quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Richa destaca maior contratação de professores da história do Estado

O governador Beto Richa confirmou nesta segunda-feira (18/02) a realização de concurso público para a contratação de 13.771 novos professores e pedagogos para a rede estadual de educação. O edital está disponível para consulta no site www.pucpr.br/concursos. 

Richa destacou que nos últimos dois anos já foram contratados 17.261 profissionais concursados para o magistério para a rede de ensino. “Com o novo concurso teremos mais de 30 mil novos professores e pedagogos no quadro próprio do Estado. É uma das maiores contratações da história do Paraná na área de ensino”, afirmou o governador.

O lançamento oficial do concurso foi feito durante a inauguração do Colégio Estadual Tarsila do Amaral, em São José dos Pinhais, onde o governador inaugurou o novo espaço físico da escola. “Não temos medido esforços para melhoria na educação. Essas contratações extrapolam o que planejamos em nosso plano de governo", afirmou o governador.

O concurso prevê cargos de nível superior, para 20 horas semanais de trabalho. As novas vagas atenderão escolas da rede estadual nos 32 Núcleos Regionais de Educação, conforme demanda de cada uma. "Nunca nos afastamos do compromisso pelo ensino de excelência, pois educação é prioridade absoluta em nosso governo", garantiu Richa.

"Esses profissionais vão atender todo o Estado e todas as disciplinas da matriz curricular. Praticamente completaremos o quadro próprio da educação", destacou o vice-governador e secretário da Educação, Flávio Arns. Segundo ele, os contratados também chegam para ampliar o contraturno escolar. "Teremos contraturno em mais de 25% das escolas estaduais", afirmou.

CONCURSO – O edital do concurso ficará disponível a partir desta segunda-feira. Das 13.711 vagas, 10% são para afrodescendentes e 5% para pessoas com deficiência. A taxa de inscrição é de R$ 60,00. As inscrições podem ser feitas no período de 25 de fevereiro a 8 de abril.

A prova objetiva será em 19 de maio com questões de conhecimentos gerais, fundamentos da educação e específica. Os candidatos também terão prova de redação e de didática, além da prova de títulos. A validade do concurso é de um ano após a publicação do resultado com possibilidade de prorrogação por mais um ano. 

COLÉGIO - Beto Richa inaugurou as novas instalações do Colégio Estadual Tarsila do Amaral, em São José dos Pinhais. A obra estava paralisada desde 2006 e foi retomada no início da nova gestão. O Estado investiu cerca de R$ 3,4 milhões no novo prédio, que tem capacidade para atender 700 estudantes dos ensinos fundamental e médio.

"Este colégio é um exemplo de que é possível termos escolas públicas de qualidade. Estamos adotando está tônica em todas as escolas da rede estadual de ensino, bem como os investimentos para a capacitação e valorização dos professores", ressaltou Richa.

O governador informou que estão sendo executadas 1.800 obras de reestruturação e melhorias em escolas estaduais por todo o Paraná. São 38 novas escolas em obras, com a previsão de entrega ainda este ano. Outras 82 escolas já tem projetos em licitação ou elaboração.

ESTRUTURAÇÃO - O novo programa de descentralização de recursos da Secretaria de Estado da Educação está acelerando a reforma de escolas e gerando empregos em todo o Paraná. Em 2013, serão beneficiadas 500 escolas e colégios da rede estadual com repasses de até R$ 150 mil para reformas em cada estabelecimento. Em 2012 foram contempladas 173 escolas.

Além de dar mais autonomia para as escolas resolverem seus problemas, o programa de descentralização se soma a outras formas de investimentos em obras usadas pela Secretaria para construção de novas escolas, reformas, ampliações e outros.

“Iniciamos o ano letivo com muitos avanços. Novas escolas, melhoria na infraestrutura de colégios, profissionais suficientes para atender todos os alunos, merenda e transporte escolar garantidos, tudo isto é um sinal de valorização à comunidade escolar”, lembrou o secretário Flávio Arns.

A diretora do Colégio Estadual Tarsila do Amaral, Chayane Callegalim Rocha, afirmou que antes da reforma os alunos dividiam espaço com uma escola municipal. “Tínhamos apenas seis salas, não havia biblioteca e nem laboratórios. Hoje, temos condições de ofertar um bom espaço para nossos alunos", ressaltou a diretora do colégio.

O colégio atendia, em média, 200 alunos. Neste início de ano letivo, já foram matriculados cerca de 460 alunos. O novo prédio da escola tem 3.182 metros quadrados, com 20 salas de aula, biblioteca, laboratórios de química, física, biologia e de informática, pátio, quadra poliesportiva coberta, salas administrativas, cozinha, refeitório, banheiros, elevador para deficientes e rampas de acessibilidade.

"Em questão de ensino sempre foi bom, mas não tinha espaço para praticarmos atividades. A estrutura era bem precária. Aqui teremos acesso a internet, jogos e laboratórios", comemorou Matheus Manuel Pacheco (15), aluno do primeiro ano do ensino fundamental.

Agricultor familiar tem só até dia 28 para renegociar dívidas

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, alerta os agricultores paranaenses sobre a última chamada para renegociação de suas pendências junto aos bancos. Resolução do Banco Central, em vigor há pouco mais de um ano, permite a composição de dívidas e a renegociação das operações de crédito rural, no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com redução de juros e ampliação do prazo de pagamento. 

O prazo para aderir a essa renegociação vence na quinta-feira (28) da próxima semana. O agricultor tem que ir à agência do Banco do Brasil ou do agente financeiro onde possui o financiamento, para manifestar a adesão. Depois dessa formalização, o prazo para a composição dos débitos vai até 28 de junho, período em que o agricultor tem que fazer um pagamento mínimo de 3% do saldo devedor já recalculado. 

“Sem a adesão não será possível convalidar a renegociação dos débitos e ter acesso aos benefícios da redução dos juros e dilação dos prazos”, explicou o secretário. 

“No Paraná, cerca de 2 mil produtores já fizeram a adesão. Restam ainda cerca de 3 mil pequenos produtores que possuem o direito de composição, mas que ainda não fizeram a adesão”, informou o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni. 

Estima-se que as dívidas do Pronaf e Proger Rural, que podem ser compostas, somem R$ 48 milhões. Desse total, até a semana passada, cerca de R$ 15 milhões haviam tido manifestação dos agricultores junto ao Banco do Brasil. 

Para o secretário Ortigara, essas medidas ajudam, a médio e longo prazo, os agricultores familiares na recuperação de suas unidades produtivas. “É importante a análise e o acompanhamento técnico antes da tomada de decisão, para a realização de planejamento adequado da unidade de produção”, orientou. 

REGRAS – A resolução do Bacen 4028 de 18 de novembro de 2011 permite a composição de todas as dívidas oriundas do Pronaf, dos antigos grupos C, D e E e do Proger Rural Familiar. O valor de composição que pode ser renegociado é de até R$ 30 mil. 

Na renegociação, as taxas de juros dos financiamentos do Pronaf que variavam de 2% a 5% ao ano, caem para 2% ao ano e o prazo para reembolso é de até 10 anos, com vencimento da primeira prestação até 30 de dezembro de 2013. “As garantias são as usuais do crédito rural, a serem negociadas com os agentes financeiros caso a caso”, explicou Simioni.

Dois médicos farão auditoria na UTI do Evangélico


Momento da prisão da médica

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nesta quarta-feira (20) os nomes dos dois médicos observadores que vão fazer o acompanhamento do trabalho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico. Luiz Carlos Sobania e Maurício Marcondes serão os responsáveis por fazer uma espécie de auditoria nos trabalhos do setor de UTI do hospital.
Segundo a secretaria, Sobania foi indicado pelo órgão municipal e Marcondes pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). O órgão, por meio da assessoria de imprensa, disse que os dois serão “os olhos” da secretaria dentro do hospital.
Sobania atualmente atua como ortopedista. Já teve funções como diretor do Hospital de Clínicas na década de 90 e também foi secretário de estado.
Maurício Marcondes é o atual diretor do Centro Médico Comunitário Bairro Novo. Segundo informações do CRM, o médico se formou na Faculdade Evangélica de Medicina, em 1987, e se especializou em pediatria e terapia intensiva. Fez mestrado pelo Instituto de Pesquisas Médicas (IPEM) e também já exerceu a profissão de professor universitário.
Investigações
A auditoria no hospital é motivada pela investigação feita pelos policiais civis do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa). Nesta terça-feira (19), agentes realizaram uma operação que resultou na prisão temporária da médica responsável pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital e na apreensão de documentos.
Nenhum órgão oficial confirmou as suspeitas que recaem sobre Virgínia Soares de Souza, apenas foi relatado que a investigação ocorre sob sigilo de justiça. A titular do Nucrisa, Paula Brisola, diz que a apuração ocorre há um ano com base em denúncias dos próprios funcionários da entidade.
Durante a tarde desta quarta-feira (20), uma entrevista coletiva está marcada com a presença da titular do Nucrisa, Paula Brisola, e com o responsável pelas delegacias especializadas, Marco Antonio Lagana. A Polícia Civil não adiantou o que será divulgado na entrevista.

Ameaça ao patrimônio histórico: Uma cidade sem passado e sem lei


Durante 20 anos, um dos elogios mais comuns feitos a Curitiba se dirigia à sua política de patrimônio histórico. Chamavam-na de “moderna”, um “modelo”. Embora não tivesse o peso de lei, mas de um reles decreto, o que parecia um defeito jurídico resultou num fenômeno. No lugar dos rigores do tombamento, o projeto municipal oferecia os préstimos de uma equipe da prefeitura, que acompanhava os proprietários de imóveis antigos nos restauros.
Em vez de proibi-los de mexer numa tramela de porta, os técnicos ofereciam bulas sobre como usar e preservar uma casa centenária. Ao mesmo tempo, premiavam os proprietários com descontos no IPTU e alcançavam resultados inimagináveis em se tratando de um assunto que mexe com o juízo dos herdeiros de um casario.
Alerta
Apesar de “descolada”, política do “cuidar sem tombar” cada vez se mostra menos eficiente.
A lei
A Justiça não entende as unidades de interesse de preservação (Uips) como um tombamento. As defesas têm se escorado no artigo 30, IX, da Constituição, que diz ser competência do município a proteção do patrimônio histórico e cultural “observando a legislação estadual e federal”. “A política curitibana é exótica demais”, diz o advogado Francisco Zardo. Nessas condições, inclusive, a prefeitura não pode nem fazer tombamento compulsório, recurso muito usado em casos extremos.
Os marcos
O “fim anunciado” das Uips teve início em 2006, quando a Construtora Sion ganhou na Justiça o direito de demolir uma casa modernista na Rua Gutemberg. O imóvel era unidade cadastrada. Em 2010, outra vitória – autorização para demolir mansão do engenheiro Mário de Mari, na Avenida Nossa Senhora da Luz, 9.170. Proprietário recuou. Ano passado, Hospital Santa Cruz foi liberado para demolir casas geminadas na Avenida do Batel, 1.859 e 1.969. Há dois novos pedidos em andamento.
A lista
O cadastramento de unidades de interesse é bastante completo. Difícil encontrar um imóvel antigo que não esteja listado. Mas os proprietários se mostram cada vez menos receptíveis. Exemplos de Uips desabando não faltam – a exemplo da casa da Rua Comendador Roseira, 440, ou a antiga Casa de Portugal, na Rua Paula Gomes, 325, hoje um mocó no bairro São Francisco.
Ausências
Acusada de muito extensa, a lista de casas cadastradas pela prefeitura, com perto de 600 imóveis, tem apenas meia dúzia de residências de madeira. Trata-se de uma arquitetura típica ameaçada, a exemplo do conjunto do bairro Umbará. O novo presidente do Ippuc, Sérgio Póvoa Pires, afirma que a lista pode ser aumentada, incluindo, por exemplo, casas populares, como as mais preservadas da Vida Nossa Senhora da Luz, primeira Cohab do Paraná.
Linha do tempo
1964: Prefeitura de Curitiba engatinha no que seria sua política de patrimônio, prevendo pela primeira vez recursos para o setor. Patrimônio, contudo, é pensado como arquitetura – a preservação é de prédios – e não como nichos históricos.
1979 - 1983: O decreto municipal 1547/1979 propõe tombamento de 586 imóveis. À lista se somaram outros 200 imóveis. Trabalho é encabeçado por Rafael Greca de Macedo, então do corpo técnico da prefeitura. Levantamento é considerado irregular, sendo revogado por escritório do advogado René Dotti, depois de campanha movida pelo empresário Cândido Gomes Chagas, o Candinho, dono da revista Paraná em Páginas. Do imbróglio resulta início da política de potencial construtivo e maior vigilância do Ippuc na preservação de casario. É feita a demarcação do Centro Histórico.
1991: Prefeitura retoma projeto de preservação e formata programa das unidades de interesse de preservação, as Uips, gerida por equipe própria no Ippuc. Técnicos da casa fazem corpo a corpo com proprietários, orientando restauros e desenvolvendo projetos, como os que articularam parte dos imóveis antigos com novas construções no mesmo terreno.
1993: Criação das Unidades Especiais de Interesse de Preservação, as Uieps, com a intenção de concentrar transferência de dinheiro para imóveis de grande porte, necessitados de restauro, a exemplo da Catedral Metropolitana e Sociedade Garibaldi.
A partir de 2000: Cresce movimento para inclusão de casas modernistas na lista das Uips. Mas tendência da prefeitura passa a ser não incluir mais nomes, fazendo recomendações aos proprietários. Temor leva à perda de vários imóveis, como uma casa assinada por Brakte, no Alto da XV, e outra de Elgson Ribeiro, no São Francisco.
2006: Processo presidido pelo desembargador José Antônio Vidal Coelho, do Tribunal de Justiça, dá à Construtora Sion o direito de demolir casa modernista na Rua Gutemberg, 477. Casa era unidade de interesse de preservação (Uip).
2010: Processo presidido pelo juiz Abraham Lincoln Calixto, da Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, autoriza a demolição de casa modernista do engenheiro Mário de Mari, a pedido do próprio De Mari, na Avenida Nossa Senhora da Luz, 9.170. Casa era unidade de interesse de preservação (Uip).
*** Decreto 689, da prefeitura, vulgariza uso do recurso de potencial construtivo, criado nos anos 1990 para beneficiar proprietários de imóveis cadastrados.
2012: Processo presidido pelo desembargador Luiz Mateus de Lima dá ganho de causa ao Hospital Santa Cruz, liberando alvará de demolição às casas de número 1859 e 1869 na Avenida do Batel. Ambas eram unidades de interesse de preservação (Uips).
2014: Revisão obrigatória do Plano Diretor da cidade deve contemplar a preservação do patrimônio histórico, no mesmo pacote em que discutirá mobilidade, por exemplo,
Fonte: Gazeta do Povo, Prefeitura Municipal, Jeferson Navolar.
O resultado veio a galope. Em vez de tombar não mais do que uma dúzia de prédios essenciais à memória da cidade, a política curitibana conseguiu salvar quadras e ruas inteiras. Para que se tenha uma ideia, a prefeitura chegou a monitorar 900 imóveis históricos em Curitiba. O Patrimônio do Estado, no Paraná inteiro, preserva perto de 200.
Mas as glórias curitibanas na salvaguarda do passado estão a perigo. Nos últimos quatro anos, a política um dia capaz de arrancar confetes das mãos de especialistas se tornou alvo de críticas impiedosas. A mais comum diz que um decreto, por melhor que seja, não tem poder para salvar imóvel algum. “O Judiciário não tem piedade”, lamenta o advogado Carlos Marés, conhecedor de leis de tombamento.
Jurisprudência
De 2011 para cá, a prefeitura perdeu na Justiça três pedidos de demolição de Uips, como são chamadas as “unidades de interesse de preservação” da capital. Dois foram praticados – um na Rua Gutemberg, 477; outro na Avenida do Batel, 1.938. Há jurisprudência. Outros donos de imóvel cadastrado agora podem fazer o mesmo. E o farão, a depender do grau de insatisfação com as limitações a eles impostas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) no uso dos imóveis. A depender desse efeito dominó, o que sobrou de conjuntos como os da Avenida Batel e da Rua Bispo Dom José podem estar com os dias contados. Há dois pedidos de demolição de Uips nessas vias. “Foi inovador para a época, mas a corrida imobiliária mudou tudo”, constata Rosina Parchen, diretora do Patrimônio do Estado.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, as derrotas no Judiciário são um sinal evidente de que a era das Uips acabou e que, por ironia, só uma lei de tombamento poderá salvá-las. Falam em urgência. O número de unidades preservadas é uma incógnita. Já foram 900, mas hoje o site da prefeitura aponta que são 619. A lista, diz-se, teria excrecências – casas que não mereceriam ser Uips. Mas o maior defeito do levantamento é não vir acompanhado de um inventário capaz de justificar a importância desse ou daquele imóvel, o que teria deixado uma brecha para os demolidores, já hábeis em colocar uma banana de dinamite no decreto municipal.
Desvirtuamento
Difícil não culpar a prefeitura pelo atual estado das coisas. Em uma década, pouco a pouco o setor de Patrimônio do Ippuc foi sendo desmantelado, a ponto de perder a expressão. Especialistas em patrimônio, concursados na prefeitura, não tiveram seus pareceres reconhecidos, o que poderia impedir a demolição de imóveis como o Hospital Bom Retiro e a fábrica da Matte Leão, entre outros, numa flagrante derrota da memória.
A pá de cal que faltava veio em 2010 com o Decreto 689, que permitiu usar a “transferência de potencial construtivo” para construir creches e preparar a Arena do Clube Atlético Paranaense para a Copa de 2014. Originalmente, o “potencial construtivo” foi adotado como fonte de receita para restaurar imóveis cadastrados. O recurso é simples – o dono de uma casa histórica com um ou dois pisos, mas em cujo terreno seria possível erguer um prédio de 12 andares, vende os metros quadrados a que teria direito para uma empreiteira interessada em construir mais do que o permitido, em outro zoneamento da capital. Elas por elas, o dinheiro ganho com a venda era usado no restauro e preservação.
Ao vulgarizar esse recurso, a prefeitura inflacionou o mercado. Pior: o poder público se tornou concorrente dos donos de Uips. Um concorrente desleal – é muito mais fácil comprar da prefeitura. “Começou a se falar mais do lucro com a venda de potencial do que em patrimônio. A casa que tem mais valor histórico para a cidade é que tem mais potencial construtivo”, ironiza o arquiteto Jeferson Dantas Navolar, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU).
A venda de potencial é hoje moeda para todo e qualquer projeto urbanístico. Menos para salvar quem mais precisa. Sem lei de tombamento, Curitiba adotou a lei da selva.
Eles dizem...
Lei de tombamento, já? O que dizem cinco entrevistados pela Gazeta do Povo
Sim
Rosina Parchen, diretora do Patrimônio do Estado
Ela defende que a política das unidades de interesse de preservação, as Uips, seja entendida como um pré-tombamento, com classificação de etnia, sistema construtivo e beleza, entre outros. “Do jeito que está não tem força para garantir a integridade das casas. Uma ação judicial as derruba”, alerta, lembrando que o alto valor alcançado pelos terrenos desestimula os proprietários a lutarem pelos edifícios históricos.
Carlos Frederico Marés, advogado
“Curitiba está atrasada. Tem de criar uma lei de tombamento, já”, afirma Marés, autor do livro Bens culturais e proteção jurídica. Para ele, ao tentar preservar sem tombar, a prefeitura fez uma escolha genérica e falsamente moderna, favorável à especulação imobiliária. “Há recursos avançados de tombamento, nem sempre tão rígidos como se diz, e são protetivos, ao contrário de um decreto”.
Francisco Zardo, advogado
Zardo acompanhou os três casos de liberação na Justiça de demolição de Uips. Para ele, a atual política de preservação tem perdido na Justiça ao não apresentar estudos técnicos que justifiquem por que um imóvel deve ser mantido em pé. “Além do mais, as práticas municipais são ‘estranhas’ se comparadas às leis estaduais e federais, e nas quais deveria se pautar para ser reconhecida.”
Não
Sérgio Póvoa Pires, presidente do Ippuc
Do alto de quem ajudou a consolidar a atual política de patrimônio histórico, na década de 1980, Pires permanece acreditando na inovação do projeto. “Curitiba exporta tendências. As unidades de interesse de preservação [Uips] são inovadoras, podem inspirar outras cidades”, afirma. Sua promessa, restaurar a importância do setor do patrimônio no Ippuc, enfrentar o Judiciário e manter o corpo a corpo com os proprietários. “É possível”.
Henry Milleo/Gazeta do Povo
Em termos
Jeferson Dantas Navolar, presidente da CAU
Para o arquiteto – autor do livro A arquitetura resultante da preservação do patrimônio edificado em Curitiba , o sistema das Uips, tal como foi criado, funcionaria se fosse uma política de estado. “Mas virou negócio, trazendo à tona sua fragilidade jurídica e histórica”, lamenta. Ele se refere à comercialização maciça de potencial construtivo e ao fato de que a lista de Uips não tem justificativas rígidas e claras. “Quantas Uips temos? Virou um mistério”, diz. (GP)

Ex-ministro Lupi, mesmo exonerado do cargo, reaparece em reunião do conselho do BNDES

O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, exonerado pela presidente Dilma Rousseff no fim de 2011 após denúncias de irregularidades, participou na terça-feira (19) da reunião trimestral do Conselho de Administração do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Sob a tutela do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), presidente do conselho, Lupi permanece na vaga destinada ao membro indicado pelo Ministério do Trabalho.

Em janeiro deste ano Lupi, atual presidente nacional do PDT, permanecia no cargo mesmo após sua exoneração. Com isso, ele ganha R$ 6.000 por mês.

Em nota, o ministério disse que a substituição de Lupi será feita "oportunamente".

Em seu lugar foi indicado há um mês o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT-AL). Lupi não foi localizado ontem para comentar. (Uol)

A história secreta da renúncia de Bento XVI



Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos , articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.





Eduardo Febbro

Paris - Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba.
 
Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igreja havia caído: corrupção, finanças obscuras, guerras fratricidas pelo poder, roubo massivo de documentos secretos, luta entre facções, lavagem de dinheiro. 


O Vaticano era um ninho de hienas enlouquecidas, um pugilato sem limites nem moral alguma onde a cúria faminta de poder fomentava delações, traições, artimanhas e operações de inteligência para manter suas prerrogativas e privilégios a frente das instituições religiosas. Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. 


Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno. 


O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. 


Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada de claro na cúpula da igreja católica. 


A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar. 


Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. 
Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo. 

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual. 


Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano.


As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época. 


João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. 


No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus. 


Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. 


Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas. 


Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa. 

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. 


A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema. 


Tradução: Katarina Peixoto

 
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