sábado, 10 de setembro de 2011

Com medo de um isolamento ainda maior Israel diz que acordo de paz com o Egito continua em pé

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu disse neste sábado que o acordo de paz firmado entre seu país e o Egito, há três décadas, continua em pé, apesar da invasão da embaixada israelense no Cairo.

"Israel vai continuar atado ao acordo de paz com o Egito", disse Netanyahu, em um discurso transmitido pela TV.

Nesta sexta-feira, manifestantes egípcios invadiram o prédio, queimaram documentos e forçaram a evacuação do edifício. O embaixador e outros diplomatas israelenses tiveram de deixar o Egito por questões de segurança.

O primeiro-ministro israelense disse que está trabalhando com as autoridades do Egito pelo retorno de seu embaixador ao Cairo.

O enfrentamento entre manifestantes e a polícia deixou três mortos e mais de mil feridos e fez o governo interino do Egito declarar estado de alerta.

Os protestos explodiram após a morte de cinco militares egípcios durante uma perseguição a militantes palestinos, por parte das forças de segurança de Israel.

A retaliação de Israel ocorreu na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito após os militantes palestinos atacarem um ônibus e matarem oito civis israelenses.

Os protestos preocupam Israel, que teme a quebra do acordo de paz, firmado em 1979 entre os dois países, pelo governo interino egípcio. O grande fiador do acordo era o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, afastado do cargo em fevereiro.

Alerta

O Egito declarou estado de alerta e o governo interino convocou uma reunião de emergência do gabinete militar após os ataques à embaixada.

A imprensa relatou que o premiê egípcio, Essam Sharaf, ofereceu sua renúncia após o episódio de sexta, mas o pedido foi negado pelo líder militar do país, Hussein Tantawi.

O governo militar interino disse neste sábado que os manifestantes envolvidos no ataque à embaixada israelense, na véspera, serão julgados em cortes emergenciais.

O Egito prometeu proteção às embaixadas no país.

Uma autoridade sênior de Israel disse à BBC que o ataque à representação diplomática no Egito foi uma séria ameaça às relações entre os dois países – um dos pontos de equilíbrio para a paz no Oriente Médio.

Observadores dizem que o incidente marca um agudo escalonamento nas tensões bilaterais e testa os 30 anos do tratado de paz entre Israel e Egito.

Pneus queimados

Ao longo da madrugada e manhã deste sábado, centenas de manifestantes se mantiveram nos arredores da embaixada no Cairo, queimando pneus pelas ruas e cantando slogans de crítica aos militares no poder no Egito.

Seis funcionários da representação diplomática ficaram presos no prédio durante os protestos e precisaram ser resgatados por forças de seguranças egípcias, disse uma autoridade israelense à BBC. A mesma autoridade diz que os protestos estão sendo vistos em Jerusalém como uma "grave violação" das relações diplomáticas.

O Egito é um dos dois países árabes – junto com a Jordânia – a ter estabelecido a paz com Israel. Mas crescem as demonstrações de sentimento anti-israelense entre os civis egípcios. (BBC)

Supercomputador pode prever revoluções, diz estudo

Alimentar um supercomputador com artigos jornalísticos pode ajudar na previsão de eventos internacionais, segundo um estudo feito nos Estados Unidos.

A pesquisa se baseou em milhões de artigos e detectou uma piora do sentimento geral das nações antes dos recentes levantes no Egito e na Líbia.

O sistema também detectou dicas da localização do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, morto em maio deste ano.Embora a análise tenha sido feita retrospectivamente, cientistas dizem que o mesmo processo pode ser usado para antecipar conflitos que ainda estejam para acontecer.

Kalev Leetaru, do Instituto para Computação na Área de Humanas, Artes e Ciências Sociais da Universidade do Illinois divulgou a pesquisa na publicação científica First Monday.

A informação usada no estudo foi tirada rede uma série de fontes que analisam a imprensa pelo mundo, como o Open Source Centre (mantido pelo governo americano) e o serviço BBC Monitoring.

Também foram analisados sites de notícias, como o arquivo digitalizado do New York Times desde 1945.

No total, foram estudados mais de 100 milhões de artigos.

Dois tipos

As reportagens foram analisadas por dois tipos básicos de informações: sentimento (se ela representava notícias boas ou ruins) e localização (onde eles aconteciam e a localização de outros participantes no artigo).

A detecção de sentimento buscou palavras como "terrível", "horrível" e "agradável".

No quesito localização, o estudo pegou citações como "Cairo" e as converteu em coordenadas em um mapa.

A análise de elementos das reportagens criou uma rede com mais de 100 trilhões de interconexões.

Os dados foram colocados em um supercomputador SGI Altix, conhecido como Nautilus, na Universidade do Tennessee.

A máquina tem um poder de processamento de 8.2 teraflops (ou trilhões de operações de ponto flutuante por segundo).

Baseado em perguntas específicas, o Nautilus gerou gráficos para diferentes países que tiveram suas “primaveras árabes”.

Em cada caso, os resultados agregados de milhares de reportagens mostrou uma notável queda no sentimento geral das nações antes dos levantes, tanto dentro do país como em reportagens do exterior.

No caso egípcio, o tom das coberturas de imprensa antes da queda do presidente Hosni Mubarak chegou a um ponto baixo só visto duas vezes nos 30 anos anteriores, antes do bombardeio americano de tropas iraquianas em 1991 e antes da invasão americana do Iraque em 2003.

Inteligência

Leetaru diz que seu sistema parece gerar informação de inteligência melhor do que a disponível para o governo americano na época.

"O mero fato de o presidente americano seguir apoiando Mubarak sugere fortemente que mesmo no mais alto nível as análises sugeriam que ele permaneceria no poder", disse ele à BBC.

"Isso é provável porque há nessa área especialistas estudando o Egito há 30 anos e, nesse período, nada aconteceu a Mubarak."

Leetaru diz que o gráfico egípcio sugere que algo inédito estava acontecendo naquela época.

"A curva de tom (sentimento) mostra que a situação estava ficando cada vez pior para ele tão rapidamente e com tanta força que parece impossível que ele sobrevivesse."

Quedas semelhantes foram vistas pouco antes da revolução na Líbia e nos conflitos dos Bálcãs nos anos 1990.

A Arábia Saudita, que até agora resistiu aos levantes populares, experimentou flutuações tão fortes quanto às de países que depuseram seus líderes.

No estudo, Leetaru sugere que a análise de reportagens de vários países sobre Osama Bin Laden poderiam ter fornecido dicas relevantes sobre sua localização.

Embora muitos acreditassem que o líder da Al-Qaeda estaria escondido no Afeganistão, informações geográficas extraídas de reportagens frequentemente o identificavam com o norte do Paquistão.

Apenas uma reportagem mencionava a cidade de Abbottabad antes da localização de Bin Laden em abril deste ano.

No entanto, a análise geográfica sugere que ele estava dentro de uma área de 200 km².

A análise do computador parece poder prever grandes eventos ao identificar uma mudança súbita e negativa do sentimento de uma nação.

Mas neste estudo, as análises foram feitas de eventos já ocorridos.

Segundo Kalev Leetaru, o sistema pode ser adaptado para trabalhar em tempo real, como um instrumento de previsão.

"É o próximo passo", disse Leetaru, que já trabalha para desenvolver a tecnologia.

"É muito parecido com as previsões econômicas feitas pelos algoritmos. Você sabe a direção que algo teve nos últimos tempos e quer saber o que vai acontecer."

O cientista também quer melhorar a resolução da análise, especialmente da geográfica, chegando a determinar cidades, “grupos de indivíduos e como eles interagem”.

"Faço uma comparação com a meteorologia. Nunca é perfeita, mas é ainda melhor do que palpites aleatórios." (BBC)

Casos de câncer cresceram 20% em uma década no mundo, diz ONG

A incidência de cânceres no mundo cresceu 20% na última década, sendo registrados 12 milhões de novos casos ao ano - número superior à população da cidade de São Paulo -, informou nesta quarta-feira a ONG World Cancer Research Fund (WCRF).

Para efeitos comparativos, na última década, a população global passou de ao redor de 6,2 bilhões de pessoas a 6,9 bilhões (aumento de cerca de 11%), segundo estatísticas da ONU.

Os cálculos do WCRF, feitos a partir de dados da Organização Mundial da Saúde, apontam que cerca de 2,8 milhões desses casos estão relacionados à alimentação, às atividades físicas e ao peso da população, "número que deve crescer dramaticamente ao longo dos próximos dez anos", segundo a ONG.

O alerta é feito em antecipação à conferência da ONU, entre 19 e 20 de setembro, sobre as chamadas doenças não transmissíveis - câncer, males cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas e diabetes.

"As doenças não transmissíveis são uma ameaça ao mundo inteiro e, em particular, países em desenvolvimento", diz comunicado da WCRF.

Brasil

No caso do Brasil, os dados mais recentes levantados na pesquisa, disponibilizados pelo banco de dados Globocan, da OMS, datam de 2008 e apontam que os tipos mais comuns de câncer são, entre os homens, o de próstata (com 41,6 mil casos registrados) e pulmão (16,3 mil).

Entre as mulheres brasileiras, a maior incidência era de câncer de mama (42,5 mil casos) e de colo do útero (24,5 mil).

Para a WCRF, também aqui muitos casos de câncer têm relação com o estilo de vida.

"Estimamos que cerca de 30% dos tipos de câncer que estudamos no Brasil estão relacionados à dieta, às atividades físicas e ao peso", disse por e-mail à BBC Brasil um porta-voz da ONG, Richard Evans.

"Com relação ao câncer de intestino, um dos tipos de câncer mais ligados ao estilo de vida, estimamos que 37% dos casos brasileiros estejam relacionados a esses fatores."

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do IBGE, apontam um ritmo crescente de obesidade entre as crianças brasileiras: cerca de 16% dos meninos e 12% das meninas com idades entre 5 e 9 anos são hoje obesas no país, quatro vezes mais do que há 20 anos.

O aumento recente da renda média do brasileiro levou à substituição dos alimentos naturais pelos industrializados e a maiores níveis de estresse e sedentarismo, que estão por trás do crescimento dos índices de obesidade na população, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil em agosto.

O movimento foi acompanhado por um aumento nas taxas de excesso de peso, que passaram de 42,7%, em 2006, para 48,1%, em 2010, segundo pesquisa do Ministério da Saúde. (BBC)

Transportes anuncia mudança no modelo de licitação

Um dia após auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) ter apontado prejuízos de R$ 682 milhões aos cofres públicos, no rastro de um esquema de corrupção em obras nas rodovias, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, anunciou que o governo mudará o modelo dos editais de licitação. Passos admitiu que a fiscalização das obras é "deficiente" e disse que as restrições nos editais serão reduzidas para aumentar a concorrência.

"Diante do que foi levantado pela CGU, vamos aprimorar os editais de licitação e torná-los mais competitivos para inibir as possibilidades de conluio", afirmou Passos. "Aumentando a competição, podemos ter a expectativa de preços menores".

O esquema de corrupção nos Transportes derrubou, em julho, o ministro Alfredo Nascimento (PR), que retornou à sua cadeira no Senado, e pelo menos 27 servidores no Departamento Nacional de Infraestrutura nos Transportes (DNIT) e na Valec, a estatal que cuida da malha ferroviária.

Passos disse nesta sexta-feira, 9, que o governo está "empenhado" em corrigir as irregularidades e em reestruturar tanto o DNIT quanto a Valec. Na lista das medidas anunciadas, estão visitas "surpresa" aos locais das obras e a contratação de 100 engenheiros para o Dnit.

Questionado por que o Ministério dos Transportes não tomou providências antes, já que há tempos a CGU aponta superfaturamento em obras, Passos foi econômico na resposta. Disse apenas que é "importante reconhecer os problemas e trabalhar para corrigi-los". Segundo o ministro, é necessário adotar "mecanismos mais rigorosos" de fiscalização. "Vamos pôr o nosso pessoal em campo para que não haja erros", insistiu. (AE)


Embaixador brasileiro acredita em futura união de Egito,Turquia e Irã contra Israel


O embaixador brasileiro no Egito, Cesário Melantonio, explica que a invasão da Embaixada de Israel no Cairo na noite desta sexta-feira foi um protesto ao governo do primeiro-ministro israelense:

Começa segunda fase regional dos Jogos Abertos do Paraná

Com a participação de atletas de 180 municípios, começa nesta segunda-feira (12) a fase regional dos 54º Jogos Abertos do Paraná (Japs). A competição vai até o dia 18, em oito sedes: São José dos Pinhais, Castro, Rolândia, Marialva, Jussara, Corbélia, Pato Branco e Palmital (que terá uma subsede, em Pitanga). Os jogos reunirão mais de seis mil atletas, representando 491 equipes, nas modalidades de basquete, bocha, bolão, futebol, futsal, handebol e vôlei.

Os Jogos Abertos do Paraná são disputados por seleções municipais e atletas acima de 18 anos. A competição acontece em duas divisões (A e B). Da fase regional, que começa segunda-feira, participam somente equipes da Divisão B, que inclui as modalidades coletivas de basquete, bolão, futsal, handebol e vôlei, e só no masculino na bocha e futebol. Os atletas das provas individuais fazem parte da Divisão A e participam apenas da fase final, que neste ano será em Toledo, de 11 a 20 de novembro.

Das 491 equipes participantes da fase regional, 161 (mais de 32%) são de futsal. Essa é a modalidade que tem o maior número de inscrições em todas as sedes.

JOGOS ABERTOS DO PARANÁ

FASE REGIONAL:

12 a 18 de setembro de 2011

Sedes

São José dos Pinhais – 59 equipes– 21 municípios

Castro – 45 equipes – 17 municípios

Rolândia – 37 equipes – 14 municípios

Marialva – 55 equipes – 25 municípios

Jussara – 36 equipes – 16 municípios

Corbélia – 96 equipes – 34 municípios

Pato Branco – 81 equipes – 27 municípios

Palmital/Pitanga – 82 equipes – 26 municípios

FASE FINAL:

11 a 20 de novembro em Toledo

Divisão A

Integrantes (posição em 2010)

Basquete

Feminino

1 – Maringá (1.º A)

2 – Ponta Grossa (2.º A)

3 – União da Vitória (3.º A)

4 – Toledo (4.º A)

5 – São José dos Pinhais (1.º B)

6 – Foz do Iguaçu (2.º B)

Masculino

1 – Maringá (1.º A)

2 – Campo Mourão (2.º A)

3 – Astorga (3.º A)

4 – Marechal Cândido Rondon (4.º A)

5 – Ponta Grossa (1.º B)

6 – Londrina (2.º B)

Bocha

Masculino

1 – Maringá (1.º A)

2 – Francisco Beltrão (2.º A)

3 – Bituruna (3.º A)

4 – Matelândia (4.º A)

5 – Itaipulândia (5.º A)

6 – Medianeira (6.º A)

7 – Chopinzinho (1.º B)

8 – Marechal Cândido Rondon (2.º B)

Bolão

Feminino

1 – General Carneiro (1.º A)

2 – Marechal Cândido Rondon (2.º A)

3 – Cascavel (3.º A)

4 – Pranchita (4.º A)

5 – Maringá (1.º B)

6 – Toledo (2.º B)

Masculino

1 – Marechal Cândido Rondon (1.º A)

2 – Cascavel (2.º A)

3 – Pranchita (3.º A)

4 – Matelândia (4.º A)

5 – Foz do iguaçu (1.º B)

6 – Maringá (2.º B)

Futebol

Masculino

1 – Campo Mourão (1.º A)

2 – Francisco Beltrão (2.º A)

3 – Araucária (3.º A)

4 – Maringá (4.º A)

5 – Cascavel (5.º A)

6 – Telêmaco Borba (6.º A)

7 – Paranavaí (1.º B)

8 – Pranchita (2.º B)

Futsal

Feminino

1 – Matelândia (1.º A)

2 – Ponta Grossa (2.º A)

3 – Cianorte (3.º A)

4 – Cantagalo (4.º A)

5 – Telêmaco Borba (5.º A)

6 – Pato Branco (6.º A)

7 – Londrina (1.º B)

8 – São José dos Pinhais (2.º B)

Masculino

1 – Maringá (1.º A)

2 – Francisco Beltrão (2.º A)

3 – Foz do Iguaçu (3.º A)

4 – Telêmaco Borba (4.º A)

5 – Campo Mourão (5.º A)

6 – Marechal Cândido Rondon (6.º A)

7 – Londrina (7.º A)

8 – Ponta Grossa (8.º A)

9 – Toledo (1.º B)

10 – Cascavel (2.º B)

Handebol

Feminino

1 – Cianorte (1.º A)

2 – Cascavel (2.º A)

3 – Maringá (3.º A)

4 – Matelândia (4.º A)

5 – Campo Mourão (1.º B)

6 – Foz do Iguaçu (2.º B)

Masculino

1 – Campo Mourão (1.º A)

2 – Goioerê (2.º A)

3 – Cascavel (3.º A)

4 – Marechal Cândido Rondon (4.º A)

5 – Londrina (1.º B)

6 – Maringá (2.º B)

Vôlei

Feminino

1 – Ponta Grossa (1.º A)

2 – Maringá (2.º A)

3 – Araucária (3.º A)

4 – Cascavel (4.º A)

5 – Londrina (1.º B)

6 – Itaperuçu (2.º B)

Masculino

1 – Maringá (1.º A)

2 – Cascavel (2.º A)

3 – Araucária (3.º A)

4 – Londrina (4.º A)

5 – Colombo (5.º A)

6 – Itaperuçu (6.º A)

7 – Ponta Grossa (1.º B)

8 – Toledo (2.º B)

Beto Richa envia helicóptero e militares para ajudar vítimas das chuvas em Santa Catarina

Por determinação do governador Beto Richa, a Polícia Militar do Paraná enviou neste sábado (10) um helicóptero e quatro tripulantes do Grupamento Aéreo (Graer) para ajudar no resgate e assistência às vítimas dos desastres provocados pelas chuvas em Santa Catarina nos últimos dias. A equipe, enviada a pedido da Defesa Civil do estado vizinho, é composta por um piloto, um co-piloto e mais dois tripulantes especializados neste tipo de trabalho.

“Realizaremos trabalhos de defesa civil, como busca, resgate, salvamento e entrega de medicamentos e alimentação, principalmente para pessoas que estiverem ilhadas”, explica o comandante do Graer, tenente-coronel Orlando Artur da Costa.

“Atuaremos no vale do Itajaí, Blumenau e Rio do Sul, cidades amplamente atingidas pelas chuvas dos últimos dias. Nossas ações se darão por tempo indeterminado, enquanto for necessário”, disse o comandante da equipe enviada, capitão William Fávero.

A equipe – composta pelos capitães Fávero (comandante da aeronave) e Adilar Marcelo de Lima (co-piloto) e os sargentos Giovani Cupka e Luciano Roberto Frezato (tripulantes operacionais multimissão) – já vivenciou situações parecidas com esta, como no Rio de Janeiro, no início deste ano, e em Santa Catarina, em 2008.

A AERONAVE – O helicóptero enviado pelo Graer à Santa Catarina é o Falcão 3, modelo EC 130, com capacidade para sete pessoas a bordo, equipamentos e, se necessário, mais uma tonelada de carga pendurada em um gancho externo. A equipe levou a bordo cordas (para a realização de rapel ou remoção de pessoas), maca e outros materiais de primeiros socorros. “Somos de um dos estados mais próximos, com experiência na área e equipamentos necessários, por isso fomos acionados”, diz Fávero.

SANTA CATARINA – Segundo informações divulgadas neste sábado, 60 mil pessoas já abandonaram suas casas em Santa Catarina e 200 mil moradores estão sem água – com previsão de restabelecimento neste domingo (11). Trinta e seis cidades estão em situação de emergência e três em estado de calamidade pública. O nível do Rio Itajaí-Açu está baixando lentamente. (AEN)

Artista recria desenho de Da Vinci no Oceano Glacial Ártico

Lula X Marco Valério: Quem cala consente

Lula foi diretamente responsabilizado pelo principal envolvido no escândalo do mensalão, mas não comentou a declaração de Marcos Valério. É suspeitíssimo este silêncio.


Nas alegações finais encaminhadas ontem ao STF, o advogado de Valério argumentou que interessaria no processo julgar as condutas daqueles que seriam os interessados na compra de votos e de apoio da base aliada, incluindo o presidente Lula, seus ministros, o PT e os partidos que integravam a base e que receberam recursos do esquema. Condená-lo, argumentou Valério, seria dar "importância desmedida" ao "simples operador intermediário".

"Analisada a versão dada aos fatos na própria denúncia oferecida pelo Procurador Geral da República (...) o empresário Marcos Valério seria, apenas, o operador do intermediário dos repasses de recursos financeiros, sempre sob orientação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, a Partidos Políticos e parlamentares da base aliada do governo federal", argumentou o advogado de Valério, Marcelo Leonardo.

Relevante para o processo, conforme Valério, "seriam as condutas dos interessados no suporte político "comprado" (presidente Lula, seus ministros e seu partido) e dos beneficiários financeiros (partidos políticos da base aliada), sendo o PT o verdadeiro intermediário do suposto "mensalão". Valério é o segundo réu do mensalão a cobrar que se responsabilize o ex-presidente Lula no caso. Em seguidos pedidos ao Supremo, o ex-deputado Roberto Jefferson, delator e beneficiário do esquema, cobrou a inclusão de Lula na lista de investigados e denunciados pelo Ministério Público.

Nas alegações finais, além de argumentar que a base de sustentação do governo Lula "habilidosamente" tirou o foco dos que ele considera os verdadeiros protagonistas políticos daquele momento: Lula, ministros do governo, dirigentes do PT e dos partidos da base. Além desses argumentos, Marcelo Leonardo pediu a absolvição de seu cliente por falta de provas e erros na denúncia do MP. Valério será julgado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

Lula com a palavra!!!

Patriota defende sistema coletivo de segurança baseado na justiça

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, reivindicou neste sábado um sistema coletivo de segurança baseado na justiça e que permita enfrentar com mais garantias os desafios da comunidade internacional.

"Precisamos de um sistema coletivo de segurança que alcance resultados satisfatórios, não só para enfrentar problemas locais, como por exemplo no Haiti (...), mas também ameaças maiores", disse Patriota em discurso pronunciado em Genebra.

O chefe da diplomacia brasileira discursou nas jornadas sobre Estratégia Global organizadas pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) para dissertar sobre "Crise, conflito, e intervenção: as perspectivas globais".

Seu discurso girou em torno do novo mundo após o 11/9, da crise econômica mundial e da emergência de países como o Brasil, um cenário que, na sua opinião, tem a necessidade "de um novo consenso sobre como exercitar a responsabilidade coletiva".

Esta responsabilidade, ressaltou, é multipolar e multifacetada porque se trata de abordar os desafios globais colocados em todas as frentes: econômico, financeiro, segurança alimentar, temas do meio ambiente e objetivos humanitários.

Somada a essa responsabilidade, acrescentou, deve enfrentar-se levando em conta que há diferentes tipos de ameaças para a estabilidade.

"Não afrontamos o perigo de uma guerra global pelas primaveras árabes, mas poderia ter uma grave ruptura se as grandes potências chocassem pelo conflito palestino-israelense", disse o chanceler, que criticou que apesar da gravidade deste problema não ser algo que tenha tratado recentemente o Conselho de Segurança da ONU.

Patriota assinalou que esta circunstância demonstra que é importante "garantir uma coerência sistêmica para evitar um fracasso sistêmico" e acabar com "as velhas práticas em vigor".

O chanceler criticou que o Grupo dos Sete (G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo) continue reunindo seus ministros de Exteriores para debater segurança, ao contrário do G20 (os países mais ricos e os principais emergentes), ou que o Conselho de Segurança da ONU, e seus cinco membros com direito a veto, "siga reunindo-se como se ainda fossem representantes da maior parte da comunidade mundial".

Para o chefe da diplomacia brasileira, é importante acabar com este esquema e olhar para frente, em direção a "um sistema coletivo baseado na justiça - uma meta civilizadora que temos que ter presente" -, que permita à comunidade internacional enfrentar "sua principal responsabilidade, a de não piorar a situação". (Terra)

Chuvas causaram interdição da BR-116, sentido Santa Catarina

A BR-116/SC ficou interditada no quilômetro 74, na região de Monte Castelo, devido ao transbordamento do Rio Canoinhas, durante parte da manhã deste sábado (10). A rodovia ficou com 30 centímetros de água na pista. Desde as 14 horas, a rodovia foi liberada para o tráfego por meio do sistema Pare/Siga.

O tráfego na região é intenso, de acordo com a concessionária Autopista Planalto Sul, que administra o trecho. Os carros podem desviar o trecho pela BR-280, sentido Canoinhas e Porto União, no quilômetro 12.

No quilômetro 249, na região de Lages, o fluxo de veículos segue pelo sistema Pare/Siga, com implantação de semáforos, devido às chuvas na região.

Na entrada para a SC-302, que vai para Caçador e Lebon Regis, seguem no sentido de Santa Cecília, no quilômetro 133. Os quilômetros 99, em Monte Castelo, e 108, na Serra do Espigão, estão liberados.

As informações são da concessionária Autopista Planalto Sul.

Já o fluxo de veículos na pista Norte (sentido Curitiba) da BR-376/PR segue por uma faixa, entre o km 668,5 e o km 666, na região de Guaratuba, devido às chuvas na região. Na mesma região, na pista Sul (sentido Palhoça), o tráfego flui por três faixas. (GP)

Festa da Luz

Negros no sul? Tem, sim senhor

Os lanceiros negros na Revolução Farroupilha

ELI ANTONELLI

Cai a tarde em Salvador e, no bairro da Liberdade, numa conversa descontraída, nascia o tema do carnaval 2012 do Ilê Aiyê, o bloco afro mais tradicional da Bahia: Negros do sul. Lá também tem? Antonio Carlos dos Santos "Vovô", presidente do Ilê, diz que a ideia inicial era falar de um tema ligado diretamente à África. "Foi numa conversa com um amigo, Fabio Goes, que surgiu uma proposta sobre negro de Londrina, e foi aí que pensei que poderíamos estender e mostrar os negros da região Sul", conta.

O tema traz a interrogação ("Lá também tem?") de propósito. "A ideia é quebrar a falsa discussão que no sul não há negros, existem até quilombos, e as pessoas desconhecem. A mídia não fala e as informações que chegam é que negro no sul é visita e dá para contar nos dedos. Mas há negros! Eles têm história e deram sua contribuição na construção dos Estados. A cultura negra está presente e é isso que vamos mostrar." E essa história não será apenas contada no próximo carnaval. "Vamos deixar esse registro por meio das músicas que iremos criar, nos versos que serão compostos, nos cadernos de educação que irão circular por todo o Brasil. E o sul vai mostrar a sua cara preta", diz Vovô.

A expectativa é que a ação do Ilê produza também outro efeito, além do reconhecimento de que há negros no sul, como o próprio reconhecimento de pessoas negras que desconhecem a importância de sua história e cultura. Vovô espera que esta ação tenha um efeito também sobre os jovens, que resgatem o orgulho de ser negro e assumam sua negritude.

Após uma agenda entre a ministra Luiza Bairros, da SEPPIR, e o segmento do carnaval, a Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e Estado do RS convidou o Ilê para ir ao sul do país. Uma comissão foi formada para acompanhar o trabalho. A visita durou dez dias e passou pelas cidades de Pelotas, Rio Grande, Santana do Livramento, Santa Maria e Porto Alegre (no Rio Grande do Sul); Itajaí e Florianópolis (em Santa Catarina); e Curitiba e Londrina (no Paraná). Segundo o produtor cultural Otávio Pereira, "o objetivo foi articular apoio institucional e fomento de projetos com as autoridades locais e conversar com representantes das organizações sociais negras."

O design Raimundo Santos, conhecido como Mundão, fotografou inúmeras referências da presença negra nos Estados. No Paraná, por exemplo, chamou a atenção a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, no mesmo local funcionava a igreja dos escravos que foi, inclusive, construída por eles por volta de 1737. As várias imagens coletadas farão parte da estamparia do bloco e estarão nos carros, nas roupas, nos camarotes e em todo material alusivo ao evento. "Juntei um estoque interessante de informações focado na simbologia afro nos Estados. Essa foi a primeira pesquisa de campo, agora vamos aprofundar o trabalho de produção visual para produzir todo material gráfico para o carnaval", explica.

"TEMOS CIDADES ONDE O POVO NEGRO MARCA PRESENÇA, CHEGANDO A 80% DA POPULAÇÃO, COMO NO CASO DE RIO GRANDE E PELOTAS"

Para o jornalista brasiliense Michel Aleixo e Silva, o trabalho do Ilê Aiye, com ênfase no sul, produzirá um efeito interessante de divulgação, mostrando ao resto do país a importância da população negra. "Vejo que os maiores destaques da mídia tradicional são sempre esportistas, como Daiane dos Santos e jogadores de futebol, como Ronaldinho Gaúcho. Eles são os representantes mais expressivos de negros da região Sul. Não se fala tanto na história e na cultura afro desses Estados. É como se não existisse", destaca o jornalista.

"A ESCRAVIDÃO AQUI FOI MAIS PERVERSA"

Vovô, presidente do Ilê Ayê: "O sul vai mostrar a sua cara preta"
Lena afirma que a ação do Ilê irá quebrar o imaginário construído de um suposto sul branco

O babalorixá Diba de Iyemonjá, do Asé Iyemonja Omi Olodo, da Vila São José, em Porto Alegre, confirma que é comum uma reação de surpresa quando apresenta ações da comunidade afro do Rio Grande do Sul. "Não nos conformamos com essa invisibilidade. Isso é resultado do colonizador escravagista que fez um grande esforço para separar os negros, porém, hoje, estamos conseguindo sintonia, nos enxergando e tendo reconhecimento de nossas tradições." Para o religioso, a ação de um dos blocos mais tradicionais da Bahia vinculado ao terreiro IleAxeJitolu, de Mãe Hilda, é um motivo forte de comemoração "Pelo menos sabemos que o olhar do povo negro do Brasil estará voltado para os negros daqui", diz, enfatizando que os "irmãos" do sul são muito fortes "Nós somos o sumo da resistência, porque, historicamente, a escravidão aqui foi a mais perversa por conta das charqueadas, e o racismo muito maior, pois para cá vieram alemães, italianos e açorianos que receberam do governo glebas de terras para, à custa da exploração do nosso povo, investirem na agricultura e pecuária", afirma.

A religião de matriz africana foi muito perseguida pelos governos e pela polícia. Segundo o babalorixá, as autoridades mandavam invadir e fechar os terreiros, além de prender pais e mães de santo e seus adeptos. Mesmo assim, o Rio Grande do Sul é o Estado onde o povo mais se assume do Asé e que abriga o maior número de terreiros no Brasil. "Temos cidades, como Rio Grande, Pelotas, Santa Maria e Bagé, onde o povo negro marca presença, chegando a 80% da população, como no caso de Rio Grande e Pelotas. Nossa capital, Porto Alegre, segundo o censo do IBGE, tem 17% de negros. Um percentual que sempre questionamos, pois, ao visitar as vilas e morros das periferias, quase não se vê a presença de brancos", destaca o religioso.

Design Raimundo Santos, o Mundão, fotografou inúmeras referências da presença negra em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná

CONSTRUINDO A NAÇÃO

Os negros do sul estiveram diretamente ligados na criação do Dia da Consciência Negra (20 de novembro). O coordenador-geral de educação para relações étnico- raciais do Ministério da Educação, Antonio Mário Ferreira lembra que a data foi escolhida em contraponto ao 13 de maio. A discussão partiu do coordenador do grupo Palmares de Porto Alegre, o poeta Oliveira Silveira, com o escritor e historiador Décio Freitas. "Havia um material com documentos que indicava que a data provável da morte de Zumbi teria sido em 20 de novembro de 1695.

Os bandeirantes levaram o corpo de Zumbi esquartejado para a atual Recife. Foi então que o Movimento Negro Unifi cado (MNU) do Rio Grande do Sul apresentou ao MNU Nacional a proposta, que foi aceita." Outra contribuição relevante é a literatura, com o próprio escritor Oliveira Silveira, que mostrou o negro gaúcho do interior, trabalhador nas charqueadas que cuidava de gado. "É a descrição do negro transformador, que luta e trabalha gerando crescimento na economia do Estado. Não é a demonstração derrotista de um negro que sofre e chora", analisa Ferreira.

Na música, a arte de Bedel e Luiz Wagner são destaques. Esses artistas que contribuíram na criação do samba rock, estilo que infl uenciou músicos como Jorge Ben Jor. Ferreira cita, ainda, Lupicínio Rodrigues, um dos maiores compositores da música popular brasileira, interpretado por vários artistas, entre eles, Jamelão.

O PARANÁ...

É o Estado com maior número de negros: 28% da população. A diretora do Núcleo de Pesquisa do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA) e diretora do Instituto de Pesquisa do Afrodescendência (IPAD Brasil), Marcilene Garcia de Souza, mais conhecida como Lena - a primeira mulher negra formada em Ciências Sociais na cidade de Curitiba a se tornar doutora em Sociologia - afirma que a ação do Ilê irá quebrar o imaginário construído de um suposto sul branco. "A população negra do sul também contribuiu na formação econômica e social do país, sobretudo, quando esteve numa situação de escravização. A escolha deste tema certamente irá mostrar a importância histórica não somente na economia, mas também na construção cultural", esclarece Lena, que aponta ainda a divulgação de personalidades negras sem visibilidade. "As universidades, a partir disso, poderão aprofundar as pesquisas e os movimentos sociais negros devem fazer o devido registro dos personagens que compõem este cenário e atuam diretamente nessa construção."

No Paraná, existe uma presença significativa de quilombos. Com base em um estudo coordenado pelo Grupo Clovis Moura, elaborado pela historiadora e especialista em Educação Patrimonial Clemilda Santiago Neto, são mais de 100 comunidades, sendo 36 já certificadas pela Fundação Palmares. Mesmo com a presença maciça no Estado, o processo de invisibilidade é forte. Para o diretor da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e doutor em psicologia, Paulo Vinicius Baptista da Silva, do Núcleo de Estudos Afro-brasileiro (NEAB-UFPR), a invisibilidade desta população ocorre pela orientação das ideias racistas hegemônicas no século 19 e da "ideologia do branqueamento", que motivou a imigração no final do século 19 e início do 20. "Essas teorias pregavam que os negros(as) africanos(as) são sinônimo de incivilidade; europeus(eias) brancos(as) são sinônimo de civilização e desenvolvimento. As histórias dos 2 Estados foram reescritas a partir dessas ideias, ocultando a presença negra. Relaciona-se com estruturação de relações de dominação estabelecidas ao longo dos anos, com as dificuldades de mobilidade social da população negra até os dias atuais", destaca.

O babalorixá Diba de Iyemonjá entrega a carta da Marcha Contra a Intolerância, no alácio do governo do Rio Grande do Su

Antonio Mário Ferreira, do MEC

GRANDES HOMENS E MULHERES
Santa Catarina é o Estado com menor índice da população negra. Dos 6.250.000.00 habitantes, distribuídos nos 293 municípios, a população negra (pretos e pardos), corresponde a 13,9%, somando 868.750 pessoas. O sociólogo doutorando em Arqueologia/ IPT (Portugal), João Carlos Nogueira - que integra o Núcleo de Estudos Africanos, afirma que a contribuição dos negros no Estado não é mais mito. "As pesquisas, já no século 20 e atualmente, confirmam a participação ativa como mão de obra no campo, como meeiros ou pequenos proprietários de terra. Sua participação é indiscutível na formação da indústria pesqueira no litoral, na construção das estradas de ferro no sul e norte do Estado, na indústria metal mecânica, na tecelagem e em serviços. É importante destacar o crescimento da presença de alunos negros nas universidades públicas, via sistema de cotas, e nas privadas, via Prouni. Com isso, espera-se uma maior participação nos setores de serviços (inovação tecnológica, profissionais liberais, autônomos e empreendedores)." Nogueira destaca que também há grandes nomes na literatura e nas artes em geral. "O poeta Crus e Sousa, referência universal no simbolismo; e Luiz Delfino, poeta influenciado pelo romantismo e parnasianismo. No início do século 20, tivemos outros poetas e escritores, como João Rosa Junior, Trajano Margarida e Ildefonso da Silva. As mulheres também se destacaram, tanto na arte como na política: Valda Costa, nascida em Florianópolis, em 1951, produziu em torno de 800 obras entre telas e esculturas. Na política, Antonieta de Barros, educadora, poetisa e jornalista, que nasceu em 1901 e se elegeu deputada com 35.484 votos, em 1935, fazendo parte do processo constituinte do mesmo ano."

Para o sociólogo, a proposta do Ile é fundamental não só por quebrar mitos e desmistificar a visão de região europeia, mas, sobretudo, por ajudar o Brasil e a região a se reencontrarem com a sua realidade multicultural, plurietnica e multirracial. "Mesmo por que a região Sul é formada por 20,09% de negros que, em números absolutos, corresponde a quase um terço da população nos três Estados", ressalta.

Para o presidente do Instituto Énrea, o historiador Fabio Garcia, o destaque do Ilê irá contribuir para as reinvindicações das demandas da população negra na região Sul. "Esta ação irá desmitificar a ideia que há uma Europa no sul do Brasil. Isso poderá ter consequências diretas na aplicação de políticas públicas que visam a diminuição das discrepâncias sociais e econômicas entre brancos e negros."

USO DE MEDICAMENTOS CAROS, JUSTIÇA EM DEFESA DO POVO: Gasto com remédios obtidos por liminar cresce 1.600% em 4 anos

De 2006 a 2010, o gasto do Ministério da Saúde (MS) com remédios via demanda judicial cresceu 1.611%. Saiu de R$ 7,7 milhões para R$ 132 milhões. No Paraná, o panorama é parecido: dos R$ 61 milhões usados para adquirir medicamentos, 58% ou R$ 35,7 milhões foram comprados por ordem de um juiz. Conhecido por “judicialização da saúde”, o fenômeno reflete o acesso da população à Justiça e a burocracia para o Sistema Único de Saúde (SUS) incluir medicamentos na lista de fornecimento gratuito. Preocupada com o aumento dos gastos, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.401, estabelecendo novas diretrizes para a avaliação e a oferta de novos tratamentos pelo SUS. Embora seja analisado pelo lado da economia e da gestão pública, a judicialização envolve o fator humano: via de regra, os remédios representam vida ou morte de uma pessoa. Por essa razão, os juízes tendem a decidir de forma favorável aos pacientes.

Conforme o Conselho Nacio­­nal de Justiça (CNJ), até junho de 2011, existiam 240.980 processos por remédios nos tribunais do país. A esperança do governo é tornar a lei um marco nas demandas de medicamentos via judicial. “O Judiciário passa a ter parâmetros para melhor avaliar ações judiciais pela população contra o Minis­­tério da Saúde e as Secretarias de Saúde”, informou o ministério, via e-mail. A nova legislação entra em vigor a partir do mês que vem.

A movimentação do governo federal, aliada à criação de comitês para avaliação de novas tecnologias, pretende regular os gastos desenfreados com novos tratamentos. As áreas mais afetadas são as terapias contra o câncer e a busca por remédios para tratar doenças genéticas. “Há uma incorporação grande de novos medicamentos, produzidos com tecnologias diferenciadas e de alto custo. O processo de avaliação precisa ser dinâmico”, explica a farmacêutica Lore La­mb, integrante do Depar­­tamento de Assistência Farma­­cêutica da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

O presidente da Comissão de Direito à Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil, Silvio Felipe Guidi, lembra que, mesmo com a criação da lei, qualquer cidadão ainda vai ter o direito de procurar o Judiciário. “Saúde é um direito fundamental do cidadão e um dever do estado”, diz.

Ações

Além da lei, o governo federal diz estar investindo mais em medicamentos. De acordo com o Minis­­tério da Saúde, o gasto em 2010 foi de R$ 6,4 bilhões – 12,5% do orçamento – em 560 tipos de medicamento. Em 2003, o R$ 1,9 bilhão investido equivalia a 5,8% do orçamento. Outra medida foi a criação do Fórum Nacional do Judiciário para Moni­­toramento e Resolução das De­­mandas de Assistência à Saú­­de. Instalado em parceria com o CNJ, o projeto busca medidas de aperfeiçoamento de procedimentos e prevenção de conflitos na saúde, sobretudo o fornecimento de remédios e serviços.

Médicos sofrem pressão de laboratórios e pacientes

Os médicos sofrem pressão tanto de pacientes quanto de laboratórios para receitar medicamentos de alto custo que não constam na lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Alguns remédios nem sequer chegaram ao país e, por consequência, não foram analisados pelo Ministério da Saúde. “Os laboratórios não trabalham por benevolência. O mercado para medicamentos de custo elevado são os planos de saúde ou a pressão sobre o SUS, por meio dos próprios médicos”, diz a farmacêutica Lore Lamb, da Secretaria de Estado da Saúde.

Além do lobby farmacêutico, o médico precisa suportar o desejo de pacientes e familiares. Uma vítima de doença grave tem a intenção de ser tratada pelo que há de mais novo. “Os profissionais são pressionados porque os pacientes também querem acesso às últimas tecnologias”, afirma.

Seis meses

A Lei 12.401, além de estabelecer os critérios de eficácia, segurança e custo-efetividade para a inclusão de medicamentos, dá prazo máximo de 180 dias para a conclusão das análises do Ministério da Saúde. O presidente da Comissão de Direito à Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Silvio Felipe Guidi, vê com receio a definição de um prazo único. “Há estudos que vão demorar menos de 180 dias e vão cair na falta de celeridade do Estado. Outros medicamentos vão precisar de prazo mais extenso”, diz. (GP)

Tragédia em SC: Enchente tira 280 mil de casa em Blumenau e no Vale do Itajaí

Os moradores de Blumenau – a cidade mais afetada pela chuvas em Santa Catarina – passaram a sexta-feira contando centímetros, à espera de que o Rio Itajaí-açu baixasse o suficiente para que os serviços básicos pudessem ser restabelecidos. Com 22% da cidade sem energia elétrica e 70% sem abastecimento de água, as medições da água serviam como parâmetro para saber quando Blumenau e a região do Vale do Itajaí voltarão à normalidade. Cerca de 280 mil pessoas deixaram suas casas preventivamente desde quinta-feira.

As perspectivas eram positivas na tarde de ontem. Pelos boletins divulgados pelo Centro de Operação do Sistema de Alerta (Ceops), o nível do rio baixava cerca de quatro centímetros por hora. O céu, que permanecia carregado desde o início do dia, foi abrindo aos poucos e, ao final da tarde, o sol surgiu pela primeira vez em quatro dias. Com isso, as equipes da Companhia de Energia Elétrica de Santa Catarina (Celesc) fariam avaliações na noite de ontem, verificando em quais bairros seria possível religar a luz com segurança.

O serviço de alerta minimizou o potencial de perdas materiais, avaliaram policiais militares que patrulhavam os bairros mais afetados. A maioria dos moradores relatou ter conseguido salvar a seus pertences antes que a água avançasse sobre as residências.

Arno Schwartz, de 51 anos, comerciante no Bairro Fortaleza, colocou todos os seus pertences em um caminhão-baú e o estacionou em um barranco assim que viu a água começar a invadir a Rua Francisco Vahldieck, onde mora e trabalha. Após passar a noite de quinta-feira na casa de parentes, ele retornou ao local no final da tarde de ontem para verificar a situação do imóvel. “Quem mora aqui está acostumado”, disse ele, morador do bairro desde 1975 e veterano de oito enchentes.

Ainda assim, o clima é de tensão no município. A maior parte do comércio está fechada, e o trânsito na cidade foi reconfigurado de acordo com a localização das ruas alagadas. Sentidos de via foram invertidos ou eliminados, semáforos não funcionam e vários acessos foram fechados. Mesmo motoristas experientes da cidade têm dificuldade em ir de um bairro a outro. De bicicleta, um morador do For­­taleza perguntava a um policial onde era possível comprar pão. Dois quilômetros adiante, informou o policial, havia uma venda que ainda usava forno à lenha.

O prefeito João Paulo Kleinuling estima que a limpeza das ruas atingidas pelas enchentes deve custar R$ 45 milhões.

Óbitos

A morte de duas pessoas foi confirmada ontem. A primeira, segundo a Defesa Civil estadual, foi de Valdemiro Carminatti, 66 anos. Ele estava reparando telhas em sua casa, na cidade de Guabiruba, na quinta-feira, quando o telhado de­­sabou. A outra ocorreu em Rio do Sul, ontem. Dois adolescentes usavam uma canoa em uma rua alagada quando um deles en­­costou o remo na fiação elétrica e morreu eletrocutado. Ontem, o número de pessoas afetadas pelo mau tempo subiu para 819 mil em 86 municípios. Ao todo, 32 prefeituras decretaram emergência e duas, estado de calamidade pública.

Paraná tem 350 desabrigados pelo mau tempo

A chuva também causou estragos no Paraná. Segundo a Coor­­denadoria da Defesa Civil estadual, as cidades de General Carneiro, Foz do Iguaçu (ambas na Região Oeste), Francisco Beltrão (Su­­doeste), Palmas e União da Vitória (ambas no Sul) registraram problemas com a precipitação.

A mais atingida foi União da Vitória, onde 250 pessoas estão desabrigadas por causa da cheia do Rio Iguaçu. Os moradores foram retirados de suas casas e levados pela prefeitura para um parque de exposições. Na cidade, 500 pessoas sofreram os efeitos da chuva.

O coordenador da Defesa Civil do município, Vitor Paulo Stern, disse que, apesar dos alagamentos, a situação estava sob controle. “As famílias atingidas vivem em áreas ribeirinhas. O rio está em um nível que estamos acostumados a lidar,” disse.

Em Francisco Beltrão, três bairros ficaram alagados. Aproxi­madamente 400 pessoas ficaram desalojadas e 50 desabrigadas. Em General Carneiro, havia 40 casas danificadas, 50 pessoas desalojadas e 130 pessoas de algum modo afetadas. Em Palmas, 20 pessoas ficaram desalojadas e seis casas foram danificadas. Em Foz, dez casas foram afetadas por um vendaval. (GP)

 
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