Indignados de todo mundo se uniram neste sábado(15.10) em diversas cidades para protestar contra o capitalismo, a corrupção e as políticas de austeridade que foram adotadas com o agravamento da crise nos países industrializados. Munidos de cartazes e máscaras do protagonista dos quadrinhos ‘V de Vingança’ – fábula anarquista que foi imortalizada nas telas de cinema – os manifestantes prometem tomar as ruas de 952 cidades em 85 países, incluindo cidades brasileiras. Mas, por aqui, os protestos tiveram pouca intensidade.
Na Europa, os protestos foram maiores e mais violentos em Roma, culminando em vans da polícia italiana incendiadas. Agentes que tentaram conter o protesto na cidade italiana e alguns rebeldes ficaram feridos e ruas e praças destruídas.
Ao menos 70 pessoas ficaram feridas, três gravemente, quando a polícia de choque reprimiu os protestos deste sábado em Roma por ocasião da jornada dos "indignados", informou a agência italiana Ansa.
Segundo a agência, 25 pessoas foram socorridas em hospitais de campanha montados pelos serviços de emergência em torno da basílica de São João de Latrão, e outras 45 receberam atendimento na emergência de diversos hospitais da capital italiana.
Entre os feridos, três estão em estado grave.
Os incidentes ocorreram após o início do protesto, que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Roma por ocasião do dia mundial dos "indignados" contra o desemprego e a voracidade do sistema financeiro mundial.
Enquanto milhares de pessoas protestavam pacificamente, carregando cartazes que diziam "Apenas uma solução, a Revolução", ou "Não somos bens nas mãos de banqueiros", já no começo da marcha, desconhecidos quebraram vidraças de bancos com placas de trânsito e depois fugiram. Vários carros foram incendiados.
As forças de ordem responderam aos manifestantes em frente à basílica, disparando bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água, enquanto alguns, encapuzados ou com os rostos cobertos por echarpes pretas, atiravam coquetéis molotov, bombas de fumaça e garrafas.
Credibilidade dos governos
Principais focos da crise econômica e de credibilidade dos governos, os países europeus tiveram o sábado agitado. Manifestantes incendiaram carros e depredaram lojas e agências bancárias em Roma um dia após o premier Silvio Berlusconi ter obtido um novo voto de confiança do parlamento da Itália. Alguns vandalizaram ainda os escritórios do ministério da Defesa. A polícia utilizou jatos de água para dispersar a multidão em Madrid que atirava pedras, garrafas e rojões. Manifestantes e policiais ficaram feridos. A segurança foi reforçada nas proximidades do Banco da Itália.
Em Frankfurt, capital financeira da Europa continental, cerca de cinco mil manifestantes se reuniram em frente à sede do Banco Central Europeu (BCE). Já em Londres, 500 ativistas marcharam da Catedral de St. Paul para as proximidades da bolsa de valores. O fundador do Wikileaks, Julian Assange, fez um discurso em apoio aos manifestantes.
Na Espanha, onde os protestos se avolumam desde maio, a marcha dos indignados chegou às vilas e áreas rurais. Neste sábado, seis marchas saíram da Praça Cibeles em direção à Puerta del Sol, em Madrid, logo no início da manhã.
Protestos na França
Os protestos também mobilizam a polícia da França, que sedia neste sábado um encontro dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, o grupo dos 20 países mais desenvolvidos do mundo. Ontem, numa manifestação inusitada, um ativista da ONG denominada Robin Wood fez um protesto solitário – e seminu – em frente à antiga Bolsa de Paris.
Do outro lado do Atlântico, o movimento ‘Ocupem Wall Street’, nascido em Nova York no fim do mês passado, promete manifestações em milhares de cidades dos EUA, de São Francisco a Washington. Nesta sexta-feira, os indgnados ‘made in USA’ obtiveram uma vitória ao conseguirem o adiamento da remoção do seu acampamento em uma praça de Manhattan. No Canadá, estão previstos protestos em Montreal e Vancouver.
Na capital paulista, cerca de 200 pessoas são esperadas no Largo do São Bento, na região central, de onde partirão em passeata até o Vale do Anhangabaú. De acordo com o secretário de relações internacionais do PSOL, Pedro Fuentes, disse que o movimento ainda é pequeno no Brasil, que passa por um bom momento econômico, mas deve crescer nos próximos anos. - O atual regime político não nos representa. Assim como nos sindicatos, existe uma falsa democracia. Esse é apenas um pontapé inicial – afirmou Fuentes.
Na Ásia e na Oceania
Para além das Américas e da Europa Ocidental, os protestos também se espalham pelos balcãs, pela Ásia e pela Oceania. Em Sarajevo, na Bósnia, centenas foram às ruas carregando imagens de Che Guevara e velhas bandeiras comunistas que se lia “Morte ao capitalismo, a liberdade para o povo”.
Em Sydney, na Austrália, cerca de 300 pessoas se reuniram sábado, usando aparelhos de som para gritar frases como: “Estamos cansados de ganância empresarial! Os grandes bancos, o poder das grandes corporações sobre nós e em pé Tirando os nossos direitos!”.
No Japão, o protesto reuniu cerca de 200 pessoas na capital Tóquio, onde o interesse público é dominado pela questão na energia nuclear. Os manifestantes marcharam em torno da empresa Tokyo Power Co., que opera a usina de Fukushima, palco de acidente em março. “Não à energia nuclear”, gritavam os manifestantes.
Já nas Filipinas, cerca de cem pessoas marcham próximo à embaixada americana, em Manila, para expressar apoio aos ativistas americanos do movimento que ficou conhecido como “Ocupar Wall Street” e reclamar do que chamam “imperialismo dos Estados Unidos”. (BM)
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