quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

'Carperos' desistem de ocupar terras de colonos brasileiros no Paraguai

Norberto Duarte

Centenas de sem-terras paraguaios, chamados de 'carperos', desistiram de ocupar terras de colonos brasileiros situadas na fronteira e se retiraram do local, anunciou nesta quarta-feira o ministro do Interior do Paraguai, Carlos Filizzola.

Os 'carperos' abandonaram de forma pacífica as áreas próximas às propriedades particulares dos brasileiros e se instalaram em territórios públicos, em Ñacunday, departamento (província) do Alto Paraná, indicou o funcionário.

"Não houve incidente algum", assegurou o secretário de Estado, ressaltando que, desta forma, a ordem judicial de despejo foi acatada.

A saída ocorreu dias depois do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmar que seu governo usará todos os meios legais para garantir a segurança dos colonos brasileiros e fazendeiros proprietários das terras.

"O governo rechaça qualquer ideia de violência ou justiça pelas próprias mãos proveniente de quem quer se seja e já instruiu a força pública a utilizar todos os meios disponíveis para assegurar a ordem pública e a segurança das pessoas", afirmou em um comunicado.

Os 'carperos' ameaçaram invadir várias terras que, segundo eles, possuem títulos falsos e fazem parte de bens obtidos durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Várias áreas ocupadas por colonos brasileiros "são terras fiscais que pertencem ao povo e devem ser confiscadas e distribuídas aos sem-terras", afirmou publicamente Belarmino Balbuena, líder do Movimento Campesino Paraguaio (MCP).

Por sua vez, porta-vozes de produtores colonos solicitaram garantias de segurança para trabalhar e produzir, garantindo possuir títulos legais das terras ameaçadas.

O conflito entre 'carperos' e produtores da área que faz fronteira com o Brasil começou depois de o governo descobrir irregularidades em títulos de grandes extensões de terras, segundo a Federação Nacional Campesina (FNC).

O embate tomou contornos críticos nos últimos quinze dias, depois que o presidente Fernando Lugo determinou a demarcação de terras paraguaias na fronteira com o Brasil. O argumento do governo paraguaio é checar se há brasileiros em terras que originalmente eram públicas. Foi a deixa para os sem-terra convocarem militantes a irem para os acampamentos do Alto Paraná pressionar pela expulsão dos brasiguaios.

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