sífilis, vem dos conhecimentos adquiridos desse estudo. Fato que não justifica o uso de vidas humanas em estudos inescrupulosos como esse. Curioso é o fato de que desde 1943 conhecia-se o poder da penicilina no tratamento da sífilis, e mesmo assim nenhum tratamento foi administrado para os quase 400 homens doentes dessa pesquisa. Mais curioso ainda, é a contradição existente entre os norte-americanos, que em nome do avanço científico deixam negros morrerem de sífilis, omitindo-se de qualquer forma de tratamento, e os norte-americanos, que em 1947 condenaram veementemente os procedimentos nazistas, criando o código de Nuremberg.
Após citar dois casos extremos do uso de sujeitos de pesquisa, voltemos a falar da situação das cobaias humanas atualmente. Hoje em dia é possível por meio da própria Internet tornar-se voluntário de um experimento. Dentre os “classificados da ciência”¹ esta o Biotrax.com. Ao acessar o site, coloquei os meus dados como sendo um morador de Washington, EUA, e como sendo saudável, informações que foram suficentes para derecionar-me a uma página que apresentava 12 estudos nos quais eu poderia me inscrever como voluntário. Mas não para por aí, um outro site Drugspay.com, inspirado na onda de fazer da condição de sujeito de pesquisa uma profissão, ensina como conseguir até US$ 34 mil por ano (um bom incremento na renda familiar, não?) apenas participando de pesquisas. O próprio autor do site afirma já ter tomado mais de 750 remédios em fase de experimento, além de já ter tirado mais de 1500 amostras sanguíneas para estudos.

“E se participando de uma pesquisa, o voluntário sofrer algum dano, como por exemplo uma sequela consequente de um efeito adverso da droga administrada?” Para esses casos a legislação de garante o pagamento de idenizações às cobaias que forem prejudicadas. Seria ideal que isso acontecesse em todos os países, mas quase sempre fica restrito aos países de primeiro mundo. Aproveitando-se dessa brecha na legislação de alguns lugares, laboratórios e centros de pesquisa tem transferido seus estudos para regiões com a população mais vulnerável.

Por população vulnerável podemos entender: crianças, idosos, doentes, prisioneiros, indígenas, e ainda a população residente em países pobres, como a Índia e alguns dos países africanos. Nesses locais, encontramos pessoas sem condições financeiras e que por esse motivo estão dispostas a abrir mão de sua integridade física, muitas vezes já debilitada, em troca de dinheiro, e por isso facilmente se voluntariam como cobaias em pesquisas.

Apesar dos casos noticiados de efeitos adversos surgidos a partir de experimentação com humanos, sabemos que essa é uma atividade que ainda é bastante necessária, visto que sem a experimentação, não é possível garantir que um medicamento, por exemplo, não causará danos, ao invés de curar. O que se critica é a falta de fiscalização, fato que motiva as empresas farmacêuticas a agirem de forma nada ética, explorando vidas humanas, como se fossem ratos de laboratórios. Vale lembrar que na maioria dos casos, a vida das cobaias, desde que sejam seguidos todos os protocolos de segurança que os estudos exigem, não é posta em risco.

Referências Bibliográficas:

1) Menai, T. (Maio de 2010). Vida de Cobaia. Super Interssante, p.56.

2) Petry, A. (2010, 21 de Julho). O Labirinto é a Saída. Veja, p. 102.

3) Golsim, J.R. (1999). O caso Tuskegge: quando a ciência se torna eticamente inadequada. Acessado em: 22 de dezembro de 2010, em: http://www.ufrgs.br/bioetica/tueke2.htm.

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