
COLEÇÃO KBK:
A Vida e a Saga de Holdine e Magda Goebbels
Os livros que compõem a Coleção K.B.K. trazem uma nova e grande descoberta, a partir de documentos que apresentam Magda Goebbels — a mulher mais influente da Alemanha nazista —, e uma de suas filhas, Holdine Kathrim Goebbels, em trâmite pela América do Sul e estabelecendo moradia no sul do Brasil no final dos anos 1960. K.B.K. é um trabalho capaz de mudar a História universal como conhecemos hoje.
Conclusões inquietantes
Versões mirabolantes, fugas cinematográficas, dúvidas incontáveis, mistérios indecifráveis. O que realmente aconteceu no dia 30 de abril de 1945, data que hoje pode ser comparada à do assassinato do extremista Osama bin Laden? Hitler e a esposa, Eva Braun, e seus subordinados mais próximos, como o ministro da propaganda, Joseph Goebbels, mulher e filhos, teriam mesmo se suicidado no refúgio antibombas onde permaneceram até a tomada aliada?
A fuga em massa de nazistas para países simpáticos ao regime e as teorias de que Hitler queria transformar o Uruguai no Quarto Reich já inspiraram vários livros, reportagens, estudos e documentários que buscam apontar outro sentido para o fim de alguns dos principais personagens deste episódio da História. Com o lançamento de seu primeiro volume neste mês, a coleção K.B.K. – A Biografia e a Saga de Holdine Kathrim e Sua Mãe, Magda Goebbels, na América do Sul Após a Segunda Guerra Mundial (Ed. Schoba) também investe na polêmica.
Escrita pelos médicos Christiane Lopes Pereira e Luiz Monteiro Franco, a obra de quase 1,3 mil páginas divididas em quatro volumes é o resultado de uma pesquisa que já completa seis anos. Baseado no relato de Nora Daisy – figura intrigante que viveu na miséria em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, entre 1972 e 2006 –, o livro traz depoimentos de historiadores e documentos que ajudam a esclarecer fatos que por muito tempo permaneceram apenas em relatórios sigilosos e na memória de testemunhas importantes.
Mais que uma biografia da condessa Nora Daisy Auguste Emilie Carlotte Friz Kirschner Von Kirschberg e de sua mãe, Nora Berthé Auguste Maria Friz, as revelações relatadas no livro, afirmam os autores, levam a uma conclusão inquietante. Nora Friz e Nora Daisy seriam, respectivamente, Magda Goebbels, esposa do então ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, e Holdine Kathrim, filha mais nova do casal e que seria fruto de um relacionamento com Hitler. No livro, o Führer aparece ora como Dom Franzisko, ora como Kurt Bruno Kirschner, cujas iniciais dão nome à coleção.
Encontro
Médica da família em Foz do Iguaçu, a doutora Christiane teve o primeiro contato com a condessa, como era conhecida no bairro, em 2005, no Posto de Saúde onde trabalhava. “Uma senhora idosa, com traje de mendiga, doente e sofrida”, conta a autora. Ao mesmo tempo em que o tratamento avançava, a confiança entre as duas se estreitava. Dramas, lembranças ruins, medos e tristezas permeavam as histórias de mãe e filha, que, na década de 1970, chegaram a ser apontadas por uma revista da região como sendo Eva Braun, esposa de Hitler, e a filha do casal.
“Se no primeiro momento tivemos a sensação de estar diante de uma pessoa portadora de sério distúrbio psíquico, em pouco tempo percebemos que, apesar de toda a camuflagem e da tentativa de esconder a verdadeira história por trás daquilo tudo, estávamos diante de algo muito maior”, lembra Franco. Nora Daisy e sua mãe, defende, foram pessoas importantes na história do nazismo, conviveram com Hitler e conheceram intimamente muitos daqueles personagens. “Por mais que estivéssemos convencidos, tínhamos que investigar mais seriamente tudo o que a condessa nos dizia. E ainda há muito a ser descoberto e comprovado.”
Memórias
As histórias detalhadamente retratadas em um livro autobiográfico todo desenhado trazem datas, lugares, tramas e coadjuvantes importantes para a compreensão dos episódios convenientemente sustentados e que mãe e filha garantem ter vivido. “Sem dúvida, um dos maiores mistérios embutidos na saga da condessa Nora Daisy está na figura da sua mãe. Sobre ela falamos quase todo o tempo. São informações sobre uma época em que Daisy ainda era menina, recontadas hoje com aparente naturalidade, mesmo que pouca informação seja fruto de vivência própria”, comentam.
Além do livro, a condessa guardava entre seus pertences fotos antigas, cópias de testamentos e registros de nascimento e de óbito. Na memória, datas continuamente decoradas, em especial as que ordenam a viagem de 17 anos que as duas fizeram a cavalo por países da América do Sul, logo após a morte de Kurt Bruno Kirschner, em 1954, na cidade de Encarnación, no Paraguai, onde plantava arroz e criava animais. Coincidência ou não, a saga teve no roteiro conhecidos redutos germânicos de forte apelo nazista.
Respostas
Nora Friz morreu em um misterioso incêndio em 1978 e Nora Daisy em 2006, de causas naturais. Várias, porém, são as interrogações. Os conspiradores estavam certos? Como se deu e quem estava por trás de toda a logística de fuga da Alemanha? Desde quando vinha sendo planejada? Quem foram as vítimas que deram nome aos fugitivos para que pudessem permanecer incógnitos sob seus disfarces? Quem conseguiu escapar e para onde foram? Hitler passou os últimos anos de vida no Paraguai? O Führer teria deixado descendentes? Afinal, quem foram Nora Friz e Nora Daisy? (GM)
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