quarta-feira, 16 de março de 2011

Derretimento do gelo no Ártico evidencia problemas climáticos


O Ártico não é uma região isolada das demais, mas um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos. As mudanças que lá ocorrem afetam o clima de todo o planeta, dizem especialistas.

Os exploradores russos Daniel Gavrilov e Elena Soloveva estão orgulhosos do recorde mundial alcançado por eles e outros navegadores a bordo do barco Peter 1º em 2010. Pela primeira vez, uma embarcação conseguiu numa só temporada cruzar, sem a ajuda de quebra-gelos, tanto a Passagem do Nordeste quanto a do Noroeste.

"Tivemos sorte", diz Soloveva. "O estado da cobertura de gelo tornou isso possível", completa. Hoje está claro para ela que o recorde só foi possível devido ao rápido aquecimento do clima no Ártico. "O gelo está derretendo na parte superior. O clima está mesmo mudando", diz Soloveva.

O norueguês Borge Ousland, que circunavegou o Polo Norte na mesma época que Gavrilov e Soloveva, faz a mesma observação. Há mais de 20 anos ele participa de expedições pelo Ártico. "Na minha primeira expedição no Polo Norte, em 1990, o gelo tinha de 3 a 4 metros de espessura e havia se formado havia muitos anos", lembra o explorador, um especialista na região.

"Isso mudou consideravelmente nos últimos anos", diz. Em 2007, Ousland examinou o gelo local numa expedição patrocinada pelo Instituto Polar Norueguês. "A espessura era de apenas 1,5 a 2 metros", completa.

Com a sua circunavegação do Polo Norte, Ousland quis chamar a atenção para as mudanças climáticas na região. Para ele, números e resultados são muito abstratos para o cidadão comum, por isso sua ideia era expor visualmente o que acontece com as geleiras e como isso influi no clima global.

O barco Peter 1º em 2010, durante a circunavegação do Polo Norte

"O gelo flutuante funciona como um escudo. A superfície branca reflete a energia solar de volta para o espaço. Se o gelo derrete, a superfície escura da água absorve essa energia, o que eleva as temperaturas da água e do ar não apenas no Ártico, mas em todo o planeta."

Ponto crítico no extremo norte

Segundo os pesquisadores, os bancos de gelo no mar, ou banquisas, são um dos diversos fatores que podem desestabilizar o clima da Terra. O Ártico não deve ser visto como uma região isolada, afirma o biólogo marinho espanhol Carlos Duarte, especialista em questões relacionadas à região. Segundo ele, o Ártico deve ser acima de tudo visto como um ponto central, onde se encontram três continentes e dois oceanos.

"Por isso, as mudanças que ocorrerem ali trarão efeitos para todo o sistema da Terra", explica Duarte, um dos coordenadores do projeto Arctic Tipping Points, financiado pela União Europeia.

"O Ártico controla em grandes proporções as mais importantes correntes marítimas da Terra; o gelo derretido modifica a temperatura e o nível de salinidade do mar; as geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar; e no Ártico são também armazenadas quantidades enormes de gases estufa, como o metano, de relevância global", completa o especialista.

Bomba-relógio sob o gelo

Duarte e sua equipe de pesquisadores calculam que em menos de dez anos o Ártico não terá mais gelo no verão, sendo que esse tipo de evolução poderá desencadear outros processos, já hoje apontados como sinais de alarme.

Os russos do Peter 1º fazem manobras no gelo do Polo Norte

O gelo continental na Groenlândia derreteu de maneira recorde, apontam os resultados de pesquisas do ano de 2010. Caso não haja uma redução radical da emissão de CO2 até o ano de 2020, poderão derreter até 60% do permafrost (solo formado por terra, rochas e gelo que permanece congelado em toda a faixa do Ártico). Isso provocaria a liberação de grandes quantidades de CO2 e metano, aquecendo ainda mais a Terra.

Duarte mostra-se especialmente preocupado com o risco de que um aumento da temperatura da água possa, de súbito, liberar grandes quantidades de metano congeladas no solo marinho sob o Ártico. "Se isso acontecesse, poderia ser liberada, em poucos anos, uma quantidade de gases poluentes cinco vezes maior do que a liberada nos últimos 150 anos", explica.

Incêndios nas turfas

Outro fator que ainda não pôde ser considerado pelo Conselho Global do Clima é o ressecamento das superfícies de turfas no extremo norte do globo. Duarte vê os incêndios nas turfas da Rússia, em meados do último ano, como um sinal de alerta de que também lá podem estar sendo atingidos pontos críticos.

Equipe da embarcação russa

Incêndios que se alastraram por grandes superfícies em regiões desertas da Rússia e do Canadá só puderam ser debelados com dificuldade, tendo liberado também mais gases estufa. Há alguns anos, Vladimir Putin afirmou que a Rússia poderia ainda suportar um pouco mais de aquecimento, lembra o especialista espanhol. Hoje, até mesmo as lideranças do país reconhecem que as mudanças climáticas trazem mais riscos do que se supunha.

Ação política mais que necessária

Para Duarte, está passando da hora de agir politicamente, a fim de reduzir as emissões de CO2. Ele ressalta que as discussões sobre os primeiros passos rumo a uma economia global, que gere menos poluentes, começaram tarde demais. "Alguém tem que simplesmente fazer isso na esperança de que outros o sigam", completa.

O pesquisador alemão Dirk Notz, do Instituto Max Planck de Meteorologia, apela por uma ação política mais imediata: "Há 20 anos, os cientistas vêm dando um sinal claro de que são necessárias medidas firmes", aponta o especialista. "Voltamos quase ao mesmo ponto de 20 anos atrás. Quando se tem, como cidadão, interesse em manter nosso clima pelo menos como ele está hoje, é preciso que o setor político faça algo para, por exemplo, salvar o gelo no Ártico", completa Notz.

Geleiras da Groenlândia influenciam o nível do mar

O pesquisador, que passa boa parte de seu tempo no Ártico, vê as mudanças climáticas na região como um sinal de alerta para todo o planeta. No Ártico, diz ele, o abstrato conceito de "mudança climática" tornou-se visível.

"Ao observar como nessa região da Terra tão pouco povoada podem ser desencadeados conflitos geopolíticos devido às riquezas naturais ali estimadas, pode-se ter uma ideia do que poderia acontecer quando as mudanças climáticas chegarem a regiões onde vive realmente muita gente. E também do quanto essas mudanças poderão influenciar a vida das pessoas que ali vivem. Há dez anos, ninguém teria previsto uma evolução como essa

Alpinistas relatam mudanças climáticas


O alpinista Rodrigo Raineri, com 41 anos de idade e 20 anos de escaladas, venceu o Everest em 2008 e já liderou 11 expedições ao Aconcágua, a maior montanha das Américas, chegando ao cume seis vezes. Além de experiência, ele acumulou conhecimento sobre as montanhas cobertas de neve e pôde notar, na prática, as mudanças decorrentes do aquecimento global.

A pedido do Estado, ele e outros alpinistas brasileiros relatam as alterações mais perceptíveis e chocantes nos picos mundo afora. Raineri recorda primeiro das mudanças que observou na Bolívia, na região da montanha do Condoriri, onde ele ministrava cursos de escalada de gelo. "Havia um ponto em que terminava a trilha e a gente entrava no glaciar. Daí, a gente tinha de subir muito, havia paredes de 30 metros. Depois de 15 anos, o ponto de entrada no glaciar estava muito lá para frente, já havia retrocedido bastante, e essas paredes agora não existem mais, a gente não consegue dar a parte de escalada vertical nesse lugar, tem de ir para outro ponto."

Silverio Nery, de 54 anos, presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), também tem um caso para contar da Bolívia. "Eu frequentei Chacaltaya (um pico da Cordilheira dos Andes) por muitos anos. A gente subia de carro até certo ponto e, depois, ia de cabo até o alto. Mas já faz uns cinco anos, se não for mais tempo, que não tem neve suficiente para esquiar."

Raineri lembra também que em 1993, quando foi pela primeira vez ao Aconcágua, na Argentina, perto do acampamento base havia muitos "neveiros", pontos onde a neve se acumula durante o inverno e que, no verão, os alpinistas derretem para fazer água. "Hoje em dia os "neveiros" são raros e o glaciar retrocedeu muito", diz.

"Minha percepção, não sei se estou certo ou errado, é que os pontos que sofrem mais com o aquecimento são os que estão na transição de temperaturas abaixo de zero para acima de zero." Ele explica o raciocínio: "Quando o cume de uma montanha está sempre a uns 15°C abaixo de zero, se aumentar 2°C vai para -13 °C, continua com temperatura negativa. Porém, se o lugar sai de -1°C para 1°C, deixa de ter gelo e passa a ter água".

O médico e guia de montanha Manoel Morgado, de 54 anos, vai há 20 para o Nepal, no acampamento base do Everest, e já levou 45 grupos para lá. "Vou de duas a três vezes por ano, então vejo gradualmente as mudanças. Dá para notar retração de glaciar em todos os lugares em que passo", afirma.

No ano passado, ele esteve na montanha Huayna Potosí, na Bolívia. "Lá tinha uma marcação de um ano atrás e havia retração de 2 metros. Eu noto que, nas montanhas mais próximas do Equador, essa retração está sendo mais rápida."

Mais arriscado. Algumas escaladas têm ficado mais difíceis com as mudanças climáticas. Segundo Nery, na Cordilheira Branca, no Peru, todas as montanhas estão mais complicadas de escalar por causa do degelo. "Hoje em dia existe risco grande de queda de bloco de gelo. A escalada passou a ser muito mais arriscada", afirma.

A melhor época para subir algumas montanhas também mudou. Raineri analisou cuidadosamente as estatísticas das expedições anteriores, antes de tentar escalar a parte sul do Aconcágua com Vitor Negreti, em 2001. "As expedições que tiveram sucesso tinham ocorrido em fevereiro. Mas chegamos lá neste mês e o gelo tinha derretido. Escalamos dois terços da parede, porém muitos trechos que deveriam ser de escalada em gelo viraram escalada em rocha podre, que esfarela. Ficou bem mais complicado", diz.

A dupla resolveu voltar para casa, preparar-se mais e retornar para o Aconcágua em dezembro do mesmo ano. "Deu certo e conseguimos chegar ao cume no dia 2 de janeiro de 2002."

Lixo. Além de sofrer com o degelo, muitas montanhas têm ficado sujas com o aumento da visitação. "Estive nos campos 2 e 4 do Everest no ano passado e achei a situação deprimente. Vi muitas embalagens plásticas, de comida industrializada, cartuchos de gás de cozinha e até cilindros de oxigênio, que são caros e, mesmo vazios, valem bastante", conta Morgado. Para minimizar o estrago, em muitas montanhas agora há cobrança de multas de quem não traz de volta seu lixo. (AE)

Pensão vitalícia a ex-governador é inconstitucional


O pagamento de aposentadoria vitalícia para ex-governadores é inconstitucional, conforme entendimento da Advocacia-Geral da União (AGU). Na manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) ontem, a AGU afirma que o pagamento do subsídio a todos os ex-governadores de Sergipe viola os princípios da moralidade e da impessoalidade, além de violar outros artigos da Constituição.

"Os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade vedam a concessão de privilégios ou favoritismos em razão da condição pessoal do beneficiado, impondo que os atos públicos, ainda que legais, atendam às exigências de natureza moral. No caso dos autos, ambos os princípios restaram violados", afirmam o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e a secretária-geral de Contencioso, Grace Maria Fernandes, que assinam a manifestação.

Além da violação a esses princípios, a AGU entende ser inconstitucional o pagamento desses subsídios por não ser indicado de onde virá o dinheiro para arcar com a despesa. A AGU argumenta ainda não ser possível vincular o valor do benefício pago aos ex-governadores ao salário de desembargador de Tribunal de Justiça, como faz a Constituição de Sergipe. De acordo com o texto, em decisões anteriores, o STF já julgou inconstitucional a vinculação de remuneração no serviço público, exceto em casos já previstos na Constituição.

Na manifestação, a AGU pondera também que os ex-presidentes da República não recebem aposentadoria ou pensão vitalícia por terem ocupado o cargo. Se a Constituição Federal não prevê esse subsídio para ex-presidentes, a Constituição estadual de Sergipe também não poderia estabelecer o pagamento. A AGU cita julgamentos anteriores do STF em que o tribunal estabeleceu que os Estados não têm competência para conceder benefício a ex-governadores se não houver algo parecido na Constituição Federal.

A manifestação da AGU trata especificamente do pagamento de aposentadoria para os ex-governadores de Sergipe. Entretanto, os mesmos argumentos poderão ser usados nos outros processos que tramitam no STF e contestam o pagamento do subsídio aos ex-governadores do Paraná, de Rondônia, do Amazonas, do Pará, do Acre, do Piauí, do Rio Grande do Sul e da Paraíba. (AE)

Os cultivos transgênicos agonizam na Europa


No mesmo dia do lançamento de uma nova pesquisa sobre a comercialização de transgênicos em escala mundial patrocinado pela indústria, um novo relatório da Amigos da Terra Internacional revela que os cultivos transgênicos continuam em queda livre, ao mesmo tempo em que aumenta o número de países que os proíbem(1).

O relatório Quem se beneficia com os cultivos transgênicos demonstra que em apenas 0,06% dos campos europeus são cultivados transgênicos, uma diminuição de 23% de 2008 para cá. Sete Estados-membros da União Européia proíbem o cultivo de milho transgênico da Monsanto pelas evidências cada vez maiores de seus impactos ambientais e sócio-econômicos, assim como pela incerteza de seus efeitos sobre a saúde. Três países proibiram o cultivo da batata transgênica da BASF por precauções sanitárias logo depois que seu plantio foi aprovado na primavera de 2010, e cinco Estados-membros levaram a Comissão Européia aos tribunais pela sua autorização(2). A oposição pública aos alimentos e cultivos transgênicos cresceu até chegar a 61% da população(3).

David Sánchez, responsável pela área de agricultura e alimentação dos Amigos da Terra-Espanha afirmou: “Os cultivos transgênicos não tem nenhum futuro na Europa por causa forte oposição social, seus demonstrados impactos ambientais, sociais e econômicos e pelos riscos que apresentam à saúde. É lamentável que o governo espanhol continue sem se dar conta e brinque com nosso meio-ambiente, nossa alimentação e com o futuro de nossa agricultura”.

Em escala global, o novo relatório mostra que inclusive os países que mais tem apostado nos cultivos transgênicos na América Latina foram forçados a tomar medidas para mitigar os impactos negativos sobre a agricultura, a cidadania e o meio-ambiente. Nesse sentido, o governo brasileiro lançou um programa de soja livre de transgênicos para facilitar aos agricultores o acesso a sementes de soja não modificadas geneticamente; na Argentina, novas evidências científicas mostram os graves impactos sobre a saúde do herbicida Glifosato (4), utilizado na imensa maioria das plantações de transgênicos a nível mundial, o que levou à proibição da fumigação próxima aos núcleos de população, e no Uruguai são cada vez mais as administrações locais que se declaram áreas livres de transgênicos.

A coordenadora de soberania alimentar dos Amigos da Terra Internacional, Kirtana Chandrasekaran acrescentou: “Os agricultores e a sociedade latino-americana sofrem as conseqüências de dez anos de cultivos transgênicos, com graves efeitos sobre a saúde e custos crescentes. Os mitos sobre os quais se baseiam toda a indústria dos transgênicos estão sendo derrubados, e os estragos causados em toda a América do Sul mostram claramente que essa tecnologia não serve. Trata-se de chamar a atenção a nível mundial para avançar em direção a uma agricultura mais responsável social e ambientalmente”.

O relatório Quem se beneficia com os cultivos transgênicos? Uma industria baseada em mitos demonstra, por sua vez, que:

· Uma nova geração de cultivos transgênicos desenvolvidos para promover o uso de perigosos pesticidas, como Dicamba e 2-4 D está pronta para liberação nos EUA. As multinacionais biotecnológicas a está promovendo como solução para o fracasso dos transgênicos atuais no controle das ervas daninhas e na redução do uso de agrotóxicos.

· A indústria dos transgênicos, com o apoio do governo dos EUA, procura novos mercados na África com a intenção de melhorar seus negócios. A Fundação Gates, que investe bilhões de dólares em projetos agrícolas naquele continente, tem comprado ações da Monsanto, manifestando seu interesse direto em maximizar os lucros da indústria dos transgênicos e não em proteger os interesses dos pequenos agricultores africanos. (Amigos da Terra)

Dia Internacional da Luta contra as Barragens

Pescadores protestam contra Belo Monte em Altamira

Cerca de duzentos pescadores da região do Xingu acamparam em frente ao prédio da Norte Energia, em Altamira, na manhã de ontem. São representantes de comunidades ribeirinhas de pelo menos cinco municípios da região que serão impactados pela barragem prevista para ser implantada no rio para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Aproveitando o dia internacional de luta contra as barragens, os pescadores chegaram em barcos, em uma espécie de romaria fluvial, aportando em Altamira. As famílias, mulheres e filhos dos pescadores fizeram a recepção da caravana e, durante o dia, teceram redes de pesca, simbolizando o artesanato e o trabalho feito por eles.

Durante a tarde, aconteceram atos públicos, como a exibição de filmes de conteúdo cultural mostrando as atividades de quem vive nestas áreas. De forma simbólica, os pescadores também serviram almoço à base de peixe para quem passava pelo local.

Ana Alaíde, representante de colônia de pescadores e uma das coordenadoras do protesto, disse que a maior preocupação dos pescadores é como irão sobreviver aos impactos ambientais causados pelo projeto. “Nós estamos jogados às dúvidas e nunca temos resposta certa para nossos questionamentos”

Pescador há 18 anos, Manoel Duarte também está preocupado. “No verão, a pesca é muito maior, mas com o lago da barragem sempre cheio, vai faltar. E aí, como eu vou viver?”

Os cerca de 250 pescadores de Altamira, Vitória do Xingu, Belo Monte, Senador José Porfírio e Porto de Moz, que saíram na “Grande Pescaria em Defesa do Xingu e contra Belo Monte” na última sexta (11), retornaram na segunda-feira (14) a Altamira, com cerca de 6 toneladas de peixes, entre pirararas, pacus, tucunarés e outras espécies.

A pescaria, que se encerrou no que foi chamado de Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, foi mais um protesto contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte que, de acordo com os Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do próprio Ibama, deve acabar com grande parte dos peixes da região e levar à extinção várias espécies que hoje são a base da alimentação e da economia das comunidades indígenas e ribeirinhas da Bacia do Xingu.

Os peixes foram preparados e distribuídos para os mais de 600 ribeirinhos, agricultores, pescadores, moradores, indígenas e representantes dos movimentos sociais locais presentes. Depois do almoço coletivo, também houve uma doação de pescado para entidades de apoio às famílias carentes de Altamira.

Resistência ampliada
Para a coordenadora do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Antonia Melo, além dos 600 participantes, mais de mil pessoas passaram pelo evento. "Acredito que a população de Altamira ficou bastante sensibilizada, porque essa questão [a ameaça à pesca] mexe muito com a população em geral. Está ficando claro para a cidade que centenas de famílias que vivem da pesca vão perder essa fonte de alimento.E os que não vivem disso, mas vão pescar nos finais de semana, também perderão esta fonte de lazer."

De acordo com Antonia, a mobilização unificou os pescadores dos diversos municípios e comunidades e fortaleceu a resistência contra a usina. "A Eletronorte tem feito fortes investimentos para cooptar lideranças nas comunidades de pescadores, e algumas capitularam. Mas isso não significa de forma alguma que os pescadores também se venderam, pelo contrário. Hoje (segunda-feira) os pescadores deram seu grito contra Belo Monte, vão se mobilizar muito mais contra a usina. Mesmo porque muitos que hoje moram no Xingu foram expulsos da região de Tucuruí, e conhecem muito bem a destruição que uma hidrelétrica gera, relatou a coordenadora."



Ambientalistas gaúchos protestam contra hidrelétricas

No Dia Internacional de Luta Contra as Barragens o Movimento em Defesa do Rio Pelotas-Uruguai, formado por integrantes de diversas ONGs do Rio Grande do Sul, realizou um protesto contra projetos hidrelétricos que estão previstos no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) para serem executados no rio Uruguai, uma continuação do rio Pelotas.

Segundo Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da UFRGS e membro do InGá (Instituto Gaúcho Estudos Ambientais), “não se trata de ser contra a construção de qualquer hidrelétrica e sim evitar os excessos que estão previstos para serem implantados no rio Uruguai”.

Nesse sentido, o foco principal do protesto de hoje foi a construção do complexo hidrelétrico GARABI-PANAMBI. Representantes do Movimento, que protestavam pacificamente com faixas, tambores e apitos, foram recebidos pela secretária estadual do Meio Ambiente, Jussara Cony (PC do B). A secretária, que assumiu a pasta há pouco mais de dois meses, recebeu uma carta contendo as reivindicações dos ambientalistas. No encontro, esteve presente a representante gaúcha do MOB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Patrícia Prezotto, que luta para que as famílias atingidas por barragens tenham seus direitos respeitados.
Demonstrando-se bastante atenciosa e solícita, Cony se comprometeu a estudar o assunto e repassar para o governador Tarso Genro.

“ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS”

Com essas palavras de ordem, os manifestantes percorreram as ruas do centro de Porto Alegre desde a Secretaria Estadual do Meio Ambiente até o Palácio Piratini. Durante o percurso, a Brigada Militar facilitou o trânsito até a sede do governo estadual. No Palácio, outro grupo foi recebido pela assessora de movimentos sociais do Gabinete da Casa Civil, Ariane Leitão. Após entregar uma cópia da carta com as reivindicações, o grupo solicitou acesso às informações sobre os processos das construções das hidrelétricas do PAC e uma reunião com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana.

CARTA AO GOVERNO DO ESTADO DO RS

DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA AS BARRAGENS

Porto Alegre, 14 de março de 2011

Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Senhor Tarso Herz Genro

Secretária Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul
Senhora Jussara Cony
N/C.

Excelentíssimo Sr. Governador e Excelentíssima Sra. Secretária:

O Movimento em Defesa do Rio Pelotas-Uruguai, neste Dia 14 de março de 2011- Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, vem expressar seu veemente protesto contra os mega-projetos hidrelétricos previstos para o rio Uruguai, em especial o Complexo de Garabi-Panambi e a hidrelétrica (UHE) de Pai Querê, que fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Tais projetos poderão desalojar 50 mil pessoas do campo e da cidade, destruindo os últimos grandes remanescentes florestais (dezenas de milhares de hectares) da região do Alto Uruguai, causando a extinção de centenas de espécies da fauna e da flora gaúcha, justamente nas Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (MMA, 2007), e na Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (UNESCO).

É importante destacar que este rio já sofreu o alagamento provocado por outras quatro barragens (Foz do Chapecó, Itá, Machadinho e Barra Grande). Estas obras fazem parte de um conjunto de, pelo menos, dez grandes hidrelétricas em sequência no mesmo rio, concebidas em 1977, que atingem grande parte da bacia e podem condenar a morte o rio Uruguai. Também é importante destacar que este processo atinge outras bacias, contabilizando-se mais de 1 milhão de pessoas desalojadas no Brasil

Há mais de 5 anos, vimos denunciando uma série de irregularidades em empreendimentos hidrelétricos, como no caso da empresa Engevix, na UHE Barra Grande (rio Pelotas). Ali se perderam 6 mil hectares de florestas, a maior parte com araucárias, em Áreas Prioritárias para a Conservação (MMA, 2007), com a licença de instalação emitida pelo IBAMA, em 2001, baseada em estudos fraudulentos.

Denunciamos o caráter autoritário desde a concepção dos projetos até o seu licenciamento, processo que praticamente chancela a decisão sobre as licenças ambientais concedidas às hidrelétricas. O mesmo ocorreu, recentemente, com a UHE Belo Monte, no rio Xingu (PA), obra inviável e que também sofreu processo ilegal e que deve ser interrompida imediatamente!

Exigimos também que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal oportunizem a reavaliação democrática dos projetos do PAC, sob a luz de novos conhecimentos da biologia da conservação e que se faça justiça com a enorme dívida do País com os povos indígenas e tradicionais, que tem direito a integridade de seu território e suas formas de vida, sem ingerências de quaisquer governo.
Consideramos uma ilegalidade que se continue anunciando a realização de obras que não possuam Avaliações Ambientais Integradas realizadas por órgãos de meio ambiente, além de Estudo de Viabilidade Socioambiental e estudos sérios e isentos de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), seguindo a Política Nacional de Meio Ambiente.

Sendo assim, os Governos do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal devem respeitar a Constituição Federal e Estadual e demais legislação vigente, bem como a Convenção da Diversidade Biológica e todos os acordos internacionais que o Brasil assinou o tocante aos direitos humanos e à biodiversidade e rediscutir alternativas e para quem e para quê irá esta energia.

Reiteramos que os rios devem ter áreas livres de barramento, não podendo ser leiloados e submetidos a uma simples visão de mercado.

Ficamos no aguardo de Vossas manifestações.

Atenciosamente,

MOVIMENTO EM DEFESA DO RIO PELOTAS-URUGUAI
(Ingá- Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, Amigos da Terra – Brasil,
Diretório Acadêmico do Instituto de Biociências da UFRGS, Igré)

Sucesso do programa faz BNDES ampliar para R$ 450 milhões os recursos ao microcrédito

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou hoje (16) a elevação para R$ 450 milhões da dotação do Programa de Microcrédito, cujo prazo de vigência vai até 31 de dezembro de 2012. A dotação anterior era de R$ 250 milhões. O programa objetiva estimular a geração de trabalho e renda, a partir da concessão de recursos para o microcrédito a empreendedores individuais ou empresas de pequeno porte, cuja receita bruta anual seja equivalente ou inferior a R$ 240 mil.

A indústria do microcrédito foi introduzida no Brasil pelo BNDES em 1996, a partir da experiência do Grameen Bank, na Índia, idealizado pelo “banqueiro dos pobres” Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz de 2006.

A metodologia foi adaptada às necessidades e especificidades dos microempreendedores brasileiros que não tinham acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional. “A gente fez nascer essa indústria [de microfinanças] aqui no Brasil”, disse à Agência Brasil o chefe do departamento de Economia Solidária do BNDES, Ângelo Fuchs. Um curso promovido pelo banco capacitou os agentes de crédito repassadores de recursos.

Um novo programa de microcrédito, “melhor qualitativa e quantitativamente”, segundo Fuchs, foi colocado na praça pelo BNDES no início do ano passado. Mas, em dezembro, diante da grande aceitação e da demanda significativa, que ultrapassou as expectativas do BNDES, a instituição decidiu ampliar a dotação orçamentária. “Esta semana, por exemplo, a gente enquadrou R$ 14,5 milhões [em projetos de microcrédito]”.

Ele explicou que o microcrédito se difere de uma operação de crédito convencional porque funciona com o aval solidário, isto é, sem exigência de garantia. “O microcrédito funciona para os excluídos do sistema bancário, ou seja, àquelas pessoas que não têm condição de dar garantia para receber seus empréstimos. Ele é baseado na figura de um agente de crédito que vai até a comunidade. Em vez do microempreendedor ir até o banco, o banco vai até ele. E quando esse microempreendedor vai até o microempresário, ele o ajuda no básico das finanças. Então, tem uma educação financeira envolvida”.

Disse, ainda, que o microcrédito não pode ser usado para o consumo. “Ele é um microcrédito produtivo orientado. É para pequenas atividades urbanas, especialmente comércio e serviços”. Ângelo Fuchs revelou que 70% dos microempreendedores contemplados no programa são mulheres, que buscam recursos para levar adiante negócios próprios como artesanato, cabeleireiro e confecções, por exemplo. Normalmente, em menos de uma semana, o microempreendedor já está com o dinheiro na mão.

O BNDES possui dois tipos de agentes repassadores do Programa de Microcrédito: instituições de microcrédito produtivo orientado (Impo), que atuam diretamente com o empreendedor, e instituições que tomam os recursos emprestados e os reemprestam a outras organizações. Ângelo Fuchs afirmou que a inadimplência média dos microempresários está abaixo de 2%. Já a inadimplência das instituições que ofertam microcrédito com o banco é zero.

A taxa de juros para as instituições repassadoras dos recursos do BNDES varia de 6% a 7,5% ao ano, com carência de 36 meses, renováveis por igual período. O valor mínimo do financiamento é de R$ 500 mil, podendo atingir até R$ 1 milhão. Para os microempresários, o limite para cada operação de empréstimo é de R$ 15 mil, com juros de até 4% ao mês. “O ticket médio hoje no país está em torno de R$ 900”, disse Fuchs.

No período 2008 a 2010, foram liberados pela carteira de microcrédito do banco R$ 101 milhões. O programa tem contratadas 58 operações. (AB)

Chuvas deixam prejuízo estimado em R$ 87,9 milhões nas cidades do litoral do Paraná


O prejuízo estimado para os estragos causados pelas chuvas nas cidades de Antonina, Morretes, Guaratuba e Paranaguá é de R$ 87,9 milhões. Os prefeitos se reuniram com o governador Beto Richa na manhã desta quarta-feira (16) para apresentar um relatório preliminar sobre os estragos.

O valor prévio foi divulgado em entrevista coletiva com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, na tarde desta quarta. Bezerra prometeu a contrução de 400 casas na região e disse que recursos devem ser encaminhados para o estado na próxima semana, mas não falou sobre valores. Ele sobrevoou a região atingida nesta tarde.

Com a situação ainda bastante caótica no litoral, o governo federal vai liberar uma linha de crédito para a construção de casas destruídas pelas chuvas e estuda disponibilizar o FGTS. Além dos recursos, o Exército vai emprestar um helicóptero e uma ponte metálica para ajudar os municípios do litoral.

As chuvas que desde sexta-feira provocam destruição no litoral do Paraná ainda deixam 581 pessoas em abrigos. O número foi informado pela Coordenadoria Estadual da Defesa Civil nesta quarta-feira (16), no boletim das 19 horas. O total de desabrigados chegou a 2.499 em Antonina, Morretes e Paranaguá, mas a maioria já conseguiu outros locais para se abrigar - fora da cidade ou em casa de parentes.

As chuvas já causaram quatro mortes no estado desde sexta-feira.

O acesso ao litoral continua prejudicado. A BR-376 que passou dois dias totalmente bloqueada, foi liberada com restrições em uma operação emergencial, na noite desta terça-feira (15). O tráfego na rodovia funciona no sistema "pare e siga" e fica liberado por duas horas para cada sentido. Polícia Rodoviária Federal recomenda evitar o trecho. Na BR-277, o trânsito fluía com lentidão nos dois sentidos, na tarde desta quarta-feira (16).

Por conta dos deslizamentos ocorridos no litoral, a Petrobras está deslocando gasolina e óleo diesel de São Paulo para evitar desabastecimento no Paraná. A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) tem produzido pouca quantidade de combustíveis porque a atividades dos oleodutos que abastecem a refinaria, e que foram afetados pelas chuvas, foram suspensas. De acordo com o Sindicombustíveis, não deve faltar combustível no estado.




Ajuda federal


O prejuízo estimado para os estragos causados pelas chuvas nas cidades de Antonina, Morretes, Guaratuba e Paranaguá é de R$ 87,9 milhões. Os prefeitos haviam se reunido com o governador beto Richa na manhã desta quarta-feira (16) para apresentar um relatório prelimar sobre os estragos.

O valor prévio foi divulgado em entrevista coletiva com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, na tarde desta quarta. Bezerra prometeu a contrução de 400 casas na região e disse que recursos devem ser encaminhados para o estado na próxima semana, mas não falou sobre valores. Há um recurso de R$ 300 milhões que pode ser usado, mas não se sabe quanto desta verba poderia ser destinada para o estado. O ministro reforçou que as verbas serão destinadas para obras emergenciais e que a reconstrução das cidades, neste momento, fica em segundo plano. Ele sinalizou que deve pedir mais dinheiro por medida provisória.

Bezerra, e o secretário nacional de defesa Civil, Humberto Viana, fizeram um sobrevoo sobre as regiões atingidas pelas chuvas. Eles passaram pela localidade de Floresta, em Morretes; em Laranjeiras, em Antonina; e seguia para verificar a situação em Paranaguá. Ele retornaou para Curitiba sobrevoando as rodovias, para verificar a dimensão dos estragos causados com a destruição de pontes e as filas de carros.

Dois helicópteros fazem a atividade. Em um deles, além do ministro e do secretário, estão o governador Beto Richa (PSDB) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT). Na outra aeronave está o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Mounir Chaowiche, e jornalistas da Agência Estadual de Notícias.

Em passagem pelo Rio Grande do Sul, o ministro sinalizou uma ajuda de R$ 10 milhões para o estado, mas não liberou o recurso. Esse dinheiro vem de um recurso que o governo disponibilizou para as defesas civis em 2010, em um total de R$ 700 milhões.


Possibilidades

O governo federal vai estudar a possibilidade de liberar novas linhas de crédito para a reconstrução de casas que foram destruídas pelas chuvas no Litoral paranaense. O compromisso foi firmado na terça-feira (15), quando os prefeitos de Antonina – Carlos Augusto Machado –, Morretes – Amilton Paulo de Paula –, e Paranaguá – José Baka Filho – se reuniram com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e o secretário nacional da Defesa Civil, Humberto Viana.

No encontro ficou acertado que a União vai liberar recursos para recuperar o que foi destruído com as chuvas, especialmente para obras de infra-estrutura. As ações serão centralizadas pelo governo do Estado, que deve receber as verbas para fazer o repasse.

Bezerra também falou em avaliar algumas possibilidades. Entre elas está a liberação de recursos da previdência social e do FGTS para a reconstrução de casas. Ele também comentou que é possível criar uma linha específica dentro do programa "Minha casa, Minha Vida" para a construção de casas. Ele estima que possam ser feitas entre mil e 1,5 mil residências por essa linha de crédito.

Além dos prefeitos, participaram da reunião o secretário da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho (irmão do governador Beto Richa) e pelo presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Mounir Chaowiche. A senadora Gleisi Hoffmann (PT) também participou do encontro.

Richa Filho terá outra audiência em Brasília na quarta-feira (16). O secretário deve se reunir com representantes do Ministério do Transportes e pretende conseguir verba para o conserto das estradas do litoral. Ele almeja discutir projetos sobre o transporte aéreo e ferroviário no Paraná.

A ação é uma resposta do governo federal aos pedidos do governador Beto Richa. Ele telefonou para a presidente da República, Dilma Rousseff, na manhã desta terça. Os dois conversaram por cerca de cinco minutos e houve o comprometimento de Dilma em enviar ajuda para o litoral do Paraná.

Além disso, o Exército vai emprestar um helicóptero e uma ponte metálica para ajudar os municípios do litoral do Paraná atingidos pela chuva. O helicóptero militar deve transportar equipamentos para reconstruir a estação de tratamento de água do Paranaguá. A aeronave tem capacidade para levar cargas de até 4 toneladas e atualmente está no interior de São Paulo, de acordo com a Agência Estadual de Notícias, órgão oficial de comunicação do governo do Paraná. (GP)

Apesar da resistência de movimentos sociais, Belo Monte será construída, diz Gilberto Carvalho, que é o mesmo do nebuloso caso Celso Daniel

A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), será levada adiante, apesar das manifestações contrárias, disse hoje (16) o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, principal interlocutor do governo com movimentos sociais.

A usina é alvo de protestos de organizações ambientalistas, indígenas e ribeirnhas da região do Xingu. A polêmica já chegou à Organização dos Estados Americanos (OEA), que na última semana exigiu do governo brasileiro esclarecimentos sobre o processo de licenciamento de Belo Monte. Segundo os movimentos sociais, a obra está desrespeitando direitos de comunidades tradicionais que serão atingidas.


“Belo Monte vai ser construída. Não posso dizer a vocês que não será. A questão é que pode ser construída gerando um trabalho de saneamento ambiental para a região e com realocação adequada da população de ribeirinhos”, disse o ministro para uma plateia de ativistas, durante reunião do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.(AB)

Delegacias do Paraná recebem 213 novos policiais civis


Delegacias do Paraná recebem, a partir desta semana, 213 novos policiais civis. O secretário da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, participou, na noite de terça-feira (15), da formatura da turma, que passou quatro meses na Escola Superior de Polícia Civil do Paraná (ESPC) se preparando para assumir as funções de investigador e escrivão.

Formaram-se 131 investigadores e 82 escrivães, que serão encaminhados para unidades policiais em todo o Estado. Os alunos passaram por treinamento com 1 mil horas/aula de diversas disciplinas, como o conceito de polícia comunitária, direitos humanos e legislação, cibercrimes, investigação policial, sociologia aplicada e uso de arma de fogo.

Os policiais também passaram por avaliações psicológicas e receberam treinamento teórico e prático, na delegacia-laboratório e em delegacias estabelecidas.

A solenidade ocorreu no Centro de Convenções de Curitiba e contou com a presença do delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius Michelotto, do delegado-geral-adjunto, Francisco José Batista da Costa, e do diretor da ESPC, Luiz Alberto Cartaxo Moura.

Porto de Paranaguá volta a liberar emissão de senhas para caminhões


A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) começou a liberar parcialmente, na manhã desta quarta-feira (16), as senhas para os caminhões com granéis chegarem ao Porto de Paranaguá. A interrupção, anunciada há uma semana, foi uma medida emergencial para evitar a formação de filas na estrada, uma vez que a chuva contínua estava prejudicando o embarque de granéis pelo Porto. Com a obstrução da BR-277 na última sexta-feira (11), por conta da forte chuva, o cancelamento da emissão de senhas foi mantido, para evitar transtornos.

“O Porto de Paranaguá está funcionando normalmente. A chuva, que muito atrapalha as nossas operações, agora também afetou a estrada e a ferrovia, mas as previsões de restabelecimento são otimistas. Não acredito que haverá danos maiores à movimentação portuária”, explicou Airton Vidal Maron, superintendente da Appa.

As senhas estão sendo liberadas gradativamente, mediante espaço nos armazéns e obedecendo às necessidades dos navios atracados. Na terça-feira (15), com a ligeira melhora das condições climáticas, foram embarcadas 48,6 mil toneladas de granéis pelo Corredor de Exportação, quase o dobro da quantidade que vinha sendo embarcada nos últimos dias em função da chuva.

Nesta quarta-feira (16), três navios estão atracados no Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá: um com soja, outro com milho e mais um com farelo, somando 165 mil toneladas de mercadorias a serem exportadas.

Da meia-noite do dia 15 até às sete horas na manhã desta quarta-feira (16), 566 caminhões passaram pelo Pátio de Triagem de Paranaguá. Dados da concessionária Ecovia informam que 3 mil caminhões circularam pela BR-277 na terça-feira (15) em direção a Paranaguá e a Curitiba. O total corresponde a 48% da movimentação normal da safra, que é de aproximadamente 7 mil veículos em ambos sentidos.

FERROVIA – A América Latina Logística (ALL), concessionária da estrada de ferro que liga Paranaguá a Curitiba, liberou totalmente a estrada na tarde desta quarta-feira (16). De acordo com o coordenador de relações corporativas da ALL, Nilson Carlos Rocha, mil vagões que estavam sendo represados em Curitiba já estão prontos para descer até Paranaguá e descarregar no Porto. “Agora começaremos a organizar a logística para providenciar a subida dos vagões vazios que estão aqui embaixo”, disse.

ESTRADA – Na BR-277, a Ecovia está trabalhando em diversos trechos. Há equipes atuando nas pontes com problemas estruturais – que ficam no Km-29 e no Km-26, na pista sentido Paranaguá. No Km-26, passa apenas um carro por vez e os agentes da Ecovia organizam o acesso entre os carros que seguem rumo a Curitiba e os que descem em direção a Paranaguá. Os caminhões estão descendo em comboios de 50 em 50.

Na PR-408, que dá acesso a Morretes, a ponte metálica que está sendo erguida pelo Exército já está quase concluída. A expectativa é que até sexta-feira (18) o fluxo pela BR-277 esteja bem mais tranquilo para caminhões e carros de passeio.

Sanepar intensifica ajuda à população de Paranaguá


A Sanepar intensificou a ajuda à população de Paranaguá, que está com problemas no abastecimento de água desde o último final de semana, quando um temporal destruiu quase que totalmente o sistema de captação da cidade. Além do envio diário de cinco caminhões-pipa, cerca de dez técnicos da empresa estão auxiliando o município no restabelecimento dos serviços prestados pela concessionária Águas de Paranaguá.

“Por determinação do governador Beto Richa, estamos trabalhando de forma coordenada com os demais órgãos do governo para normalizar o mais rápido possível a situação no Litoral”, afirma o diretor-presidente da Sanepar, Fernando Ghignone.

Segundo o engenheiro civil da Sanepar Pedro Paulo Pereira Junior, que está dando apoio aos trabalhos de recuperação do sistema de Paranaguá, a situação do município é crítica. Das quatro captações de água, duas foram totalmente destruídas. A terceira, localizada na Serra do Mar, precisa ser desassoreada. A draga será levada por um helicóptero da Marinha.

A quarta captação já entrou em operação, mas o alto nível de turbidez da água impede o tratamento. “Estamos adaptando um reservatório que estava em construção para funcionar como decantador, permitindo o tratamento da água”, explica o engenheiro.

A Sanepar também está instalando bombas nas duas captações para o aumento da capacidade, permitindo o restabelecimento do abastecimento de água para 80% da população em um curto espaço de tempo.

LITORAL – O abastecimento no município de Morretes, atendido pela Sanepar, está restabelecido desde sábado. Em Antonina, onde o serviço de distribuição de água é operado pela empresa municipal Samae, técnicos da Sanepar também estão auxiliando no trabalho de recuperação do sistema. O solo encharcado dificultou o assentamento da adutora de água. “Como o tempo melhorou, esperamos terminar este serviço ainda hoje”, adianta o gerente da Unidade Regional do Litoral, Romilson Gonçalves.

Copel reduz número de domicílios sem luz e mantém quase 100 técnicos no Litoral

Passados cinco dias do temporal que provocou enormes danos e prejuízos no Litoral do Estado, a Copel permanece com um efetivo de quase uma centena de técnicos e eletricistas em ação para normalizar os serviços de fornecimento de energia elétrica a 545 unidades consumidoras. No fim da tarde do primeiro e pior dia de chuvas – a sexta-feira, dia 11 – eram 11.066 domicílios sem luz.

Os consumidores que permanecem desligados estão concentrados em regiões rurais onde não há acesso possível aos veículos da Copel que, além dos técnicos, precisam transportar até esses locais materiais pesados como postes, transformadores, bobinas de cabos condutores e outros acessórios, necessários à reconstrução dos trechos da rede elétrica destruídos ou comprometidos por deslizamentos de terra e pela chuva.

Na região de Paranaguá, 171 unidades consumidoras permaneciam desligadas na área do Morro Inglês e na localidade de Floresta, às margens da rodovia que liga Paranaguá a Morretes. Nos municípios de Morretes, Guaraqueçaba e Antonina, o total de domicílios sem eletricidade no final da manhã desta quarta-feira (16) foi reduzido para 374.

Os problemas estão concentrados principalmente nas localidades de Morro Alto, Fartura e Sambaqui, em Morretes, e nas localidades de Limeira e Rasgadinho, situadas entre Morretes e Guaratuba. Esta região está totalmente inacessível por Morretes, de onde partia o ramal elétrico responsável pelo seu atendimento. Por essa razão, a Copel está estudando a construção de um novo trecho de rede elétrica a partir de Guaratuba.

Na tarde de terça-feira, o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido para 150 unidades consumidoras da localidade insular de Europinha, no município de Guaraqueçaba, e também para a estação de captação de água Serra da Prata, operada pela empresa Águas de Paranaguá. O terminal portuário da Ponta do Félix, em Antonina, teve os serviços elétricos normalizados na noite de segunda-feira.

Richa entrega relatório dos estragos materiais ocorridos na tragédia que afeta o Litoral ao ministro da Integração Nacional


O governador Beto Richa acompanhou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, em um sobrevôo pela região litorânea do estado nesta quarta-feira (16), para verificar a situação dos municípios e da população afetada pela chuva no fim de semana. O governador entregou um relatório preliminar elaborado pela Defesa Civil, em conjunto com as prefeituras, quantificando os estragos na infraestrutura urbana e rural de Antonina, Morretes, Guaratuba e Paranaguá. O levantamento aponta prejuízos de R$ 87,973 milhões provocados pela enxurrada, que causou quedas de pontes, danos em estradas e na pavimentação urbana, edificações públicas e residências destruídas ou danificadas e perdas na agricultura.

“O governo federal mostrou-se muito solícito e está atendendo todos os nossos pedidos. A presença do ministro Fernando Bezerra no Paraná é prova dessa parceria”, disse o governador. A presidente Dilma Roussef ofereceu ajuda ao governador e ainda na segunda-feira determinou o envio de uma ponte metálica do Exército, para ser instalada na rodovia PR-408, e de um helicóptero militar que será usado para içar um equipamento para restabelecer o tratamento de água em Paranaguá.

O ministro elogiou a pronta ação do Governo do Paraná no Litoral, por meio da Defesa Civil, que colocou técnicos, bombeiros e helicópteros para evacuar áreas de risco antes dos deslizamentos de terra, que atingiram bairros inteiros, e toda a estrutura disponível para resgatar e atender aos desabrigados. “Poderíamos ter perdido muitas vidas e isso não ocorreu pela ação do Estado. Pude verificar pessoalmente que todos os desabrigados estão sendo bem atendidos”, disse o ministro Fernando Bezerra. “A orientação da presidente Dilma Rousseff é que o governo federal trabalhe em parceria e some esforços com o Estado e as prefeituras para atender os desabrigadas e recuperar a infraestrutura dos municípios”, disse ele.

O ministro disse que a prioridade é atender às pessoas e restabelecer a normalidade na infraestrutura urbana. Segundo ele, todos os recursos que estiverem disponíveis serão repassados ao Estado, que definirá as ações prioritárias em conjunto com as prefeituras. Parte dos recursos federais poderá ser liberada na próxima semana, mas ainda não estão definidos os valores. “As obras de maior porte e a construção de casas para atender os desabrigados será o passo seguinte”, afirmou Bezerra Coelho.

O governador Beto Richa disse que o governo está empenhado ao máximo em resolver a situação no Litoral e destacou o trabalho feito pela Sanepar, que enviou equipamentos e técnicos para dar apoio logístico aos municípios e está distribuindo água em toda a região.

A senadora Gleisi Hoffmann acompanhou o sobrevôo do ministro e do governador na região litorânea.

'Falta tudo' em centros para desabrigados no Japão, diz governador

O governador da província de Fukushima, Yuhei Sato, centro da crise nuclear no Japão, criticou a maneira como o governo japonês está lidando com a população obrigada deixar a área ao redor da usina nuclear de Daiichi, onde foram registradas explosões nos últimos dias. Segundo ele, "falta tudo" para as pessoas desabrigadas na região.

Em comunicado divulgado pela televisão, o Sato disse que os abrigos para as pessoas que deixaram suas casas não têm refeições quentes, combustível ou suprimentos médicos em quantidades suficientes para atendê-los. "Nos falta tudo. A ansiedade e a raiva sentidas pelas pessoas atingiram o ponto de ebulição", afirmou. Sato ainda disse que engenheiros e técnicos correm contra o tempo para evitar uma catástrofe nuclear na usina, que foi severamente danificada pelo terremoto e tsunami que atingiram o país na última sexta-feira.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, determinou uma área de evacuação em um raio de até 20 quilômetros da usina. Outras 140 mil pessoas que moram a até 30 quilômetros de Daiichi foram aconselhadas a não deixar suas casas. Horas antes, o porta-voz do governo japonês Yukio Edano disse que os níveis de radiação ao redor da usina voltaram a cair e novas operações para evitar o vazamento de combustível nuclear nos reatores 3 e 4 da usina estão em andamento.



Equipes de resgate e sobreviventes do terremoto e do tsunami no Japão enfrentam agora neve e temperaturas abaixo de zero, no momento em que suprimentos começam a chegar às áreas mais afetadas.

As principais estradas para a costa nordeste do país foram reabertas e o Exército está usando helicópteros para levar bens de primeira necessidade aos desabrigados, que estão vivendo em casas, escolas e ginásios que ficaram de pé após a tragédia.

Segundo a TV pública NHK, o número oficial de mortos chega a 4,3 mil, mas as expectativas são de que este número suba muito, já que foram encontrados muitos corpos não-identificados em regiões de litoral.

Na cidade de Otsuchi, ainda não se sabe o que aconteceu com metade da população, cerca de oito mil pessoas.

Ajuda

O Banco do Japão anunciou nesta quarta-feira que injetará mais 13,8 trilhões de ienes (cerca de R$ 285 bilhões) nos mercados financeiros para ajudar na recuperação econômica do país.

Com isso, o governo japonês aumentou para 55,6 trilhões de ienes o total dos fundos de emergência disponibilizado para proteger o sistema bancário da nação após o impacto do terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira.

O desastre mergulhou o Japão na "crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial", segundo o primeiro-ministro Naoto Kan.

Imperador

O imperador do Japão, Akihito, disse que está "profundamente preocupado" com a possibilidade de que piore a crise gerada pelo terremoto e o tsunami da sexta-feira, bem como do acidente nuclear que o abalo gerou.

Em uma rara aparição ao vivo na TV - sua primeira manifestação pública depois do desastre - o imperador disse que está orando pelos japoneses.

"Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se dêem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca.

"O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível. O acidente na usina nuclear me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore."

Em tom sombrio, o soberano disse que estava rezando para que todas as vítimas da tragédia sejam salvas.

Perigo nuclear

Enquanto isso, os técnicos estão trabalhando para evitar uma catástrofe nuclear na usina de Daiichi, em Fukushima, onde uma falha no sistema de resfriamento dos reatores já causou três explosões e vazamento de material radioativo.

Nesta quarta-feira, um incêndio atingiu o reator número 4 da usina e o aumento nos níveis de radiação do local obrigou os trabalhadores a abandonar temporariamente a instalação.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que os níveis de radiação voltaram a cair nas proximidades da usina e que os técnicos retomaram os trabalhos de estabilização dos reatores.Mas o container que abriga o reator pode ter sofrido dano, afirmou o porta-voz.

Também nesta manhã, uma nuvem de fumaça foi vista no reator número 3. Segundo a empresa Tokyo Electric Company, que opera a instalação, a fumaça foi liberada pela evaporação da água do reservatório onde ficam armazenados os bastões de combustível já utilizados, que estaria esquentando.

Para evitar que o combustível fique exposto e superaquecido, um helicóptero das Forças de Autodefesa do Japão (FAJ) saiu de Sendai carregando um recipiente com água, para despejar no reator.

No entanto, o plano foi cancelado depois que os níveis de radiação sobre a usina subiram para 50 milisieverts, a dose máxima a que funcionários da FAJ podem ser expostos em serviço.

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados.

Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação – suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

Estrangeiros

A situação de instabilidade tem levado países a elevar sua recomendação de evitar viagens para grande parte do Japão.

O governo australiano recomendou que todos os seus cidadãos que estiverem em Tóquio ou nas cidades afetadas pensem em deixar os locais. A Turquia aconselhou que ninguém viaje ao Japão.

Para França, acidente nuclear japonês já atingiu nível seis em escala até sete.

Já o governo francês pediu à Air France dois aviões para evacuar os seus cidadãos do país a partir da quinta-feira.

A autoridade nuclear francesa diz que a catástrofe no Japão já atingiu o nível seis, em uma escala que vai até sete. O Japão classifica o incidente como nível quatro.

Vídeos sobre as enchentes em Morretes e Antonina



Sobe para 10 as cidades em emergência por causa das chuvas em SC

Subiu para dez o número de cidades em situação de emergência em Santa Catarina, conforme boletim divulgado pela Defesa Civil estadual. Passaram a integrar a lista os município de Camboriú e Guabiruba.

Brusque, Nova Trento, Pomerode, Santo Amaro da Imperatriz, São João Batista, Schroeder, Rio Negrinho e Ilhota já haviam decretado emergência por causa da chuva. No total, 26 cidades relataram problemas.

Em todo o Estado, 621 mil pessoas sofreram com os prejuízos causados pelos alagamentos e deslizamentos. Mais de 14 mil deixaram suas casas. Um homem morreu em Palhoça na manhã de segunda-feira, 14. Valmir Carvalho Iochen, de 25 anos, caiu com o carro no rio e foi encontrado a 70 metros da ocorrência. Em Nova Trento, uma pessoa continua desaparecida. O Corpo de Bombeiros trabalha na busca da vítima. (Central de Notícias)

Sou velho demais para tantas mulheres, diz Berlusconi sobre acusações

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, de 74 anos, disse nesta quarta-feira, 16, que está velho demais para ter tantas relações sexuais quanto mostram os autos do processo no qual é acusado de prostituir menores. De acordo com a promotoria de Milão, o premiê manteve relações com 33 garotas de programa em dois meses. Uma delas, a marroquina Karina el-Marough, tinha 17 anos na época.

" Ainda que eu seja um pouco travesso, 33 garotas em dois meses parece demais até para alguém de 30 anos. São muitas para qualquer um", disse em entrevista ao jornal La Repubblica. Berlusconi afirmou ainda que o caso Ruby foi levado à Justiça "só para manchar a imagem dessas meninas".

Segundo o documento, Ruby "manteve relações sexuais com Silvio Berlusconi por pagamento em dinheiro e outras compensações, em sua casa" e em 13 ocasiões, de 14 de fevereiro a 2 de maio do ano passado. Agora com 18 anos, a marroquina era menor de idade na época.

Ainda de acordo com o texto, após os jantares, as garotas, mascaradas, começavam a dançar e a "trocar carícias íntimas com Berlusconi" - prática conhecida como "bunga-bunga", e que lhe teria sido ensinada pelo ditador líbio, Muamar Kadafi. Depois disso, o premiê "escolhia uma ou mais garotas com quem passava a noite, e a quem pagava com dinheiro ou outras compensações".

A acusação de abuso de poder contra Berlusconi se baseia no fato de que ele teria usado sua influência para libertar Ruby de uma delegacia. Ele também é acusado por pagar para fazer sexo coma garota. Na Itália, a prostituição não é crime, desde que a garota seja maior de 18 anos. (Efe)

Fernanda Richa solidária com a região afetada pelas chuvas


A secretária estadual da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, sobrevoou nesta terça-feira (15) as cidades de Morretes, Antonina, Guaratuba e Paranaguá para verificar as condições das regiões mais afetadas pelas chuvas. Ela afirmou que o atendimento às vítimas das chuvas é prioridade do governo.

Em Morretes, Fernanda desembarcou na comunidade de Floresta, local que permanece isolado e onde a ajuda chega somente por meio dos helicópteros do Corpo de Bombeiros. “As áreas estão com menos água, o solo está mais firme e as pessoas começam a ser atendidas", afirmou.

Em Guaratuba, ela foi até o posto do Corpo de Bombeiros onde é feita a triagem e o envio dos itens emergenciais. Fernanda acompanhou a separação e o embarque dos donativos enviados para a localidade de Limeira, em Guaratuba.

Quanto às prioridades, Fernanda destacou a necessidade de água mineral para os desabrigados: “Paranaguá continua sem água, a rede ainda não pode ser restabelecida para toda a cidade, o que nos preocupa bastante, pois só o hospital consome 60 mil litros por dia”.

Prefeitos do Litoral apresentam a Richa balanço do prejuízo das enxurradas


O governador Beto Richa recebeu na manhã desta quarta-feira (16), no Palácio das Araucárias, os prefeitos de Antonina, Morretes e Paranaguá para avaliar a situação dos municípios litorâneos atingidos pela chuva. Os prefeitos apresentaram balanço prévio dos prejuízos e agradeceram o apoio do Governo do Estado na reconstrução das cidades.

“A situação do Litoral é a nossa prioridade. Vamos trabalhar com eficiência e agilidade para que todos os problemas sejam solucionados. A situação realmente é emergencial, principalmente na área de infraestrutura e habitação”, disse o governador, poucas horas antes de receber o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que vem ao Paraná nesta quarta-feira (16), para avaliar os estragos das enxurradas.

O governador disse que solicitou ajuda federal para restabelecer a infraestrutura do Litoral. “Não há como estimar o prejuízo financeiro e material das enchentes. Vamos concluir nosso estudo com as prefeituras e apresentar ao ministro uma prévia do valor que o Paraná necessita”, destacou Richa.

O prefeito de Morretes, Amilton Paulo da Silva, afirmou que a principal necessidade do município está relacionada à infraestrutura. Ele informou que a enchente atingiu quase 70% da cidade e comprometeu mais de 20 pontes e aproximadamente 250 quilômetros de ruas. “Temos comunidades que foram quase destruídas completamente. Precisamos que o governo federal nos dê condições e libere recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, disse o prefeito.

CALAMIDADE – Morretes e Antonina estão em estado de calamidade pública. A medida do Governo do Estado foi adotada terça-feira (15) para agilizar a liberação de recursos para atendimentos emergenciais. O prefeito de Antonina, Carlos Augusto Machado, disse que o problema da cidade são os deslizamentos de terra, que desabrigaram mais de 2 mil pessoas. “A cidade está viva e precisa caminhar. Temos certeza que Beto Richa vai nos ajudar e amparar”, afirmou o prefeito.

O prefeito de Paranaguá, José Baka Filho, afirmou que o município está sem abastecimento de água potável. Ele disse que as enchentes afetaram mais de 180 quilômetros de avenidas e aproximadamente 10 pontes estão com problemas estruturais. “O governo está nos ajudando, em todos os setores. Estamos fazendo um trabalho conjunto para iniciar a reconstrução”, disse o prefeito. O governador Beto Richa garantiu ao prefeito de Paranaguá a liberação de R$ 10 milhões, do programa ParanáCidade, para a compra de maquinário e equipamentos de pavimentação.

O secretário da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, destacou a importância do encontro para ouvir as sugestões e necessidades dos prefeitos. “É relevante para termos o diagnóstico da situação. Essa reunião foi preparatória para a vinda do ministro, que vai analisar a situação do litoral. Vamos trabalhar juntos para atender as emergências e mais à frente para a reconstrução das cidades”, garantiu o secretário.

A secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Mounir Chaowiche e o deputado estadual Reinold Stephanes Junior também participaram da reunião.

Marinha de Israel interceptou veleiro de pacifistas judeus que ia a Gaza


A Marinha de Israel interceptou em alto-mar o veleiro Irene, de pacifistas judeus que tentava romper simbolicamente o bloqueio marítimo da Faixa de Gaza.
"Dez navios de guerra israelenses obrigaram o veleiro a desviar para Ashdod" (porto israelense), declarou à France Presse um dos organizadores, Amjad al-Shawa, que estava em terra em Gaza.
"Eles se renderam porque estavam cercados e não tinham outra opção", acrescentou.

"A Marinha assumiu o controle do veleiro e levou ao porto de Ashdod", anunciou o Exército israelense em um comunicado.
O texto dos militares afirma ainda que a ação não resultou em nenhum ato de violência de nenhum lado.
O pequeno veleiro Irene, de bandeira britânica, com militantes pacifistas jornalistas procedentes de Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Israel a bordo, havia zarpou de Famagusta, ao norte do Chipre.
Uma porta-voz dos ativistas disse que um dos passageiros tem 82 anos e problemas do coração.

Museu Nacional anuncia descoberta do maior dinossauro carnívoro do Brasil

O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou hoje (16) a descoberta do maior dinossauro carnívoro do Brasil. Batizada de Oxalaia quilombensis, a espécie faz parte do grupo de espinossaurídeos, dinossauros com crânio alongado e espinhos que formam uma espécie de vela nas costas.

Acredita-se que o animal, que media entre 12 e 14 metros (do crânio à ponta da cauda) e pesava entre 5 e 7 toneladas, viveu há cerca de 95 milhões de anos, no litoral do Maranhão. Antes da descoberta do Oxalaia quilombensis, o maior dinossauro carnívoro brasileiro era o Pycnonemosaurus, que media 9 metros.

Segundo a pesquisadora Elaine Machado, do Museu Nacional, a espécie foi identificada a partir de um conjunto de fósseis, com partes do maxilar e dentes do dinossauro, encontrado em 1999 na Ilha do Cajual, no Maranhão. A identificação da espécie e a divulgação da descoberta, no entanto, demoraram 12 anos.

“Ele era o réptil dominante da Ilha do Cajual. E esse é um grupo de dinossauros que desperta grande interesse não só aqui no Brasil quanto lá fora, porque tem características diferentes de outros dinossauros carnívoros. E, por ter sido uma das estrelas do filme Jurassic Park, ele chama muita atenção”, disse.

O dinossauro brasileiro também é considerado o segundo maior espinossaurídeo do mundo, ficando atrás apenas do Spinosaurus aegyptiacus, identificado em 1915, no Egito. Duas espécies de espinossaurídeos já haviam sido descobertas no Brasil, na Bacia do Araripe: Irritator challengeri e Angaturama limai. O nome Oxalaia é uma homenagem à divindade africana Oxalá e quilombensis remete ao fato de que a Ilha do Cajual já foi um quilombo, onde viveram descendentes de escravos.

Também foram anunciadas hoje, na Academia Brasileira de Ciências, mais três descobertas paleontológicas brasileiras. Entre elas está uma nova espécie de crocodiloformo (antepassado dos crocodilos) de 80 milhões de anos, chamado de Pepesuchus deisae. O crânio do réptil foi encontrado na Bacia Bauru, em São Paulo.

Outra descoberta foi o fóssil, de 7 milímetros, de um maxilar com sete dentes de um lagarto pré-histórico, ocorrida em Presidente Prudente, em São Paulo. A espécie batizada de Brasiliguana prudentis, que media de 15 a 20 centímetros, viveu entre 70 milhões e 80 milhões de anos atrás.

Também foi anunciada a descoberta de penas fósseis de dinossauros de 115 milhões de anos, na Bacia do Araripe.

UE diz que usina nuclear no Japão está fora de controle

Eventos catastróficos no Japão não podem ser descartados nas próximas horas, porque a situação numa central nuclear no país está fora de controle, disse Guenther Oettinger, chefe da comissão de Energia da União Europeia (UE).

"A unidade está efetivamente fora de controle", disse Oettinger a um comitê do Parlamento Europeu. "Nas próximas horas podem ocorrer mais eventos catastróficos que poderão colocar em risco a vida de pessoas na ilha". Ele afirmou ainda que as declarações da operadora da unidade afetada e do governo do Japão começam a divergir.

A Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão informou hoje que a principal prioridade agora é jogar água nos reatores número 3 e 4 da usina Daiichi, em Fukushima, para impedir que o combustível nuclear desses reatores emita radiação. A água dentro dos dois reatores deve estar fervendo, como indica a nuvem branca, provavelmente de vapor, que sai do reator 3, disse a agência.

Se o combustível nuclear irradiado - que tende a ficar cada vez mais quente sem água para resfriar - esquentar muito, pode eventualmente derreter ou emitir radiação para o ar, segundo funcionários da agência.

A Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora do complexo de Fukushima, estuda a possibilidade de usar um helicóptero para jogar água sobre o reator 3 se as condições forem seguras para a realização destas operações, disse um funcionário.

Sete londrinenses estão entre brasileiros resgatados no Japão


Uma família com sete londrinenses está entre os brasileiros que foram resgatados nesta quarta-feira (16) na missão, organizada pelo Consulado do Brasil no Japão, que retirou 26 pessoas de Sendai, Fukushima e Koriyama, cidades mais afetadas pelo terremoto da última sexta-feira (11). A família de Londrina estava em Sendai.

O empresário londrinense Walter Saito, que está no Japão há 20 anos, ajudou o Consulado no resgate. Por telefone, por volta das 10h horário de Brasília, Saito disse ao JL que teve um grande impacto ao chegar as cidades devastadas pelo tremor e pelo tsunami. “É inexplicável. Foi assustador, não gosto nem de comentar. Feio demais, o choque foi muito grande. Nunca vi algo parecido”, relatou.

Para a retirada dos brasileiros, Saito usou dois ônibus, um caminhão com mantimentos e um carro de apoio. Todos os resgatados foram levados para a cidade de Saitama, mais ao centro do país, onde o Consulado preparou alojamentos. Ninguém estava ferido.

O empresário londrinense contou que todo o trabalho durou 17 horas, em uma viagem de quase mil quilômetros de ida e volta, até Sendai, onde os brasileiros esperavam no terminal rodoviário.

“Foi uma viagem massacrante. Algumas pessoas ficaram, pois não apareceram no local combinado pela Embaixada. Mas o pessoal de Fukushima estava muito abalado, pois eles não podiam beber água por causa dos problemas na usina nuclear.”

Saito disse que aceitou o pedido do Consulado para realizar a missão de resgate, pois “as pessoas estavam precisando e tinha a estrutura”. Ele relatou que em Saitama os tremores de terra são constantes e devem continuar nos próximos dias. Alimentos e combustíveis já estão em falta na cidade.

“Está complicado, mas comparado com o pessoal em Sendai estamos no paraíso.”(AE)

Governo pressiona Vale a pagar R$ 5 bi


O governo entrou na briga entre a Vale e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em torno do valor dos royalties de mineração devidos a Estados e municípios produtores com um propósito: o de forçar a mineradora a reconhecer sua dívida de cerca de R$ 5 bilhões para, então, negociar o parcelamento dos débitos em até 60 meses.

Com o sinal verde da presidente Dilma Rousseff para "dar um aperto" no presidente da Vale, Roger Agnelli, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi duro na abordagem. Na reunião de ontem à tarde com Agnelli, o ministro deixou claro que o governo não aceita mais "essa conversa de não pagar" os royalties.

"Vocês publicam um balanço com R$ 30 bilhões de lucro e não querem pagar R$ 4 bilhões?", cobrou Lobão. Outro ministro que acompanha o assunto desde o governo passado informa que o Planalto está convencido de que a Vale "planejou" o impasse para pagar menos royalties e acertar a diferença quando fosse cobrada.

O governo federal também está sob pressão de municípios da Bahia, Pará e Minas Gerais, mas o assunto ganhou destaque na Presidência quando a superintendência do DNPM no Pará cassou o alvará da Vale para explorar Carajás. A decisão foi cancelada pela direção do departamento por ordem do ministro Lobão, mas o Planalto quer aproveitar a oportunidade para rediscutir os "compromissos" da Vale com o desenvolvimento do País.

Queixas. Também está em jogo, neste debate, a permanência de Agnelli à frente da empresa. Interlocutores da presidente Dilma já dão sua substituição como certa e um dos mais cotados é o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, que tem a simpatia do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

A queixa geral contra a mineradora se dá pela "opção" da empresa por exportar o minério bruto e não investir em produtos com valor agregado, forçando o Brasil a pagar caro para importar chapas de aço, por exemplo.

Na avaliação do governo, a Vale privilegia as exportações, beneficiando-se da isenção tributária da Lei Kandir, em detrimento da indústria nacional. O que mais irrita o Planalto é a "autos suficiência" da empresa, comparada à da Petrobrás.

As reclamações aumentaram depois que o governo federal decidiu investir na retomada da indústria naval. Um técnico do setor lembra que, embora a Vale tenha de fazer compensação ambiental nos locais de onde extrai minério, os Estados não ganham "praticamente nada".

O DNPM alega que as empresas fazem interpretação equivocada da lei, no que se refere aos valores da compensação que devem ser recolhidos, o que, segundo o governo, acaba gerando um pagamento aquém do estimado.

Mas a principal queixa do Planalto vem desde o governo Lula, com a resistência de Agnelli em patrocinar a construção de uma siderúrgica no Pará, para que a Vale passasse a exportar chapas de aço, em vez de importar chapas de navio e trilhos da China e da Polônia, como ocorre hoje.

Nível de radiação leva pânico a Tóquio

Pessoa suspeita de contaminação por radiação é levada para centro de tratamento no Japão

O nível de radiação subiu ontem a um patamar 20 vezes superior ao normal em Tóquio, a mais populosa região metropolitana do mundo, com 32 milhões de habitantes. Esse grau de radioatividade ainda não causa danos à saúde, mas o pânico causado pelo risco de uma catástrofe nuclear derrubou a bolsa de valores, levou estrangeiros a abandonar em massa a cidade e agravou a angústia dos japoneses, que ainda estão sob o impacto do terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do país na sexta-feira.

O governo ressaltou que a radiação encontrada na capital está longe de afetar a saúde humana, mas a sucessão de desastres nas duas usinas nucleares localizadas a 240 quilômetros ao norte da cidade provoca incerteza em relação ao desfecho da crise.

O aumento da ansiedade dos habitantes de Tóquio ficou evidente no movimento de estocagem de alimentos e água. Pessoas que estão na capital disseram por telefone ao Estado que há prateleiras vazias nos supermercados. A tensão aumentou ainda mais na tarde de ontem, quando um tremor de 6 graus na escala Richter atingiu o leste do país.

Várias multinacionais retiraram seus funcionários do país ou transferiram suas operações para Osaka. A Embaixada da França afirmou que o nível de radiação verificada na capital não apresenta nenhum risco à saúde, mas aconselhou seus cidadãos a deixar Tóquio temporariamente. Nos aeroportos de Narita e Haneda, estrangeiros formavam filas para embarcar para outros países ou cidades do Japão.

Risco nuclear. O foco da crise são as usinas de Fukushima, na costa leste, bastante afetada pelo duplo desastre de sexta-feira. Ontem, uma piscina que funcionava como depósito de combustível nuclear usado - que, assim como os reatores, também precisa de resfriamento - pegou fogo e causou vazamento de radiação em níveis perigosos. A Tokyo Electric Power, informou que 70% das barras de combustíveis do reator 1 da usina foram danificadas, enquanto no reator 2 o dano ficou em 33%. Acredita-se que parte dos núcleos dos reatores foi derretido porque perdeu seu sistema de resfriamento. A concentração de material radioativo no local subiu a patamares elevados, levando à retirada da equipe que tenta resfriar os reatores. Uma nuvem branca de fumaça também foi vista saindo do reator 3. (AE)



No núcleo de um reator nuclear a partir da fissão do urânio, existem mais de 60 elementos radioativos, tanto com vida curta como vida longa, que se acumulam no organismo, por serem parecidos com nossos elementos biológicos.

Entre eles, o iodo, o estrôncio 90 e o césio são alguns dos poluentes mais prejudiciais para a saúde humana, que aumentam o diagnóstico de todo tipo de câncer e diminuem a imunidade do organismo.

A afecção do iodo é imediata, provoca mutações nos genes e aumenta o risco de câncer, especialmente de tireóide.

O césio se deposita nos músculos, enquanto o estrôncio se acumula nos ossos, durante um período mínimo de 30 anos. As duas substâncias multiplicam a possibilidade de incidência de câncer de ossos, de músculos e tumores cerebrais, entre outras patologias.

As radiações afetam também o sistema reprodutivo, com mais riscos às mulheres que nos homens. Os espermatozóides se regeneram totalmente a cada 90 dias, no entanto, os óvulos permanecem nos ovários e se um óvulo é alterado pela radiação e fecundado posteriormente, se produzirão más-formações no feto, inclusive anos depois.

Como a principal via de contágio é a inalação, é recomendado ingerir pastilhas de iodo. A tireóide elimina o iodo restante e desta forma, quando acaba o iodo normal pode começar a eliminar o iodo radioativo inalado. (Exame)

Reator movido a plutônio sofre rachadura e crise se agrava no Japão


A crise nuclear japonesa agravou-se nesta quarta-feira, 16, com o anúncio de que o depósito de combustível atômico do reator 3 do complexo de Fukushima apresenta rachaduras. Ontem, um problema semelhante foi descoberto no terminal 2. A Tokyo Eletric Power Co. (Tepco), responsável pela usina, disse que o resfriamento do reator 3, movido a plutônio, é a "prioridade" para evitar um desastre de proporções maiores.

De acordo com o chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, a ruptura pode ter causado a nuvem de fumaça branca vista sobre o complexo no começo do dia (noite de terça no Brasil). Os níveis de radiação subiram e os 50 trabalhadores que lutam para resfriar os reatores foram retirados da usina. No final da noite (manhã de hoje em Brasília), a contaminação caiu e os técnicos - agora 180 deles - voltaram ao complexo.

O governo do Japão disse que os níveis de radiação fora do terreno da usina permanecem estáveis, mas, em um sinal de estar sobrecarregado, apelou às empresas privadas para ajudarem a entregar suprimentos às dezenas de milhares de pessoas que foram retiradas do entorno do complexo. "As pessoas não estariam em perigo imediato se saíssem de casa com esses níveis. Quero que as pessoas entendam isso", disse Edano.

Desde o terremoto de magnitude 9 que atingiu o país na última sexta-feira, três dos seis terminais do complexo de Fukushima sofreram explosões, um pegou fogo e outros dois têm temperaturas acima do normal. Ao menos 70% das barras de combustíveis do reator 1 foram danificadas com o colapso do sistema de resfriamento causado pelo terremoto, enquanto no reator 2, o dano ficou em 33% das barras.

Houve também repetidos vazamentos de radiação no ambiente. Foi decretada uma área de segurança de um radio de 20 quilômetros a partir da usina devido aos vazamentos de material radioativo, o que forçou a evacuação de mais de 200 mil pessoas que viviam na região. Além disso, outras 140 mil pessoas estão em um raio de 30 quilômetros do complexo.Em Tóquio, a radiação está 20 vezes acima do normal, mas ainda não representa risco à saúde, segundo o governo japonês. (AP)

Aldo Motoserra Rebelo quer aumentar ainda mais o desmatamento

O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) decidiu apimentar a discussão — já acalorada — sobre o novo Código Florestal Brasileiro. Contrariando as expectativas de que recuaria em algumas alterações na lei, diante da pressão de instituições de pesquisa, de ambientalistas e do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o relator do novo código vai sugerir uma possibilidade ainda maior de retirada das matas ciliares, que margeiam os rios e integram as chamadas áreas de preservação permanente (APPs). Aldo pretende incluir no relatório, aprovado por uma comissão especial da Câmara em julho do ano passado, a necessidade de se preservar apenas 50% da área de mata ciliar prevista na lei.

Uma das principais polêmicas do relatório do deputado é justamente a redução da área de mata ciliar. O texto aprovado na comissão especial diminui de 30m para 15m o tamanho do terreno que deve ser preservado às margens de rios com menos de 5m de largura. Para rios mais caudalosos, a área preservada é a mesma já especificada no código em vigor: de 30m a 500m, conforme o tamanho do rio .

O governo bloqueia compra de terras por estrangeiros


O governo decidiu bloquear negócios de compra e fusão, por estrangeiros, de empresas brasileiras que detenham imóveis rurais no País. Esse tipo de negócio estaria ocorrendo, segundo avaliação do Planalto, como uma forma de burlar restrições impostas no ano passado à compra e ao arrendamento de terras por investidores estrangeiros.

O bloqueio de novos negócios foi determinado em aviso encaminhado nessa terça-feira, 15, pela Advocacia-Geral da União ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Este repassará a ordem às juntas comerciais: operações de mudança do controle acionário de empresas proprietárias de áreas rurais envolvendo estrangeiros não poderão ser formalizadas. A partir do aviso, operações eventualmente fechadas podem ser suspensas na Justiça.

A criminosa destruição do cerrado e a conivência do ministro da agricultura


Cerrado: O mapa da destruição.
O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, pisou feio no pequi. Na semana passada, ao declarar que a expansão da fronteira agrícola nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia “não teria impacto ambiental nenhum”, pois “lá não tem nada, só cerrado”, Rossi cometeu um erro irreparável: além de ofender os amantes do pequi, deixou evidente qual a intenção do setor agropecuário sobre o cerrado brasileiro.

Pequi, para quem não sabe, é uma fruta característica do cerrado. De cor amarela, cheiro marcante e gosto peculiar, ele simboliza, entre outras coisas, a força e autenticidade desse rico bioma brasileiro. A árvore do pequi, o pequizeiro, é típica dessa vegetação. Tem galhos retorcidos, troncos com cascas grossas e folhas ásperas. Típico de regiões de solos ácidos e marcados por estações longas de seca.

Mas aqui não falo em “pequi” no sentido estrito da palavra. Não se trata de gostar ou não gostar daquela frutinha espinhosa – até porque, quanto ao gosto, ela divide opiniões. Falo do fato de o ministro ter ofendido milhões de brasileiros que entendem e respeitam um dos biomas mais complexos e fragilizados do país, o cerrado.

Apesar de ser tratado, muitas vezes, como o “primo pobre” de outros biomas ditos mais exuberantes, como o amazônico, o cerrado é considerado a mais rica dentre as savanas do mundo. Dos sete biomas do país, o cerrado abrange 24% do território nacional. Ele possui 5% de toda a biodiversidade mundial e, em suas chapadas, é onde estão localizadas as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco.

Devido à intensa ocupação urbana e à expansão ostensiva da agricultura e pecuária, o cerrado passou a ser um dos biomas mais ameaçados do mundo. Segundo a Conservation International Brasil (CI-Brasil), dos pouco mais de 2 milhões de km² de vegetação original de cerrado restam no país apenas 20%. Pela análise de pesquisadores, se a destruição do bioma seguir no ritmo acelerado em que se encontra, até 2030 o cerrado corre o risco de desaparecer. Por minuto, segundo a CI-Brasil, quase três campos de futebol são desmatados no cerrado.

Menos pessimistas, mas tão alarmantes quanto, estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a preocupação quanto ao bioma cerrado não é por acaso. De acordo com estudo do órgão, divulgado no ano passado, quase metade da área original de cerrado não mais existe. Segundo o IBGE, mais de 986 km² dessa vegetação (48,37%) foi desmatada até 2008.

Ao reduzir publicamente o cerrado a “nada”, Rossi deixou evidente que a expansão destruidora desse bioma brasileiro, intensificada nos últimos anos, não tem sido feita de maneira aleatória, mas premeditada. Sua afirmativa revela que parte do alto escalão da República tem, sim, tomado suas decisões a partir de uma mentalidade ignorante de que o cerrado é menos “floresta” do que outras “florestas” brasileiras. Com essa mentalidade, considera-se que o cerrado então pode ser desmatado indiscriminadamente para a produção, especialmente de grãos, para supostamente “alimentar o mundo” – como se essa expansão ostensiva se tratasse de um favor à sociedade.

O cerrado precisa deixar de ser tratado como moeda de troca, em que se propõe a preservação da Amazônia, em troca da permissão para abrir novas fronteiras no cerrado. Essa mentalidade precisa ser extinta. Do contrário, a perda de biodiversidade, incluindo a vida humana, será incalculável. Não há mais como condicionar as decisões políticas com base nesse pensamento que mais deriva do século XIX.

 
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