sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Herança do governo Requião: PR é o que menos gastou com segurança na década

Em relação às riquezas que produz, o Paraná é o estado que menos investiu em segurança pública na última década. O levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra quanto cada unidade da federação aplica no combate à violência em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB) estadual: no caso paranaense, 1% ao ano, em média. Nesse cenário é que o Paraná aparece como líder de um ranking nada positivo. A pesquisa leva em conta os valores aplicados pelas secretarias estaduais de segurança pública e também o dinheiro destinado pelas prefeituras para a área, além dos repasses do governo federal. Os números também não são animadores no comparativo dos gastos em segurança pública por habitante. O valor destinado por dia no Paraná é de R$ 0,36 por morador, um dos mais baixos do Brasil – bem próximo aos gastos no Pará e no Ceará e distante dos valores praticados em São Paulo, que aplica o dobro. O porcentual do orçamento estadual destinado à segurança pública coloca o Paraná igualmente em situação constrangedora: na casa dos cinco que menos investem. Enquanto por aqui o número fica na faixa de 6% de todas as despesas estaduais, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais chega a 12% do orçamento.

Com base nos dados divulgados pelo Fórum, a Gazeta do Povo elaborou um ranking combinando os cinco critérios apontados no levantamento: valor absoluto aplicado; participação do estado em relação ao total despendido no Brasil; porcentual gasto em relação a outras despesas estaduais; valor aplicado per capita; e porcentual destinado em relação ao PIB.

A comparação mostra que o Paraná é o sexto pior na qualidade do investimento em segurança pública na década, atrás de Piauí, Maranhão, Ceará, Roraima e Amapá. Nos levantamentos por critérios, o Paraná aparece na mesma faixa que estados do Norte e do Nordeste e bem longe dos vizinhos do Sul e do Sudeste. O Fórum destaca a correlação entre a melhoria recente nos indicadores de violência em alguns estados e o aumento no volume de recursos aplicados.

Os dados mais recentes são de 2009 porque a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) só deve divulgar em setembro as informações referentes a 2010. O orçamento da segurança pública inclui as despesas com policiamento, informação e inteligência e defesa civil. Contudo, é comum variar o tipo de gastos considerados como em segurança pública em cada estado. Por exemplo: os valores pagos aos aposentados podem estar incluídos ou separados em outra dotação orçamentária, os gastos com a academia de polícia podem estar em educação, as despesas do hospital militar podem estar em saúde. Os valores de cada ano foram corrigidos de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Secretário pretende aplicar o dobro até 2014

O secretário estadual da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, reconhece que ampliar o volume de investimentos no setor é o principal desafio que vai enfrentar. Ele diz que negocia um aporte de R$ 3 bilhões para os próximos três anos. Ou seja, a meta é dobrar o orçamento atual – passando dos 6% do orçamento paranaense para 12%, o equivalente aos gastos em saúde. “No orçamento de Minas Gerais, o primeiro lugar é de segurança pública. No Rio de Janeiro e em São Paulo, primeiro vem educação e depois já é segurança. A segurança não tem vinculação de orçamento, como saúde e educação, mas esses estados investiram mesmo assim. Aqui, quero equiparar a área de segurança ao orçamento da saúde. Eu não quero um centavo a mais”, afirma.

César diz que o governador Beto Richa “tem sinalizado que vai haver concretamente um aumento na capacidade de investimento em segurança”. Ele considera difícil chegar ao objetivo já no primeiro ano de gestão, mas afirma que está negociando para que haja uma elevação progressiva: 10% do orçamento em 2012, 11% em 2013 e 12% em 2014. “Só tem duas coisas que mudam a história da segurança pública em qualquer lugar do mundo: efetivo e investimento em condições de trabalho, tecnologia, mobilidade, armamento e comunicação”, pondera.

Polícia Federal

Além de buscar a destinação de mais recursos dentre as verbas estaduais, o secretário afirma que vai tentar conseguir mais dinheiro do governo federal e de fontes de financiamento público. Vindo da Polícia Federal, César conta que acompanhou de perto a diferença que o aporte de recursos financeiros foi capaz de promover. “Sou de uma geração da Polícia Federal que viu a mudança da instituição. Há 15 anos, quando entrei na PF, também era difícil, com pouca estrutura e efetivo. Quando houve a decisão de investir pesadamente, a instituição alcançou o patamar de credibilidade que vemos hoje”, destaca.



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