sábado, 22 de janeiro de 2011

PF pede quebra de sigilo para investigar Souza

Casa de R$ 500 mil, em Atami, em nome da Ecoport

VANESSA PRATEANO/GP

A Polícia Federal (PF), que investiga um esquema milionário de desvio de cargas e fraudes em licitações no Porto de Paranaguá, deve pedir nas próximas semanas a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas Petroil, Acquaplan, Fundação Terra e Ecoport, contratadas para prestar serviços à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa). As investigações, conduzidas pela Operação Dallas da PF, apontam que as quatro empresas estariam ligadas ao ex-superintendente do porto, Daniel Lúcio de Oliveira de Souza, preso na quarta-feira no Rio de Janeiro, e teriam sido beneficiadas por contratos irregulares.

“Vamos pedir a quebra dos sigilos fiscal e bancário para acompanhar a evolução patrimonial das empresas enquanto ele [Souza] esteve à frente da administração do porto e levantar os bens em nome dessas empresas e se eles estão de alguma forma ligados a ele”, afirmou o delegado-chefe da PF em Paranaguá, Jorge Fayad.

Até ontem, a PF já havia mapeado a existência de uma casa em Atami, no litoral do estado, avaliada em R$ 500 mil, em nome da Ecoport, empresa sediada em Paranaguá e cogitada pela Appa para fazer estudos ambientais. No local foram encontrados documentos e recibos de pagamento de contas no nome do ex-chefe do porto e da mulher dele, além de porta-retratos com fotos da filha do casal. A Ecoport também foi a compradora de um veleiro, avaliado em mais de R$ 400 mil, que seria usado por Souza. A PF investiga ainda o registro de dois imóveis no condomínio Ecoville, no bairro Mossunguê, em Curitiba, feito por uma quinta empresa em nome dos filhos de Souza.

A PF cogitava pedir ainda ontem a prisão preventiva do ex-superintendente, com o objetivo de ganhar mais tempo nas investigações, além da prorrogação da prisão temporária dos outros nove detidos na Operação Dallas. O órgão trabalha ainda para obter mais indícios que reforcem o pedido de prisão do ex-superintendente da Appa Eduardo Requião, irmão do ex-governador Roberto Requião. O pedido anterior foi negado pela Justiça.

Ontem, a Justiça Federal emitiu uma nota oficial confirmando os nomes dos dez presos na Operação Dallas. Além de Souza, foram detidos Agileu Carlos Bittencourt, funcionário do Tribunal de Contas do Estado e responsável pela inspeção da contabilidade portuária; Maria Alejandra Fortuny, ex-advogada do porto; José Maria Moura Gomes, ex-engenheiro do porto; Anderson Fumagalli, diretor do Grupo Interalli, dono da Cia Brasileira de Logística (CBL) e de outras 20 empresas, entre elas as concessionárias Ford Slaviero, Hyundai Slavel e Honda Niponsul; Fabrício Slaviero Fumagalli, sócio da CBL; e Washington Viana e Silva, Paulo César de Souza Vilela, Mauro Pe­­reira Maia e Helder Sorgi Catari­no, funcionários da CBL ou de empresas ligadas ao Grupo Interalli. As prisões temporárias são válidas por cinco dias (vencem amanhã e segunda) e podem ser prorrogadas.

Outro lado

Em entrevista, o diretor da Fundação Terra, Lúcio Tadeu de Araújo, negou envolvimento nos crimes. “Apresentamos uma proposta [para a realização dos estudos ambientais], mas isso nunca redundou em recebimento de recursos ou prestação de serviços. A proposta foi aprovada, mas o serviço não foi feito”, disse. Araújo negou que a fundação mantivesse ligação com Souza. A reportagem tentou contato com as outras empresas citadas na investigação da PF, sem sucesso.

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