quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O duro retorno da exilada Leila Jinkings

Leila Jinkings

 Difícil descrever o que senti nestes últimos dias, antes de aqui chegar (da Suécia) É como um turbilhão de sentimentos confusos. É uma ferida profunda. O que mais fiz na vida foi tentar esquecer. As memórias voltam e me colocam cara a cara com o sofrimento do passado, que deixaram marcas não somente no corpo, mas na alma. 

Em 1971 fui presa, muito torturada e violentada. Minha atividade foi pertencer à ALN, Ação Libertadora Nacional, organização clandestina. Nunca participei de ações armadas mas, sim, dava aulas de alfabetização para adultos analfabetos em Belo Horizonte.


Depois tive uma trajetória difícil: Viver longe da família como exilada, primeiro no Chile e depois na Suécia, enfrentando uma sociedade com língua e costumes diferentes. Como venho de uma família do interior mineiro, família muito unida, fiquei impedida de tomar contacto e dar notícias confidenciais sobre as amarguras, as tristezas e as angústias de uma exilada. Vivi um desafio. E como muitos outros brasileiros exilados tive que refazer toda minha vida. Perdi meu referencial e anos de estudos e trabalhos no Brasil foram deixados para trás, sem nada a fazer e sem nada a ser aproveitado. Depois de anos de batalha consegui fazer outra carreira profissional na Suécia, com o qual trabalho até hoje.


Por todo este tempo lutei imensamente com problemas de saúde que tinha e ainda tenho, como consequência das torturas.


3 comentários :

Leila Jinkings disse...

Olá, Molina.

Não havia lido antes este post. Daí só hoje tomar conhecimento dele.
Esta história não é minha mas, sim, de Célia, em seu depoimento. Sou ativista incansável e entusiasta da luta pela verdade e pela justiça.
Deixo-te o link e o trecho inicial.
Pronunciamento emocionado de Célia de Melo Lundberg 8 out 2012 na Comissão de Anistia. 62ª Caravana de Anistia presidida por Paulo Abrão, Armazém 6, Cais do Porto, RJ. Voto dos Conselheiros. O Estado brasileiro pede desculpas à Célia pelos erros e violações cometidos durante a.ditadura. Célia fala:

Difícil descrever o que senti nestes últimos dias, antes de aqui chegar (da Suécia) É como um turbilhão de sentimentos confusos. É uma ferida profunda. O que mais fiz na vida foi tentar esquecer. As memórias voltam e me colocam cara a cara com o sofrimento do passado, que deixaram marcas não somente no corpo, mas na alma.
Em 1971 fui presa, muito torturada e violentada. Minha atividade foi pertencer à ALN, Ação Libertadora Nacional, organização clandestina. Nunca participei de ações armadas mas, sim, dava aulas de alfabetização para adultos analfabetos em Belo Horizonte.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=teK7aBAD-VA

Molina com muita prosa & muitos versos disse...

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=teK7aBAD-VA

Molina com muita prosa & muitos versos disse...

Cara Leila postei o que me repassaram.

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