segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O projeto de infraestrutura para o Paraná do Beto Richa:

Brasil arde em chamas e expõe falta de estrutura para prevenir incêndios

Celso Junior/AE

A quantidade de queimadas em 2010 - maior em três anos - expõe a falta de estrutura para prevenir e combater os incêndios. Até quinta-feira, o País acumulava cerca de 72 mil focos de fogo. Em 2009, foram 26,2 mil e, em 2008, 44,7 mil. Apesar da gravidade, o tema demorou a receber uma resposta do governo e sequer entrou na agenda de campanha dos principais candidatos à Presidência da República.

Sem controle. Queimada em área de Cerrado em Brazlândia, cidade satélite de Brasília (DF). Só este ano, os focos de incêndio cresceram 174% em todo o País, em relação a 2009.

Contribuíram para agravar o quadro diversos fenômenos meteorológicos, entre eles o fato de o período seco ter começado mais cedo. Mas, para ambientalistas, o ponto central da questão é o uso do fogo na agropecuária, que, apesar de ser uma tecnologia arcaica, continua sendo muito utilizada e acaba fugindo do controle, provocando incêndios de grandes proporções.

"Os brasileiros usam o fogo como arado ou trator e a cinza como adubo", resume Paulo Adário, do Greenpeace. Para ele, é fundamental investir na capacitação do produtor e em assistência técnica. Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, reforça a ideia. "Temos um círculo vicioso do uso controlado do fogo por conta do atraso em programas de produtividade agrícola e pecuária. O desafio está na mudança dessa prática primitiva."

Além do problema ambiental, as queimadas trazem prejuízos aos produtores. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) não possui dados, mas admite que o tema preocupa. "As ações preventivas têm falhado. Para o ano que vem será preciso um plano de ação mais abrangente", diz Assuero Doca Veronez, presidente da Comissão de Meio Ambiente da CNA.

Veronez explica que, até então, as federações estaduais de agricultura e os sindicatos rurais têm atuado na orientação aos produtores para evitar os incêndios. "Será preciso unir forças com órgãos do governo para traçar um plano mais efetivo", diz.

Ele concorda que é preciso modernizar as práticas agrícolas, especialmente para os pequenos produtores no Norte e Nordeste. "A tecnologia para evitar o uso do fogo existe, a questão é disseminá-la. E isso requer política pública."

Faleceu Jane Setenareski

Faleceu ontem (domingo, 19), às 18h30, no Hospital São Vicente, Jane Setenareski, ex-presidente do Ceasa (Centrais de Abastecimento do Paraná S/A).

Jane Setenareski era uma antiga assessora e amiga pessoal do governador Orlando Pessuti.

O velório está sendo realizado nesta manhã na Capela Municipal de São José dos Pinhais, atrás do Shopping São José. Às 16 horas haverá uma missa de corpo presente na igreja da Colônia Murici e o sepultamento será às 17 horas.

Dilma tenta no TSE impedir Serra de ligá-la a Erenice



Josias de Souza na Folha Online

A coligação de Dilma Rousseff protocolou no TSE quatro representações contra a campanha do rival José Serra.

Na petições, pede-se ao tribunal que tome providências para deter a escalada de ataques da propaganda eletrônica de Serra.

Em três ações, reclama-se de peças que vinculam Dilma a Erenice Guerra, sucessora dela na Casa Civil. Foram ao ar na TV, no fim de semana.

A quarta reclamação trata de comercial radiofônico. O tucanato acusa Dilma de ter deixado um “rombo” na secretaria de Fazenda de Porto Alegre.

Neste domingo (19), o ministro Joelson Dias indeferiu pedido de liminar para suspender um dos comerciais sobre o ‘Erenicegate’.


A publicidade ligou Dilma a Erenice e sustentou que, eleita, a presidenciável do PT “não saberá escolher” os ministros e “não vai dar conta” de governar.

Os advogados de Dilma classificaram a peça de “injuriosa” . Por quê? “Pretende diminuir e menoscabar a candidata” do PT.

Em seu despacho, o ministro Joelson negou a concessão de liminar por entender que o programa de Serra apenas exerceu a “crítica política”.

Algo que não justitifica nem a suspensão da publicidade nem a concessão de direito de resposta a Dilma.

A decisão de Joelson, por liminar (provisória), terá de passar pelo crivo do plenário do TSE, composto de sete ministros.

Nas outras duas reclamações que tratam do ‘Erenicegate’, os advogados não incluíram pedidos de liminares. Por isso, ainda não houve deliberação.

Quanto ao comercial de rádio, coube à ministra Nancy Andrighi analisá-lo. Nesse caso, houve pedido de lininar (suspensão e direito de resposta).

Para os advogados de Dilma, a propaganda de Serra difamou a rival ao afirmar no rádio que ela “deixou a secretaria de Fazenda de Porto Alegre com um rombo”.

Um buraco “tão grande que a prefeitura precisou pedir um empréstimo no banco, para pagar os funcionários”.

Em sua decisão, a ministra Nancy negou a suspensão liminar do programa. Indeferiu também o pedido de direito de resposta.

A exemplo do colega Joelson, Nancy considerou que, também neste caso, o tucanato não extrapolou os limites da “crítica política”. Nada que ofenda a legislação.

Alheio à movimentação do comitê inimigo, Serra manteve a lança erguida. Em entrevista, voltou a grudar Dilma em Erenice.

Afirmou: Se Dilma não soube do tráfico de influência que correu sob Erenice, é “incapaz”. Se tomou conhecimento, é “cúmplice”.

Beto Richa, Ricardo Barros e Wilson Quinteiro na carreata em Paiçandu

ma grande carreata com mais de 300 veículos recebeu Beto Richa nesta sábado em Paiçandu, a 20 km de Maringá. Nas rua, Beto foi saudado com focos de artifício, buzinaços e bandeiras. Um grupo de funcionários da Sanepar aproveitou a presença de Beto na cidade para manifestar apoio ao candidato da Coligação Novo Paraná. “Somos contrários ao que acontece na Sanepar. Queremos uma empresa organizada, com objetivos e metas e não apenas com demagogia e política”, afirmou Paulo Batiston, funcionário da Sanepar em Maringá. “Vamos ter uma diretoria séria e competente. Vamos valorizar os funcionários e fazer a Sanepar voltar a ser referência nacional e orgulho do Paraná”, afirmou Beto.

João Herbert Garbelini, também funcionário da Sanepar, isse que está decepcionado com a forma como o ex-governador e candidato ao senado Roberto Requião tratou a população de Paiçandu, ameaçando o prefeito de não enviar recursos porque o prefeito cobrava uma passarela na rodovia. “Agora nós vamos votar no Beto, que é a pessoa com as propostas que nós escolhemos”, disse Garbelini.

O prefeito de Mandaguari, Cillênyo Pereira, presidente da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), que acompanhou a carreata, disse que Beto Richa é a melhor opção porque foi o melhor prefeito do Brasil por 10 vezes e será um governador ainda melhor. “Beto é jovem e não tem preguiça, tem vontade de trabalhar, atende bem as pessoas e tem clareza de propósitos.”

A vice-prefeita de Paiçandu, Maria Rita Braz Zirondi (PPS), disse que acompanha o trabalho de Beto Richa, que é nascido no norte do Paraná. “Temos que acreditar na força da juventude do Beto, na sua competência administrativa. Precisamos da duplicação da estrada Paiçandu a Maringá, de passarelas, de investimentos na saúde, na educação e na pavimentação asfáltica. Ele vai fazer tudo isso por nós, como fez por Curitiba”, disse ela.

IBGE aponta ligação entre renda e nível de educação

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira, indicam que as desigualdades estão diminuindo no que diz respeito ao acesso ao sistema educacional. No entanto, o nível do rendimento familiar ainda é uma fonte de desigualdade importante, sobretudo nos ciclos de ensino não obrigatórios.

Entre 1999 e 2009, a educação infantil (0 a 5 anos), foi o nível de ensino que mais cresceu em termos de frequência (de 32,5% para 40,2%), mas, nessa faixa etária, apenas 30,9% das mais pobres frequentavam creche ou pré-escola. Este percentual aumenta para 55,2% entre os 20% mais ricos.

Na faixa dos 6 a 14 anos, que corresponde ao ensino fundamental, o acesso à escola era praticamente igual em todos os níveis de rendimento. Entre 15 e 17 anos a possibilidade de estudar atingia 82,6% em média. A diferença entre os mais pobres e os mais ricos chegava a quase 13 pontos percentuais.

No grupo das pessoas de 18 a 24 anos de idade, 14,7% declararam somente estudar, 15,6% conciliavam trabalho e estudo, 46,7% somente trabalhavam. Outros 17,8% informaram realizar afazeres domésticos e 5,2% não realizavam nenhuma atividade. No grupo de 16 a 24 anos, 22,2% recebiam até meio salário mínimo no mercado de trabalho. No Nordeste, esse percentual quase dobrava. Além disso, 26,5% das pessoas nessa faixa etária trabalhavam mais de 45 horas semanais.

No universo dos jovens de 15 a 24 anos, quase 647 mil, o que correspondia a 1,9%, eram analfabetos, e a maioria 62 % deles estava no Nordeste, seguido pelo Sudeste com 19.

Paraná: Arquibancada cai em Quatro Pontes e deixa 112 feridos

Julio Cesar Lima

A quinta etapa da Prova de Arrancadão, em Quatro Pontes, no Oeste do Paraná, a 590 km de Curitiba, teve final trágico. Assistida por aproximadamente 5 mil pessoas, a prova foi suspensa após a queda de um trecho de arquibancada, onde cerca de 500 espectadores acompanhavam o evento. O acidente provocou ferimentos em 112 pessoas, conforme o Corpo de Bombeiros de Toledo.

Desastre. Para bombeiros, queda foi causada por falha estrutural ou excesso de chuvas
Não houve registro de morte, mas um jovem, cuja identidade não foi revelada, continuava em observação no hospital de Toledo, em estado grave, até 23 horas. A empresa organizadora do evento não se pronunciou. Já o Corpo de Bombeiros de Toledo, que liderou o trabalho de resgate das vítimas, deve iniciar a perícia do local e divulgar um laudo sobre o acidente nesta semana.

Ontem, ninguém soube informar se a realização da prova atendia a todos os critérios de segurança. Uma das hipóteses levantadas pelos bombeiros durante o resgate é a de que pode ter ocorrido algum tipo de falha na estrutura ou o terreno onde estava localizada a arquibancada caída pode ter cedido - por causa das chuvas que correram na região durante a madrugada de domingo. A arquibancada, porém, foi contratada pela empresa organizadora de outra terceirizada.

Com relação às vítimas, a maioria delas foi levada para a Unidade de Saúde de Marechal Cândido Rondon, para o Hospital Bom Jesus, em Toledo e para outras unidades em Cascavel, após sofrerem quedas de até 5 metros.

Pré-sal já tem 29 bilhões de barris comprovados

André Magnabosco / SÃO PAULO, Nicola Pamplona/ RIO/AE

Certificadora da ANP divulgou na sexta-feira confirmação de mais 15 bi a 20 bi de barris, com 70% de probabilidade de acerto.

As reservas do pré-sal da Bacia de Santos podem conter 15 a 20 bilhões de barris, além dos 14 bilhões confirmados pela Petrobrás até agora. A projeção é da certificadora Gaffney, Cline & Associates, em relatório elaborado por encomenda da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Entre maiores. Potencial do pré-sal é equivalente ao de grandes bacias produtoras mundiais.

Segundo o trabalho, o potencial do pré-sal é equivalente ao de grandes bacias produtoras mundiais, como as areias betuminosas canadenses e a faixa do Orinoco, na Venezuela.

O relatório foi feito para auxiliar a ANP nas negociações com a Petrobrás para venda de barris do pré-sal no processo chamado de cessão onerosa, que garantiu ao governo recursos para participar da capitalização da estatal. A ANP costuma trabalhar com um potencial de 50 bilhões de barris para o pré-sal, mas é a primeira vez que reservatórios fora das concessões da Petrobrás são certificados oficialmente.

Serra em relação ao envolvimento da Dilma no caso Erenice: "Ou ela não é capaz ou é cúmplice"






"De duas, uma: ou ela, como dirigente, não é capaz, porque um esquema que dura quatro, cinco, seis, sete anos, não há como quem está em cima não saber. Ou então, ela é cúmplice. Não há uma terceira hipótese"

Entidades reagem a ataques de Lula

Lucas de Abreu Maia - O Estado de S.Paulo

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti, definiu ontem como "um desserviço à Constituição e ao Brasil" as críticas feitas à imprensa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, durante comício eleitoral de sua candidata, Dilma Rousseff, em Campinas. Além da OAB, várias outras entidades de defesa da liberdade de imprensa se manifestaram contra o discurso feito pelo presidente.


Mauricio Lima/AFP

Formadores. Lula em comício: "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos"

Segundo o presidente da OAB, a atitude de Lula "demonstra uma certa intolerância com um princípio constitucional que é vital para o fortalecimento da democracia: a liberdade de expressão". E prosseguiu: "Quando o líder maior da nação se coloca contra a liberdade de imprensa, isso é um desserviço à Constituição e ao Brasil".

Lula havia dito, no comício, que alguns jornais e revistas se comportam como partido político. "Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político", declarou. Irritado com recentes reportagens a respeito de tráfico de influência e irregularidades praticadas por funcionários ligados à Casa Civil, o presidente foi adiante: "Essa gente (imprensa e tucanos) não me tolera." As reportagens, segundo ele, são intolerância, ódio e mentira. "Existe uma revista que não lembro o nome dela (sic). Ela destila ódio e mentira."

Na avaliação de Lula, "eles não se conformam que o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública". E definiu: "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos". Em seu entender, "se o dono do jornal lesse seu jornal ou o dono da revista lesse sua revista, eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo."

Para Cavalcante, porém, "a imprensa brasileira vem formulando denúncias a partir de fatos". Trata-se de "denúncias sérias, denúncias que precisam efetivamente de apuração e de um retorno por parte do Estado brasileiro", completou o presidente da OAB. "A democracia livre tem imprensa livre. O governante pode até não gostar das críticas que são feitas, mas cabe a ele - é seu dever constitucional- apurar e conviver com esse tipo de crítica que é algo extremamente normal. Até porque, quando ele (Lula) estava na oposição, também fazia críticas aos governos existentes, e tenho certeza de que as críticas que ele fez, ou que o partido dele fez, naquele momento foram importantes para o fortalecimento da democracia."

A entrevista completa da Erenice para a "Isto é": "Meus filhos vão ter que viver todos à minha custa?"


Erenice Guerra admite que não tem controle sobre o trabalho do filho, diz que foi traída e se considera vítima de uma campanha
Octávio Costa e Sérgio Pardellas Fotos: Roberto Castro/Ag. ISTOÉ


“Meu filho se chama Israel, não Verônica.
Não sou o Serra, que briga para manter o sigilo da filha"

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

ISTOÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção. Uma opção pela minha vida pessoal, minha família, meus filhos e minha mãe, que sofre com tudo isso. Resolvi, então, parar um pouco para proceder à defesa adequada de minha honradez e de minha seriedade profissional. Entendi que era o momento de dar um basta e dizer: “Senhor presidente, agora eu preciso de paz e de tempo para que eu possa defender a mim e a minha família dessa campanha difamatória.”

ISTOÉ – Por que existiria uma campanha difamatória contra a sra.?
Erenice – Na minha opinião, ela está absolutamente vinculada ao momento político-eleitoral. E é impiedosa e cruel, em que pese eu ter respondido de pronto às imputações e providenciado que fosse feita investigação das denúncias administrativas pela Comissão de Ética e pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia Federal. Isso, além de ter aberto todos os meus sigilos bancário, fiscal e telefônico.


"Há uma disputa de cargos no futuro
governo, o que é natural"


ISTOÉ – A sra. conhece bem o trabalho de seu filho Israel Guerra para garantir que ele é inocente?
Erenice – Uma pessoa que trabalha a quantidade de horas que eu trabalho por dia, que sai de casa antes das nove da manhã e só volta depois das nove da noite, não tem condições de acompanhar trabalho nem de filho, nem de irmão, nem de ninguém. Mas eu conversei com meu filho e, conhecendo o filho que tenho, acredito nas afirmações que me foram feitas por ele. Ele me garantiu que, em nenhum momento, ultrapassou os limites da ética e da conduta que deveria ter. E ele sabe a mãe que tem. Eu jamais aceitaria ou faria movimento no sentido de privilegiar alguém.

ISTOÉ – A sra. nomeou o presidente e um diretor de operações dos Correios. Seu filho Israel Guerra, que trabalhou na Anac, aparece prestando consultoria a uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), que obteve renovação de concessão na Anac e, em seguida, ganhou uma concorrência milionária nos Correios. Não é muita coincidência?
Erenice – Troquei sim a diretoria dos Correios por determinação do presidente da República, porque a estatal estava num processo de declínio na prestação de serviço. Troquei o diretor de operações, o presidente e o diretor de recursos humanos. Creio que pago um preço por isso, mas não me arrependo. Do ponto de vista da minha conduta de servidora pública, era o que deveria ser feito para o resgate da credibilidade dos Correios. Israel prestou serviço para um sujeito chamado Fábio Baracat, que se intitulava dono de uma empresa chamada Via Net, mas nunca prestou serviço para uma empresa chamada MTA. A própria Anac reconhece que renovou a concessão da MTA porque eles regularizaram toda a documentação. A MTA ganhou e perdeu licitações nos Correios. E o tal contrato com a Via Net, que seria a empresa do Baracat, jamais foi assinado pelo meu filho. Então, é uma história muito confusa. Meu filho nunca teve contato direto com a MTA e eu muito menos.

ISTOÉ – A sra. se encontrou com Fábio Baracat na sua residência, na de seu filho ou em outro local?
Erenice – Eu fui apresentada ao Baracat pelo meu filho na condição de amigo dele. É um rapaz bem apessoado, bem formado, conversa bem, me parece até que é mais novo que meu filho. Para mim era mais um amigo. Conheci socialmente, como outros tantos amigos que meu filho já me apresentou. Não conversamos nada além do trivial de um encontro social.

ISTOÉ – Mas o fato de seu filho se relacionar, trabalhar e prestar consultoria a empresários que têm interesse em negócios com o governo não pode ser considerado tráfico de influência?
Erenice – A sociedade precisa refletir sobre essa questão. Depois que uma pessoa passa a exercer cargo público, seus filhos devem parar de se relacionar, trabalhar e ter amigos? Ou as pessoas com quem ele se relaciona previamente precisam apresentar currículo para dizer o que fazem? E se essa pessoa for um empresário? Ele tem que ser, a priori, já eliminado do seu círculo de relações, pois eventualmente, no futuro, pode vir a participar de uma licitação e eu, como estava ocupando uma pasta muito ampla, teria teoricamente influência sobre qualquer área? O que será dos meus filhos e dos meus parentes? Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?

ISTOÉ – Já houve casos em Brasília em que filhos de ministros venderam facilidades. Possuíam consultoria e escritórios e se ofereciam para abrir portas. Podem ter sido vendidas facilidades em seu nome?
Erenice – O que impede alguém, a não ser a ética, de se vender por aí como uma pessoa que tem acesso à ministra e pode facilitar qualquer tipo de negócio? Essa é uma vulnerabilidade à qual estou exposta.

ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

ISTOÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

ISTOÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição

ISTOÉ – Se eventualmente houve tráfico de influência na Casa Civil, como a sra. aventou, foi sem seu conhecimento?
Erenice – Absolutamente sem o meu conhecimento. Eu jamais admitiria um negócio desses. Por que eu faria isso? Por que eu deixaria que minha honra e minha história profissional se sujassem por conta de tráfico de influência no local em que trabalho? Sou uma mulher madura, vivida. Sei onde estou, o que estou fazendo.


“Fala-se muito em fogo amigo, mas prefiro não
me manifestar. Seria uma dor a mais"


ISTOÉ – Como a sra. está lidando com esse episódio?
Erenice – Eu diria que é só mais uma dor nesses dias tão dolorosos. Mas o importante é que se apure com rigor, independentemente de eu não estar mais lá. Tive uma conversa com o Carlos Eduardo (Esteves Lima), que ficou como ministro, sobre a necessidade de averiguar e não deixar pedra sobre pedra, porque quem me conhece sabe que não permitiria coisa parecida. Por muito menos, determinei a abertura de processos administrativos dentro da Casa Civil. É óbvio que se eu imaginasse qualquer tráfico de influência na Casa Civil teria determinado as medidas investigativas necessárias. Se não fiz, foi porque isso não me ocorreu. Agora será feito.

ISTOÉ – A sra. se sentiu em algum momento abandonada pelo governo?
Erenice – De forma nenhuma. Eu fui tratada com solidariedade durante todo esse tempo. É óbvio que isso está diretamente ligado à disputa eleitoral, à necessidade de a oposição gerar fatos novos. O fato da quebra de sigilo se esgotou. Serra percebeu claramente que falar de quebra de sigilo não era uma boa tônica, então vamos falar de outra coisa. E a Erenice foi a bola da vez, até porque eu simbolizo uma proximidade, uma relação de confiança com a candidata Dilma, que está na frente.

ISTOÉ – Dilma foi solidária? Chegou a ligar?
Erenice – Conversamos e a Dilma não tem dúvida sobre a minha conduta.

ISTOÉ – A sra. teve apoio do presidente?
Erenice – Conversei com o presidente e ele foi muito amoroso comigo. E reiterou a confiança que tem na minha pessoa, mas achou que é um direito meu fazer agora os trabalhos que eu preciso fazer. Conversar com os meus advogados, abrir os processos para provar que eu não tenho participação, que não tive nenhum benefício.

ISTOÉ – A sra. chama as denúncias de campanha difamatória e as atribui à oposição? Não poderia, de repente, ser fogo amigo?
Erenice – Se fala muito em fogo amigo, mas eu prefiro não me manifestar sobre isso. Até porque seria uma dor a mais. Há uma disputa de cargos no futuro governo, o que é natural.

ISTOÉ – A sra. está tranquila com a investigação da CGU?
Erenice – Eu lhes asseguro que toda a minha família disponibiliza seu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Eu não sou o Serra que briga para manter o sigilo da filha. Meu filho se chama Israel, e não Verônica. Ninguém está brigando na Justiça para manter o sigilo. Todos nós estamos dizendo: “Os nossos sigilos estão abertos.” Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Essa postura é de alguém que se sente tranquila.

ISTOÉ – O que a sra. pretende fazer daqui para a frente?
Erenice – Respirar. Agora tenho que descansar. Ter tempo de fazer a defesa da minha honra e da legitimidade de todos os meus atos. De minha história de vida. Eu tenho clareza e certeza de que sou uma boa profissional. Não tenho problemas de emprego, de como me sustentar ou como viver. Mas não posso perder minha credibilidade. Não posso viver sem honra. É inadmissível.

ISTOÉ – Ao fim e ao cabo das investigações, a sra. tem a convicção de que as acusações não se sustentarão? A sra. pode afirmar isso?
Erenice – Tenho absoluta certeza. Não se sustentarão. A única coisa que lamento é que eu não terei o mesmo espaço ocupado pelas denúncias para divulgar minha inocência. Mas buscarei na Justiça o direito de resposta.

 
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