sexta-feira, 9 de março de 2012

Carlinhos Cachoeira deu dinheiro para caixa 2 de candidato petista

Caixa dois


Carlinhos Cachoeira, preso na semana passada em uma operação da Polícia Federal contra jogos de azar, abasteceu o caixa dois de uma campanha petista em Goiás.

É o que revelam dois vídeos que circulam desde o início da semana entre políticos de Goiás com o flagrante de uma conversa entre o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO) e o bicheiro.

No primeiro diálogo, Cachoeira oferece 100 000 reais para ajudar o petista e insinua já ter contribuído com a mesma quantia para o candidato em outra oportunidade.

Na segunda conversa, a negociação do caixa dois de campanha fica ainda mais nítida. Cachoeira ensina ao petista – que concorda com todas as frases ditas – como proceder com o dinheiro:

- Eu não posso aparecer não. (…) E o 100 000, não declara não.

De fato, tal quantia nunca foi declarada ao TRE por Otoni.

Procurado, Otoni afirma que a conversa filmada aconteceu em 2004, quando lançou-se candidato a prefeito de Anápolis (GO). Na ocasião, o petista conta que lideranças políticas e empresariais de Goiás o procuraram para ajudar Cachoeira a reerguer a Vitapan, sua empresa de produtos farmacêuticos.

Como não ajudou Cachoeira durante aquele período, Otoni diz que virou desafeto do bicheiro. Há anos, o petista diz ser chantageado com a possibilidade de divulgação dos vídeos.

Sobre o dinheiro oferecido para a campanha, no entanto,

o deputado não esclarece porque aparece no vídeo aceitando a oferta do bicheiro.

- Não recebi um real dele. Isso é perseguição.

Na semana passada, uma investigação da PF revelou grampos com conversas do bicheiro com vários políticos. Entre eles, Demóstenes Torres (DEM/GO), que tem 300 horas de diálogos com o Cachoeira gravados.

Cientistas do CERN conseguem enxergar pela primeira vez dentro da antimatéria

Cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN) conseguiram "enxergar" pela primeira vez dentro da antimatéria, o que forneceu informações inéditas sobre sua estrutura interna.

Jeffrey Hangst, o porta-voz do experimento que busca a antimatéria, o ALPHA, anunciou nesta quarta-feira que foi realizada "a primeira, embora modesta", medida do espectro do antiátomo, no caso do antihidrogênio, um "avanço enorme" no caminho para decifrar um dos mistérios mais
profundos da física e das partículas e talvez para entender a própria existência do Universo.

"O que estamos fazendo é olhar dentro da antimatéria, dentro de um átomo de matéria, pela primeira vez. Estamos estudando isto da mesma maneira que os físicos atômicos estudaram o hidrogênio, o hélio e outros átomos da tabela periódica, estamos tratando o átomo de antimatéria da mesma maneira", afirmou.

"É um passo enorme que nunca tínhamos conseguido até agora", acrescentou Hangst. As conclusões da pesquisa foram publicadas no último número da revista científica "Nature".

Vivemos num mundo aparentemente formado unicamente por matéria, apesar de antes do Big Bang (a explosão que deu origem ao Universo há 14 bilhões de anos) a matéria e a antimatéria existiram na mesma própria proporção.

Portanto, conhecer a estrutura do antiátomo é penetrar no desconhecido e desafiar as leis vigentes da física.

A medida do espectro do antihidrogênio realizada no CERN representa um enorme avanço pois permite comparar o hidrogênio com seu equivalente de antimatéria e poderia explicar "por que a natureza teve uma preferência pela matéria ao invés da antimatéria".

"Demonstramos que podemos comprovar a estrutura interna do antihidrôgenio e agora sabemos que é possível projetar experimentos para fazer uma medida detalhada dos antiátomos", explicou Hangst.

O modelo padrão da física estabelece que o hidrogênio e seu antiátomo deveriam possuir um espectro idêntico. O responsável pelo ALPHA explicou que o objetivo é confirmar ou descartar se existe uma diferença entre os dois espectros, para estabelecer se o modelo padrão -a teoria que descreve as interações fundamentais conhecidas entre as partículas que compõem a matéria- é aplicável também à antimatéria.

"Esta é a primeira medida espectroscópica que se conseguiu. Repetimos o experimento cerca de 300 vezes para obter o resultado", comemorou o cientista, que adiantou que durante os próximos anos se trabalhará para melhorar a exatidão das medidas.

"Com a precisão atual não é possível verificar as diferenças entre as medidas de hidrogênio e antihidrogênio, por isso no futuro empregaremos outros mecanismos de medida, como o laser", disse.

Em junho do mês passado, o ALPHA conseguiu reter pela primeira vez átomos de antimatéria durante mais de dezesseis minutos, tempo suficiente para começar a estudar suas propriedades. (EFE)

Perua depenada!!!! Val Marchiori perde domínio de seus bens na Justiça

A PENOSA QUE VIROU PERUA

Na semana passada, a mais polêmica das integrantes foi obrigada a descer do salto por conta de um processo movido pelo dono da rede Big Frango. Na justiça, o empresário pediu a alienação dos bens de Valdirene Aparecida de Marchiori, mais conhecida pelo público por Val Marchiori.

Segundo Ulinski, Val usufruía de forma errônea da Torke Empreendimentos e Participações, empresa aberta pelo empresário em nome dos filhos Victor e Eike, fruto do relacionamento de Val e Ulinski.

Na justiça, o pai dos gêmeos pediu que Valdirene não tivesse mais total controle sobre a Torke, pois a vida empresarial da socialite era repleta de dívidas, o que afetava os filhos Victor e Eike.

Na decisão judicial, Val perde o controle financeiro da empresa e o juiz ordena que ela devolva os bens para Eike e Victor.

De acordo com a assessoria do dono da Big Frango, os bens que foram alienados são o apartamento em São Paulo e todos os carros, que estavam em nome da Torke Empreendimentos. A famosa casa em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, o avião e o helicóptero vistos no reality show da Band eram todos alugados também usando o nome da empresa dos filhos.

Em entrevista ao R7, o Sr. Evaldo fala sobre sua relação com Val Marchiori e inclusive cita possíveis maus-tratos em relação aos gêmeos. Segundo ele, na fase de amamentação, os gêmeos eram alimentados com refrigerante.

Jorge Bentes: Como conheceu Val?
Evaldo Ulinksi:
A conheci por intermédio de um de seus amantes, Sr. P.M., proprietário de um abatedouro de frangos.

Ela foi sua esposa ou amante?
Ulinski:
Não foi esposa e não foi amante, em verdade tivemos uma aventura sexual que culminou com a gravidez dela e, consequentemente, uma vez verificado por exame de DNA a paternidade, assumi minhas responsabilidades de pai.

Quanto tempo ficaram juntos?
Ulinski:
Nunca fiquei junto a ela, nunca fui casado com ela, nunca tive a intenção de ficar com ela, de constituir família. Sou apenas pai dos filhos dela e, que fique bem claro, sou casado há mais de 41 anos com a Sra. Nylcéia Ulinski, vivendo e convivendo somente com ela.

Ela já era rica quando o senhor conheceu ela?
Ulinski:
Não sei da vida financeira dela, sei apenas que possuía uma série de amantes quando a conheci, sei que os manteve e acrescentou mais alguns à lista.

Sobre seus filhos, como é o tipo de tratamento que ela dá a eles?
Ulinski:
O tratamento é péssimo. Ela nunca os amamentou, vivem na mão de babá, chegou ao absurdo de dar Coca-cola para eles em substituição do leite na mamadeira para que não engordassem e ao cúmulo do absurdo quando os deixou de acompanha-los em consulta médica de urgência, simplesmente porque tinha de ir à academia. Saber disso, me parte o coração, meus filhos não merecem esse tratamento, têm um pai e uma família que os ama e os quer, para bem cuidar e educar.

Val Marchiori
Documento enviado pela assessoria jurídica do Sr. Evaldo Ulinski ao R7



Acusações

Diante do tumultuado processo de separação, Val Marchiori fez inúmeras acusações ao empresário do Paraná.

Ao R7, a assessoria jurídica do Sr. Evaldo enviou o posicionamento do dono da Big Frango sobre os principais assuntos comentados na mídia.

Sobre acusação de ameaça de morte contra Val:

“Não há sentido em tal afirmação pois, como é público e notório, Evaldo Ulinski sempre foi um cidadão que pautou sua conduta pacificamente, dentro dos ditames da lei, sendo uma pessoa respeitada por seus pares, em todo o País, inclusive tendo sido agraciado com o títulos de Cidadão Honorário do Paraná, honraria concedida pela Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, por unanimidade, justamente por seu histórico como empresário reto que sempre busco agir na mais absoluta legalidade, jamais tendo ameaçado quem quer que seja, ou mesmo atuado em desacordo com a legislação do País.”

Providências do Sr. Ulinski:

“Justamente por entender que o Poder Judiciário é a sede correta para fazer valer seus direitos, os procedimentos legais já estão sendo encaminhados e serão protocolados nos foros competentes, onde um juiz de direito decidirá em procedimentos persecutórios penais, propostos por Evaldo Ulinski em face de Valdirene Marchiori, pelos absurdos que estão sendo veiculados, sem um mínimo de elementos que corroborem tais absurdos.”

Sobre a existência de medidas cautelares previstas na Lei Maria da Penha para Valdirene:

“Até o presente momento desconhecemos quais medidas protetivas que, se de fato existem, serão contraditadas, pois sua origem somente poderia ser intentada, unilateralmente, ou seja, por factóides levados as autoridades. Sendo assim, também em eventual existência de tal procedimento, os documentos inerentes a prova cabal de sustentação probatória para a existência de medida judicial, serão devidamente anexados para a decisão das autoridades competentes.” (R7)

PMDB e PT cada vez mais distantes no Paraná

Aliados durante os oito anos do governo Requião, PMDB e PT estão cada vez mais distantes no Paraná. E tendem a se afastar ainda mais a partir das eleições municipais deste ano. A começar por Curitiba, onde uma ala peemedebista trabalha nos bastidores para aproximar o partido da candidatura à reeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB) já de olho na sucessão estadual em 2014. A intenção do grupo é não só emplacar a vaga de vice de Ducci na eleição deste ano, como também a indicação de candidato a vice na chapa de reeleição do governador Beto Richa (PSDB) daqui a dois anos.

Oficialmente, o PMDB curitibano, presidido pelo senador Roberto Requião, lançou a pré-candidatura do ex-deputado estadual Rafael Greca à prefeitura da Capital. Na Assembleia Legislativa, porém, a bancada peemedebista, maior da Casa com 13 deputados, aderiu em massa à base do governador Beto Richa, principal “padrinho” da candidatura de Ducci.

O tucano trabalha para atrair os peemedebistas para o palanque do sucessor e aliado também pensando em seu próprio projeto de reeleição em 2014. Com isso, espera isolar o PT que tem como nome natural para a disputa pelo governo a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

O próprio Requião, segundo parlamentares do PMDB, teria interesse nessa aproximação, apesar de publicamente não admiti-la. De acordo com essa versão, o lançamento da pré-candidatura de Greca seria apenas uma “cortina de fumaça” para valorizar o partido em uma futura negociação para apoiar o atual prefeito. Em troca, o senador seria depois compensado com a nomeação de seu irmão, Maurício Requião, para conselheiro do Tribunal de Contas. Maurício chegou a ser indicado em 2008 para o cargo, mas foi afastado do posto por conta de uma ação judicial.

Não por acaso, Requião tem sido o maior crítico da aproximação entre do PT com a candidatura do ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) à prefeitura da Capital. Depois de barrar o retorno de Fruet ao PMDB, o senador passou a acusar os petistas de se aliarem a um antigo adversário do governo Lula. No início da semana, o diretório municipal do PMDB, presidido por Requião, divulgou um manifesto criticando os petistas por cogitarem abrir mão de um candidato próprio para apoiar o pedetista.

Pacote — Enquanto ataca os antigos aliados, Requião faz “vista grossa” as articulações dos deputados do PMDB em favor da aproximação da aproximação do partido com a candidatura de Ducci. Entre os líderes dessa articulação estão parlamentares próximos ao senador, como o ex-líder do governo na Assembleia e atual secretário do Trabalho do governo Richa, Luiz Cláudio Romanelli, e o deputado Alexandre Curi.
No “pacote”, além da indicação do vice de Ducci para este ano e de Richa para 2014, os peemedebistas sonham ainda em conquistar a presidência da Assembleia Legislativa. Para isso, os parlamentares querem que o governador não interfira na sucessão do atual presidente, deputado Valdir Rossoni (PSDB), marcada para o final do ano.

Entre os petistas, a movimentação de bastidores de Requião e seu grupo não passou despercebida. Ex-presidente do partido no Estado, o deputado federal André Vargas afirmou, no início da semana, que o senador seria “Ducci desde criancinha”, ao comentar o manifesto peemedebista que criticou a articulação do PT para apoiar Fruet. (Bem Paraná)


OAB quer parar obra de hidrelétrica Belo Monte. Ordem questiona falta de compensação do governo para as comunidades afetadas

A obra da usina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu (PA), pode sofrer mais um atraso. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu nesta segunda-feira (7) a “completa e imediata paralisação” do projeto até que o governo apresente as devidas compensações às cidades e comunidades afetadas pela construção.

Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, o governo deve cumprir todas as condicionantes para a execução do projeto.

- A postura do governo federal é contraditória, não tem respaldo legal, e a OAB não pode concordar com esse tipo de licença parcial não prevista em lei, que remete para depois o cumprimento de todas as condicionantes - ou seja, as compensações a serem dadas a todos os municípios em torno de Belo Monte, em função dos impactos ambientais e sociais que sua construção pode acarretar àquela região.

A licença concedida no final de janeiro pelo Ibama autoriza a construção de canteiros de obra próximos ao Rio Xingu, acampamento e aberturas de estradas de acesso ao local. O Ministério Público Federal no Pará questionou a medida justamente por causa do não cumprimento das condicionantes socioambientais.

- Belo Monte só pode iniciar sua construção mediante o cumprimento dessas condicionantes, pois são condições essenciais para o início da execução das obras, e sem isso é ilegal o início das mesmas. Ao dar esse tipo de licença parcial, o governo está rasgando a lei e entrando em contradição com a própria natureza desse tipo de licenciamento.

O presidente nacional da OAB pediu que a Justiça Federal no Estado do Pará analise com urgência a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal para paralisação imediata das obras.

- Não se pode continuar nessa atitude colonialista do governo federal em relação aos Estados, sobretudo no que diz respeito a esses grandes projetos nacionais; é preciso maior participação dos Estados e da sociedade.

Ele lembrou que a usina de Belo Monte tem importante repercussão pela sua contribuição ao sistema elétrico do País, o qual deu recentemente mostras de exaustão, ao registrar um apagão em oito dos nove estados do Nordeste. "Portanto, os estados não podem ser meros expectadores da implantação desses projetos, eles precisam ser protagonistas, pois é de lá que vai ser retirada a energia, os minérios, e tudo isso à custa do meio ambiente e dos impactos para a sociedade em geral". (R7)


PRONUNCIAMENTO DE VALÉRIA PROCHMANN NA SESSÃO SOLENE ALUSIVA AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA - 8 DE MARÇO DE 2012

Valéria Bassetti Prochmann

Excelentíssimas autoridades:

Vereadoras Julieta Reis – que me dignifica com esta homenagem, a quem muito honrada agradeço -, Professora Josete, Dona Lourdes, Renata Bueno, Noêmia Rocha e Nely Almeida, em nome das quais cumprimento todos os vereadores que prestigiam esta sessão especial;

Dignos representantes de entidades comunitárias já nominados;

Companheiras de homenagem Angela, Cecília, Dayana, Dirce, Dora, Elaine, Eliana, Erika, Florlinda, Hedy, Isabel, Izabel, Jane, Janete, Liana, Loide, Lucimara, Mara, Michely, Regina, Rita de Cássia, Rosa, Roseli, Solange, Sonia, Terezinha e Terry – mulheres com significativa presença em nossa sociedade, o que dá a dimensão da minha responsabilidade ao aqui representá-las.

Senhoras e Senhores:

8 de Março é mundialmente celebrado como Dia Internacional da Mulher. Segundo o registro tradicional, a data faz alusão ao sacrifício de 129 operárias que protestaram contra condições de trabalho indignas e morreram num incêndio criminoso, em 1857, em Nova York. Segundo versão alternativa, tal incêndio ocorreu em 25 de março de 1911 na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, vitimando 146 pessoas, das quais 123 mulheres. O fato contribuiu decisivamente para a melhoria das condições de segurança do trabalho. Pesquisas alternativas sugerem ainda que a data remete a uma manifestação de milhares de mulheres ocorrida em Petrogrado, Rússia, em 1917, em protesto contra a escassez e os altos preços dos alimentos, que culminou com a adesão dos soldados. A verdade histórica é que a data celebra o protagonismo de mulheres em ações organizadas de caráter coletivo como fato social, político e cultural significativo. Tal protagonismo tomou impulso após as duas Grandes Guerras Mundiais, quando as mulheres assumiram os postos de trabalho e o sustento dos lares. Os movimentos de mulheres determinaram importantes transformações comportamentais ocorridas no século 20 em todo o mundo.

Em 1910, a feminista alemã Clara Zetkin propôs o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora num congresso em Copenhage, Dinamarca, com foco no direito ao voto. No Brasil, a organização de mulheres como fenômeno social teve início no final do Século 19 pelo direito de estudar e tomou vulto nos anos 30, com o chamado movimento sufragista que culminou com a conquista do direito ao voto em 1932.

Em 1975 a Organização das Nações Unidas estabeleceu o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher. Foi precisamente nesse ano – quando eu tinha 9 anos de idade – que o tema despertou minha atenção, numa aula sobre o Ano Internacional da Mulher. A partir daí, minha história pessoal mesclou-se com as lutas democráticas e femininas, no contexto dos regimes militares que no Brasil e em países vizinhos da América Latina impediam em nações inteiras o exercício da cidadania e da democracia e oprimiam brutalmente suas populações. Destaco a intensa participação feminina nos movimentos contra a carestia, nos comitês pela Anistia em 1979, nas eleições diretas dos governadores oposicionistas em 1982 e na campanha das Diretas que inundou o país de verde e amarelo em 1984. Foi nesta época que os governadores eleitos Franco Montoro em São Paulo, Tancredo Neves em Minas Gerais e José Richa no Paraná criaram os primeiros conselhos estaduais da condição feminina - órgãos de Estado empenhados na promoção da cidadania da mulher – e as delegacias da mulher – que tiraram a violência doméstica do contexto intramuros. Estivemos presentes e fomos partícipes do primeiro comício brasileiro realizado em 12 de janeiro de 1984 em Curitiba e na caravana que levou a campanha a 44 municípios paranaenses. Em cada um deles, reuníamos as mulheres mobilizadas, que escolhiam uma representante para falar em seu nome. Quando algum cacique político tentava impedir a fala feminina, o cantor Wando – que nos acompanhava – se recusava a cantar, garantindo assim a nossa representação nos palanques. Fomos também à tomada do Congresso Nacional em Brasília a uma semana da votação da emenda Dante de Oliveira que restabeleceria as eleições diretas para presidente – fizemos um comício em pleno voo e também uma vigília na Assembleia Legislativa do Paraná, junto com todo o Brasil, na noite que antecedeu a sua derrota na votação. A maioria de nós houve por bem então reunir-se à campanha intitulada Nova República para eleger Tancredo Neves no colégio eleitoral a fim de reconquistar a democracia perdida. No governo de transição, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, presidido por Jaqueline Pitanguy, que liderou as mulheres brasileiras no processo da Assembleia Nacional Constituinte.

Este foi o mais importante capítulo da luta feminina por cidadania na história brasileira recente. Importa relembrar para as mais maduras como eu e contar às mais jovens aqui presentes o panorama de injustiça no qual vivia a mulher brasileira naquela época.

Ao marido cabia a chefia da sociedade conjugal, incluindo o pátrio poder, a decisão sobre o domicílio da família e o direito de devolver aos pais a esposa que não fosse virgem ao se casar. À mulher, restava obedecer, pois era considerada parcialmente incapaz pela legislação civil, que empregava a expressão "mulher honesta" para referir-se à conduta sexual feminina. Mãe que não tivesse marido era qualificada como "mãe solteira" e filhos nascidos de relações fora do casamento eram chamados de "ilegítimos", sem direitos hereditários. Anúncios de empregos continham expressamente "sexo masculino" e quando dirigidos a mulheres, não raro a expressão discriminatória "boa aparência". Editais de concursos públicos também eram dirigidos ao sexo masculino – e foram precisas muitas ações na Justiça empreendidas pelo Ministério Público para que as mulheres pudessem, por exemplo, prestar concursos nas polícias civil e militar, cursar as academias, receber seus diplomas e assumir seus postos e cargos plenamente. Além de oferecerem salários muito inferiores, empresas costumavam exigir testes de não-gravidez e até de esterilidade para empregar mulheres, chegando ao cúmulo de promover verificações do período menstrual de suas empregadas.

Em 1986, quando foi eleito o Congresso Constituinte, tive a honra de ser a primeira mulher eleita presidente da UPE – União Paranaense dos Estudantes, em eleições diretas. Integrante do Conselho Estadual da Condição Feminina do Paraná desde sua fundação, atuei junto com muitas bravas brasileiras no chamado lobby do batom. E foi assim que a Constituição promulgada em 1988 vedou expressamente toda e qualquer forma de discriminação sexual; conferiu à mulher igualdade de status na chefia da sociedade conjugal e no pátrio poder; assegurou a proteção do estado e da sociedade à união estável - equiparada ao casamento - e à entidade familiar formada por um dos pais e seus descendentes; equiparou os direitos dos filhos em qualquer situação jurídica parental; ampliou a licença-maternidade para 120 dias e instituiu a licença-paternidade; assegurou o direito da mulher à assistência integral à sua saúde em todas as fases de sua vida, inclusive ao planejamento familiar com informação e meios proporcionados pelos serviços de saúde pública.

Com base na então nova Constituição Federal, foram elaboradas as novas Constituições estaduais e pudemos questionar juridicamente todos os atos discriminatórios que descrevi. O mais emblemático para mim foi a revogação de uma punição aplicada pelo Comando da Capital da Polícia Militar do Estado do Paraná a cinco policiais femininas por terem engravidado sendo solteiras, o que contrariava uma diretriz interna da corporação. Com ampla repercussão na mídia nacional e junto a entidades de direitos humanos e civis internacionais, nosso questionamento levou o Governo do Paraná e revogar a punição e a diretriz discriminatória. Não foram poucos os julgamentos a que assistimos, como representantes do Conselho Estadual da Condição Feminina, no Tribunal do Júri para que assassinos de mulheres passassem a ser condenados por seus atos criminosos, pondo em desuso a velha tese da "defesa da honra" que costumava livrá-los das penas.

Neste Século 21, constatamos e vivenciamos felizes a nova situação da mulher e sua presença cada vez mais significativa na cultura, nos negócios, nas ciências, na educação, nas profissões, nos esportes, nos serviços públicos, na política – tudo isso sem reduzir sua importância no âmbito familiar e seu privilégio natural de ser mãe. É uma imensa contribuição para a riqueza das nações!

Senão vejamos:

Segundo o IBGE, 42% dos trabalhadores do mercado formal e 35% dos chefes de lares. Segundo o Sebrae, 45% dos empreendedores individuais. Segundo o Dieese, 40% dos sindicalizados. Segundo o TSE, 51% do eleitorado. E ainda 20% dos cargos de direção nas empresas e 89% das pessoas que atuam em voluntariado. Segundo Gilberto Dimenstein, 41% da renda da classe C resulta do trabalho feminino. Segundo Contardo Calligaris, nas periferias e nas favelas, os núcleos familiares estáveis se organizam ao redor de mulheres. Segundo a revista Claudia, "os garotos que nos perdoem, mas quem manda na internet são as menin@s" – o que o especialista em tendências sociais Mark Penn qualifica como "Tech Fatales" devido à habilidade feminina para conexões.

Por influência de Ruth Cardoso, referência do movimento feminista, há muitos anos o governo brasileiro deposita nas mãos femininas os recursos financeiros de auxílios sociais, pois são assim melhor empregados com melhores resultados.

As mulheres assumiram profissões e ocupações antes impensadas. Muitas empresas vêm dando preferência à contratação de mulheres, cujo modo de trabalhar passou a ser enaltecido por consultores. Boa parte da iniciativa privada contemporânea preocupa-se em ter mulheres nos seus quadros, inclusive nas funções executivas. Na política, cada vez mais temos vereadoras, prefeitas, deputadas, senadoras, ministras e até a presidente da República. No âmbito da Justiça, promotoras, procuradoras, juízas e ministras dos tribunais superiores. Ontem mesmo a ministra Carmen Lúcia tornou-se a primeira mulher a presidir o TSE – Tribunal Superior Eleitoral. A presença da mulher também é expressiva no mercado informal, como ambulantes e carrinheiras. Na educação, a mulher já é maioria em muitos cursos em todos os níveis e frequentemente ocupa o primeiro lugar da turma. Dados do IBGE indicam que 28% das mulheres têm mais de 11 anos de escolaridade, enquanto o percentual é de 19% para os homens.

As transformações foram profundas, mas ainda é preciso aperfeiçoar estruturas e políticas ainda sexistas, racistas e excludentes que constituem uma perversa realidade e mantêm a mulher em condição de vulnerabilidade.

Temos que sobreviver ao que a procuradora de Justiça Luiza Nagib Eluf chama de femicídio, protagonizado em 66% dos casos por parceiros afetivos, surpreendentemente em todas as faixas etárias. É preciso denunciar e reduzir drasticamente todas as formas de violência contra a mulher – inclusive a verbal -, com destaque para a educação e o papel da família, da escola, do estado, do ambiente de trabalho e da mídia; e com necessidade de apoio e amparo social efetivo às vítimas e punição de acordo com o estado de direito, com destaque para a Lei Maria da Penha – um marco importante na defesa da integridade física e moral da mulher. No âmbito internacional, é preciso adotar sanções contra as formas vis de violência sofridas por mulheres em todas as nações, de que são exemplos mais gritantes as regras de conduta e penalidades impostas nas teocracias.

No campo da saúde, é mister melhorar a nota da saúde pública brasileira – média de 5,4% - para beneficiar a população feminina com a devida assistência, pois ainda são muito elevados os índices de mortalidade materna, cânceres do aparelho reprodutor e de mama, entre outras enfermidades típicas da condição da mulher. No campo da educação, é preciso combater os estereótipos e promover o respeito à dignidade humana e à diversidade como valor. Na cultura, é preciso promover o acesso à produção e à fruição dos bens culturais, bem como a ampliação do repertório cultural feminino.

O repúdio à desigualdade e ao preconceito passa pela igualdade salarial, pela inclusão social, pelo combate ao estereótipo dos padrões de beleza e pela promoção do empoderamento feminino. Segundo o Banco Mundial, os indicadores de desenvolvimento econômico e de honestidade na gestão de recursos públicos melhoram onde a mulher tem mais acesso à educação e ao poder.

É por isso que - ao encerrar a minha fala - proponho aos senhores edis que uma mulher seja a próxima presidente da Câmara Municipal de Curitiba. Sim, senhores vereadores e senhoras vereadoras, elejam uma mulher presidente e permitam a esta Casa de Leis a oportunidade de experimentar um estilo feminino de administrar: eficiente, dinâmico, humanista, sustentável, criativo, calcado em diálogo, cooperação, entendimento, seriedade, integridade e sensibilidade.

Considero a vereadora Julieta Reis plenamente capaz para assumir essa nobre missão, com sua respeitável carreira política, sua liderança e sua dedicação à função pública, motivo pelo qual espero sinceramente que ela venha a ser a primeira mulher a presidir a nossa Câmara Municipal! Eis a melhor forma de homenagear as mulheres que nasceram, trabalham, mantêm famílias e vivem em Curitiba!

Amigas queridas, minha família – mãe Alzeli, irmãs Valquíria e Viviane, sobrinhas Victoria e Fernanda e sobrinhos Henrique e Thiago, meu marido Paulino e a todos os presentes, muito obrigada pela atenção.

 
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