domingo, 15 de julho de 2012

Nazista mais procurado do mundo é achado. Que apodreça na prisão!!!


"Confirmo que Laszlo Csatary foi identificado em Budapeste", declarou à AFP Efraim Zuroff. "O 'The Sun' pôde fotografá-lo e filmá-lo graças a informações que fornecemos em setembro de 2011", acrescentou.

"Há 10 meses, um informante nos deu elementos que nos permitiram localizar Laszlo Csatary em Budapeste.


Este informante recebeu 25 mil dólares que prometemos em troca de informações que permitam encontrar criminosos nazistas", disse Zuroff.

As informações sobre o paradeiro de Csatary foram enviadas em setembro de 2011 à promotoria da capital húngara. O vice-procurador de Budapeste, Jenö Varga, não confirmou a informação, limitando-se a declarar que "existe uma investigação em andamento. A promotoria está estudando as informações recebidas." (AFP)

Em repúdio a violência contra as mulheres, mais de mil pessoas na Marcha das Vadias em Curitiba


                            72 mulheres já foram mortas este ano na Grande Curitiba.



                                        Dez mulheres são mortas por dia no País



Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres foram assassinadas no Brasil


Em 50 municípios, os índices de homicídio são maiores que 10 por 100 mil habitantes.



                Paraná é o terceiro estado no ranking da violência contra a mulher.



                              Piraquara,  taxa de 24,4 casos de homicídios por 100 mil.



                     As mortes se concentram na faixa etária entre 20 e 29 anos.



 Curitiba, taxa de 4,7 mulheres assassinadas por 100 mil. 

As mortes se concentram na faixa entre 20 e 29 anos, com 7,7 mulheres assassinadas por 100 mil. 



Dom Eugênio Sales, o cardeal da ditadura


Enfim alguém diz a verdade. Fiquei falando sózinha um tempão. Eu me lembro em 1974, era pouco mais que uma menina, meu pai tinha sido sequestrado na Argentina, queria localizá-lo no Brasil (sabia que tinha sido trazido para cá) já tinha batido em todas as portas possíveis, quando um Bispo disse que eu poderia tentar esse Cardel, no Palácio São Joaquim, pq ele era amigo do Frota e passava inclusive fins de semana no sítio do Frota em Petrópolis. O Bispo me alertou porém que seria muito difícil ele me receber e mais ainda me ajudar, Eu tentei pq estava desesperada e não tinha mais o que fazer. Procurei o Dom Eugenio Sales no seu Palácio, claro que não queria me atender. Eu corri e entrei no gabinete dele e comecei a falar. Ele me ouviu, depois me disse que saísse imediatamente dalí e NUNCA mais voltasse. Eu disse que não saía. Ele se dirigiu ao telefone e disse que ia chamar o Doi-Codi. Saí correndo e nunca mais voltei. Ele era um canalha. Coloquei toda a verdade sobre ele na minha Tese de Doutorado, defendida na USP em 2007. Não se podem cometer assassinatos da História da forma como a PIG está fazendo e ficar impunes.

MAIS:

Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura



O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.
Deus tá vendo
E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.
Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?
Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.   Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.
O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.
Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.
"Quem tem dúvidas…basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n'O Globo" – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:
"A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…"
Portões do Sumaré
Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos".
Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor".
Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.
Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!", como no filme "Uma cidade sem passado".
Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em "manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos". As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.
Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.
"Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a "verdade", as memórias têm valor social de "verdade" e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem "a verdade" – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.
A "verdade" construída pela mídia foi capaz de fotografar até "a presença do Espírito Santo" no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: "Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo" – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.  
"A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória" nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.
Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!
P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme "Uma cidade sem passado". Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro "O que é Memória Social" (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.
José Ribamar Bessa Freire e professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

Alemanha vira destino dos desempregados da Europa

Diante da escassez de mão de obra em sua região, a cidade alemã de Schwabisch Hall decidiu lançar uma campanha para atrair trabalhadores de países afetados pela crise na Europa. Mas nunca imaginou que o resultado seria uma inundação de currículos chegando à prefeitura e candidatos tomando a decisão de viajar mais de mil quilômetros para entregar em mãos suas fichas para disputar um posto de trabalho.
O que ocorreu na cidade próxima à Stuttgart é apenas um espelho de um novo fenômeno europeu. Ilha de estabilidade dentro de uma Europa em convulsão, a Alemanha se transformou num país refúgio. Milhões de europeus sem emprego se mudaram para as cidades alemãs, enquanto bilhões de euros entraram nos cofres do país em busca de segurança.
A Alemanha vive um momento de praticamente pleno emprego, com apenas 5,6% da população sem trabalho e com a previsão de que, em algumas regiões, a taxa fique abaixo de 5% ao final do ano. O número se contrasta com os 24% de desempregados na Espanha, 20% na Grécia e 16% em Portugal. Diante da queda da taxa de natalidade, o resultado tem sido a falta de mão de obra em vários setores. As estimativas são de que o país não consegue preencher vagas oferecidas para engenheiros e que, mesmo com a imigração, existe um déficit de 30 mil engenheiros na Alemanha.
Segundo o Escritório Federal de Estatística da Alemanha, o país viveu em 2011 a maior queda no número de nascimentos. Em todo o ano, foram apenas 663 mil partos, 2,2% menos que em 2010. A taxa é ainda a mais baixa desde 1946, quando o fim da Segunda Guerra Mundial abriu uma nova fase na sociedade alemã. O número é ainda metade dos nascimentos registrados em 1964, no auge do 'baby-boom' europeu, e nunca a diferença entre mortes e nascimentos foi tão elevada.
Segundo a Destatis - a agência de estatísticas - a população de 82 milhões de habitantes apenas não encolheu graças à chegada de 279 mil imigrantes, o maior número em mais de dez anos. O resultado foi um crescimento líquido de 100 mil pessoas no ano na população alemã, algo que a indústria comemora.
Algo similar já havia ocorrido após a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de portugueses e espanhóis deixaram seus países empobrecidos para ajudar a reconstruir a Alemanha. Dessa vez, o fluxo tem assustado algumas cidades. Em Schwabisch Hall, com 180 mil habitantes, apenas 3% da população está desempregada e 2,5 mil postos de trabalho não conseguem ser preenchidos.
Em março, bastou uma matéria de um jornal português sobre a campanha para que a prefeitura local recebesse, em quatro dias, mais de 18 mil currículos de portugueses, buscando trabalho. A prefeitura também foi obrigada a fretar um avião entre Madri e Stuttgart para levar 100 engenheiros espanhóis para a última fase de testes. No início do ano, vários deles já est (AEavam trabalhando.
Empresas alemãs, desesperadas por trabalhadores, estão contratando ainda os serviços da agência Adecco para recrutar imigrantes especializados. A Adecco foi justamente buscar na Espanha cerca de 50 engenheiros, oferecendo aulas de alemão e posições em empresas de ponta no novo "El Dorado", a Alemanha. Martin Friedrich, gerente da escola de idiomas Academia Suarez, conta que empresas alemãs o tem procurado para fechar acordos para dar aulas de alemão a espanhóis, gregos e portugueses. "As empresas estão dispostas a pagar pelas aulas. O que querem são trabalhadores", disse.
No centro de Frankfurt, sua escola que se dedicava principalmente ao ensino do espanhol, foi obrigada a abrir cursos de alemão. Ao abrir vagas para professores, outra surpresa: passaram a receber pedidos de trabalho de professores no interior da Espanha. "A crise é muito profunda lá e as pessoas estão desesperadas", comentou.
O padre brasileiro André Bergmann também conta que tem visto um incremento substancial do número de portugueses que vem até ele em busca de conselhos e orientação para se mudar para a Alemanha. O padre comanda a Comissão Católica de Língua Portuguesa em Frankfurt. "Aqui não há uma crise", admitiu.
No hospital universitário da cidade, a direção médica decidiu contratar 30 enfermeiras portuguesas, diante da falta de pessoas especializadas.
Sem esses estrangeiros, a Alemanha já prevê que poderá ter sérios gargalos para sua economia na próxima década. Até 2060, o país poderia ter 12 milhões de pessoas a menos. Para Steffen Kröhnert, do Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, em 2050, a Alemanha poderá sofrer uma redução de 30% de sua mão de obra. (AE)

Governo federal recebe 16 mil pedidos de Lei de Acesso em dois meses


Evelson de Freitas/Agência Estado / Vânia Vieira, diretora de prevenção da corrupção da CGU.Vânia Vieira, diretora de prevenção da corrupção da CGU.
Em menos de dois meses de vigência, a Lei de Acesso a Informação já permitiu que 14.311 pedidos de acesso a documentos fossem autorizados pelo governo federal. Das 16.930 solicitações registradas até esta sexta-feira, apenas 1.370 (8%) foram negados.
De acordo com Vânia Vieira, diretora de prevenção da corrupção da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão do governo federal responsável por julgar os pedidos feitos pelos cidadãos, o maior número de pedidos tema ver com os seguintes órgãos:
- Superintendência de Seguros Privados (Susep);
- INSS;
- Banco Central;
- Planejamento;
- Correios;
- Ministério da Fazenda.
Em 94,5% dos casos, de acordo com Vânia, quem fez os pedidos foram pessoas físicas. O que, inclusive, ressalta uma das grandes qualidades da lei, que pode ser usada diretamente pelo cidadão, sem necessidade de intermediários.
O balanço parcial da lei, que entrou em vigência na segunda quinzena de maio, mostra também que os cidadãos estão usando a ferramenta principalmente para saber de informações econômicas e financeiras.
A presença de INSS, Susep, Banco Central e Fazenda na lista dos mais acessados é um sintoma do tipo de informação que está sendo solicitada.
Segundo Vânia Vieira, os motivos para recusa mais comuns são:
- Pedidos de dados pessoais: 533 casos;
- Pedido de documentos sigilosos: 138;
- Legislação específica que impede divulgação: 172;
- Pedido que exige tratemento de dados: 96;
- Pedido genério: 250;
- Pedido incompreensível: 181. (GP)

Eliana Catanhede e a terceira inflexão do PT

Rudá Ricci


Eliana Catanhêde publica, hoje, na Folha, o artigo "Menos café, mais leite". Avalia que Lula e Dilma se apartaram nestas eleições municipais. A Presidente aposta em Belo Horizonte (com Patrus Ananias) e o ex-Presidente coloca suas fichas em São Paulo (com Fernando Haddad). Lembra que Dilma vem do PDT e afirma que não tem paciência com São Paulo, colocando uma dupla feminina sulino no comando do Planalto (as ministras Gleisi e Ideli). E sugere que Dilma aponta para o futuro, enquanto Lula reedita sua disputa com Serra.
Pode ser. Com exceção da história das ministras que comandam o Planalto (ela se esqueceu de vários outros nomes de peso, como Mantega e Míriam Belchior, ambos paulistas), concordo com as linhas gerais de sua leitura. Leitura que carrega um texto subliminar. A probabilidade maior, na aposta dos dois petistas ilustres, é de vitória de Dilma, com Patrus Ananias. Se esta aposta se revelar correta, o que mudaria na história do petismo?
Arrisco dizer que seria uma terceira inflexão na história do partido.

A primeira teria ocorrido em meados dos anos 1990. Do indefinido ideário libertário-cristão (anos 1980) para o modelo clássico pragmático-burocrático. Inflexão liderada por José Dirceu que nunca chegou a ser um ideólogo e sempre esteve mais para formulador de táticas eleitorais e disputas internas.
A segunda inflexão foi consolidada com o advento do lulismo. A chegada de Lula ao poder tornou seu modo de governar (o fazer política pelo aliciamento e estruturação de um fordismo tupiniquim) um paradigma para os petistas. A partir do lulismo, os petistas governantes se liberaram para o tudo ou nada.  O PT virou o partido da ordem.
Agora, com Dilma, uma nova inflexão se avizinha. Dilma não faz parte do Panteão Petista. E, com tal limitação, foi alçada ao comando do Estado. Não tem brilho, é técnica e retilínea. Não demonstra liderança política, mas comando gerencial. Se aproxima, em parte, de certa racionalidade que FHC implantou no seu período (estou utilizando o conceito weberiano, distinguindo-a do carisma/burocratismo lulista). 
O fato é que o PT foi diminuindo de peso político. O Estado se revelou maior que o ideário do partido a ponto da entrada de Lula ter destruído a identidade do seu partido.
É a partir deste vácuo programático ou ideário partidário que a sugestão de Eliana Catanhêde faz sentido
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Universidades brasileiras: Alto investimento, baixa excelência


O ensino superior brasileiro vive um paradoxo. Embora o investimento por aluno esteja próximo da média dos países desenvolvidos, as universidades brasileiras ainda não têm destaque no cenário global e ficam longe do topo nos principais rankings de qualidade na área.
O gasto anual em ensino superior hoje no Brasil é de US$ 11,6 mil (R$ 23,5 mil) por estudante, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e De­senvolvimento Eco­nômico (OCDE). O valor, que engloba recursos públicos e privados, é maior do que o aplicado na Itália (US$ 9,5 mil) e na Nova Zelândia (US$ 10,5 mil) e não fica muito distante do gasto em Israel (US$ 12,5 mil), Espanha (US$ 13,3 mil) e França (US$ 14 mil).
Entre as 17 nações emergentes listadas na pesquisa da OCDE, o Brasil é a que mais investe por aluno. Isso não tem sido suficiente, porém, para que o ensino superior brasileiro crie uma reputação de excelência. Um ranking feito recentemente pela Universidade de Melbourne, na Austrália, comparou os sistemas universitários de 48 países e colocou o Brasil na 40.ª po­­sição, atrás de China, Ar­­gentina, Chile e de diversos países do Leste da Europa, como Eslovênia, Bulgária e Ucrânia.
Algumas das limitações brasileiras que aparecem no levantamento australiano são a pequena abrangência do sistema universitário – gasta-se bastante por aluno, mas, como a parcela da população no ensino superior é menor do que em outros paí­­ses, o investimento total em relação às riquezas produzidas pelo país ainda é baixo –; a insuficiente conexão das universidades brasileiras com instituições estrangeiras (tanto para intercâmbios quanto para produção acadêmica); e o pequeno número de instituições em rankings que levam em conta a produtividade dos cursos.
Para se ter uma ideia, a Universidade de São Paulo (USP), a melhor do país, aparece apenas na 178.ª colocação no ranking da Times Higher Education.
Escolhas erradas
A dificuldade de colocar universidades entre as melhores é reflexo das escolhas feitas pelo Brasil. O baixo investimento no ensino básico torna mais difícil a formação de graduandos interessados em pesquisa ou capazes de atender plenamente às demandas do mercado de trabalho. “Não há como esperar resultados muito melhores em rankings universitários enquanto não se fizer uma revolução na educação básica”, diz o consultor Renato Casagrande. Ele lembra que as últimas avaliações do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) mostram uma defasagem de quatro anos dos alunos brasileiros da educação básica em comparação com qualquer país desenvolvido.
Para o reitor da Uni­ver­si­­dade Positivo, José Pio Mar­­tins, outro problema é o interesse tardio das universidades do país pela pesquisa e por cursos de doutorado. “A titulação conta muito nesses rankings e há 30 anos o Brasil não tinha doutores”, diz. Além disso, a pesquisa se restringe a poucas instituições públicas e o incentivo ao financiamento privado só recentemente entrou em pauta com a criação de leis de inovação – o Paraná, por exemplo, ainda não tem uma lei do gênero.
Pouca atenção ao ensino fundamental
De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os elevados gastos nacionais com ensino superior não são proporcionais ao que se investe na educação básica. Isso se reflete na desvantagem que os calouros brasileiros levam quando comparados aos estudantes estrangeiros, que contam com investimentos mais relevantes nos anos escolares iniciais.
Proporcionalmente, o Bra­­sil gasta com ensino fundamental cerca de um sétimo do valor investido no ensino superior. O vizinho Chile, tendo os investimentos brasileiros como referência, investe quase três vezes mais na formação de crianças e adolescentes, o que equivale à metade do que o mesmo país gasta com universidades. Considerando todos os 39 países citados no relatório da OCDE, apenas Indonésia e China investem ainda menos que o Brasil em cada aluno do ensino fundamental.
Para o pesquisador João Malheiro, doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a formação básica fraca é a razão principal para o desempenho aquém do esperado no ensino superior. “Para se ter capital humano preparado para realizar pesquisa de ponta, os alunos têm que estar muito mais bem preparados”, afirma. Foco exagerado no mercado de trabalho e interferências ideológicas na aprendizagem seriam outros fatores que prejudicam a formação científica daqueles que ainda chegarão à universidade. (GP)


 
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